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Ascensão de um fumante (1/6/2006)
ACTBR

Fonte: Diário de Cuiabá
Quinta-feira, 1 de junho de 2006

LUIZ CESAR DE MORAES

Qualquer um escreve com facilidade sobre a arte de parar de fumar. Tanto escreve o cara de pau que ainda é fumante. Quanto escreve aquele que parou e se transformou em um chato de marca maior. E ainda aqueloutro que utilizou alguns métodos recomendados por gente que pesquisa o assunto e que, portanto, entende do problema mais do que a maioria.

Dos primeiros eu dou risada. Desses últimos é que eu quero falar porque os respeito e sei que falam coisa com coisa, porque conheço muitos deles. É gente que um dia fumou, aprendeu como parar e hoje tenta passar pra frente tais sugestões, de modo a ajudar quem quer parar e não consegue.

Um deles, que fumou durante 20 anos ininterruptos, era considerado caso grave pelo médico que o atendia. Foi dependente tanto do cigarro quanto do café. Aliás, para ele, um vinha quase que automaticamente depois do outro, naturalmente, até que se viu na contingência de parar por sofrer de doença grave.

O meu amigo aprendeu que o fumante precisa se incomodar tanto no seu vício do cigarro quanto no ritual que permeia o vício propriamente dito. Esse incômodo deve ser através da mudança de marca de vez em quando, redução do número de cigarros fumados a cada dia, o corte do café antes daquele cigarrinho tradicional da manhã ou após o almoço, evitar café expresso do Shopping e por aí afora.

O leitor terá percebido a sutileza da colocação segundo a qual quem deve incomodar o fumante é ele mesmo, a partir do momento em que compreende a gravidade de sua condição e resolve tomar a decisão de parar. Se for na base da coerção, mesmo o paciente terminal de câncer causado por cigarro, tenderá a continuar fumando se assim decidir.

Aqueles que pararam de fumar sabem com clareza que estabelecer metas é muito importante. Por exemplo, na maioria dos casos, a tarefa fica menos difícil quando o candidato ao posto de ex-fumante planeja com antecedência, passa por todas as etapas do período que antecede o grande dia e, quando menos espera, consegue parar.

Ler literatura especializada no assunto foi fundamental para o meu amigo obter êxito em sua empreitada. Ele leu, foi muito ajudado pelas dicas constantes no livro do psicanalista Flávio Gikovate, “Cigarro, Um Adeus Possível”, e por isso recomenda a obra a todos que queiram enfrentar essa guerra contra o vício.

No mais é preencher a mente com a vontade de parar de modo que ela seja sempre maior do que a vontade de fumar. Isso é básico: segundo o meu amigo, nosso candidato à posição de ex-fumante tem de querer, com todas as forças, ascender a condição de cidadão de primeira categoria.



LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário

 
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