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Gol contra (do cigarro) (9/6/2006)
ACTBR

8 de junho de 2006
 
Fonte: Tribuna do Norte

Públio José - jornalista (publiojose@digizap.com.br)

O cigarro marcou um gol contra quando providenciou a morte, por infarto indefensável, do radialista e jornalista Marco Antônio, o proclamado “Garotinho da Copa”. A observação é baseada na larga defesa que Marco Antônio fazia do consumo diário e ininterrupto do hábito de fumar. Ninguém por essas bandas - é bom que se registre - se posicionava tão favorável ao tabagismo quanto ele. Aliás, garoto propaganda melhor do que ele a indústria do cigarro dificilmente irá encontrar. Marco era intransigente ao enumerar as vantagens da parceria que mantinha com o cigarro, além de colocar diante de todos, com veemência, o direito inalienável de consumir o que bem entendesse. Com isso não queremos dizer que fosse um mal educado, um inconveniente. Muito pelo contrário. Não constava em seus hábitos, nem habitava seus gestos, qualquer ação que o indispusesse com outras pessoas.

Era um homem de boa convivência. E, nas posições que adotava, por sinal de um radicalismo doce e irreverente, não estavam incluídos costumes e palavras que prejudicassem a qualquer pessoa. Não. Jamais. Marco era incapaz de ofender a alguém. Ao contrário, era dono de um sorriso fácil, bonito, contagiante, que colocava sempre a serviço da vida, da alegria e do prazer de figurar entre os amigos. Além do cigarro, contabilizava outras paixões, as quais defendia com o mesmo denodo e o mesmo empenho: o Grêmio (seu time de Porto Alegre), o ABC e a Coca-Cola. A esta última dedicava uma devoção toda especial. Da Coca também era um entusiasmado propagandista. Fato interessante: o álcool não contava com nenhum espaço entre as suas preferências. Este, enfim, era o Marco Antônio. O Marco do qual tanto gostávamos e que o cigarro, perversamente, acaba de levar.

Levou-o num momento importantíssimo de sua carreira profissional e numa idade, 56 anos, na qual desabrocham os sentimentos mais puros, mais nobres, pela experiência adquirida com o passar dos dias. Ao invés de matá-lo da maneira implacável e rápida como o ceifou, o cigarro deveria tê-lo resguardado por longos e longos anos. Não haveria, para o produto, testemunho melhor. Mas o cigarro tem em alta conta um dos seus principais objetivos: o de matar. Deste ele não arreda o pé. Matar, simplesmente matar. Não interessa se entre seus consumidores esteja alguém maneiro de alma e de espírito como Marco Antônio, ou um eleito pelas dádivas do sucesso profissional e financeiro, ou, ainda, um miserável qualquer que apascenta seus dias caçando piúbas ao relento. A todos, indistintamente, o decreto universal do cigarro atinge de maneira inexorável, com sua letal carga de toxinas.

Marco Antônio iria inaugurar mais uma etapa em sua vida profissional, cobrindo sua sétima Copa do Mundo. Do jeito que mais gostava. Trombeteando - como era do seu feitio - suas emoções aos quatro ventos, e tendo ao seu lado a companhia da mulher amada. Pois Zalix, sua esposa, era também festejada, mesmo que entre baforadas do inseparável cigarro e dos generosos goles de mais uma Coca-Cola. Deste triunvirato, Zalix era um capítulo à parte. Dela, Marco nunca recebeu toxinas nem ácidos agressivos ao seu organismo. E, embora somente edificando em sua vida, foi ela a parte que mais perdeu. O cigarro, por exemplo, não está nem aí para o seu falecimento. Implacável, já busca outro corpo para semear a morte. A Coca, por sua vez, incansável, dita ao mundo seu ritmo agressivo e desenfreado. Já Zalix...... Guardemos de Marco Antônio a boa imagem. Para Zalix a essência do nosso abraço.

 
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