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77% condenam declarações de Lula a favor do cigarro (14/9/2008)
Folha de S. Paulo

Segundo Datafolha, brasileiros acham que presidente "agiu mal" ao defender, há duas semanas, "uso do fumo em qualquer lugar

Para entidades médicas, opinião do presidente pode atrapalhar políticas de combate ao tabagismo feitas pelo próprio governo

DA REPORTAGEM LOCAL

A maior parte dos brasileiros não gostou das declarações dadas há duas semanas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito do cigarro, mostra a pesquisa realizada pelo Datafolha na semana passada.
Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, enquanto fumava uma cigarrilha, Lula declarou que defende "o uso do fumo em qualquer lugar".
Das pessoas entrevistadas em todo o país, 77% disseram que discordam da declaração do presidente. O mesmo percentual afirmou que Lula "agiu mal" ao defender que se fume em qualquer lugar, incluindo ambientes fechados.
Questionado especificamente sobre o fumo no Palácio do Planalto, o presidente Lula respondeu que, pelo menos no gabinete, a decisão cabe a ele. "Eu, se for na sua sala, certamente não fumarei, porque respeito o dono da sala. Mas, na minha, sou eu que mando."
Em níveis semelhantes, a declaração desagradou tanto àqueles que avaliam o presidente Lula como "ótimo/bom" como àqueles que o vêem como "ruim/péssimo".
A reprovação à fala do presidente foi maior entre os simpatizantes do PSDB (oposição) que entre os dos PT (governo). Dos tucanos entrevistados pelo Datafolha, 87% discordaram da declaração. No caso dos petistas, 77%.

Prática e retórica
A defesa do cigarro feita por Lula foi imediatamente criticada por entidades médicas. Para elas, a opinião do presidente pode atrapalhar as políticas de combate ao tabagismo realizadas pelo próprio governo.
Para a médica Analice Gigliotti, presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), o presidente Lula deveria pedir desculpas ao país "pela forma inadequada de se expressar".
"Em meio a avanços importantes, é preciso cuidado para que, por erros políticos, não haja retrocessos. Parece que, de forma inédita, avançamos na prática e regredimos na retórica", afirmou a médica.
Entre os "avanços na prática", Analice lembra que foi com Lula que o Brasil tornou mais fortes as imagens de advertência nos maços de cigarro e assinou a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, um acordo internacional por meio do qual os países buscam reduzir o consumo de cigarros e outros produtos derivados do tabaco.
Neste momento, a Casa Civil da Presidência da República tem um projeto de lei que determina a extinção dos fumódromos. O projeto é do Ministério da Saúde e, logo após a análise da Casa Civil, será enviado ao Congresso Nacional.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os fumódromos dão a falsa sensação de proteção para quem está do lado de fora -a fumaça do cigarro é danosa à saúde em qualquer quantidade inalada.
Na entrevista em que deu a polêmica declaração, Lula também fez comentários sobre esse projeto: "A idéia do Ministério da Saúde é a proibição do fumo em todos os lugares fechados. Eu mando o projeto para o Congresso e não voto".
(RICARDO WESTIN)

 

 

 

 
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