Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Virando fumaça: gastos com cigarro podem chegar a mais de R$ 20 mil em dez anos (9/5/2007)
Paula Johns

Por: Ana Paula Ribeiro

08/05/07 - 17h05

InfoMoney


SÃO PAULO - Com a proximidade do Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, as pessoas que ainda resistem em parar de fumar podem acrescentar, além dos benefícios à saúde, uma vantagem mais concreta e imediata como motivo para apagar o cigarro: a economia que a atitude pode representar para o orçamento. No dia-a-dia, o gasto com a compra de um ou outro maço pode acabar passando "despercebido".


Se essa despesa, no entanto, for contabilizada mensalmente - prática rotineira para quem faz a planilha financeira -, o fumante inveterado poderá perceber que a manutenção do vício por vários anos pode fazer o dinheiro literalmente virar fumaça.


Preços vão subir

Essa despesa tende a subir ainda mais a partir de 11 de julho, quando o preço dos cigarros poderá aumentar em torno de 15% a 20%. O reajuste é decorrente do aumento que a Receita Federal aplicou sobre o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) cobrado dos fabricantes do produto. Para as categorias mais baratas, o aumento foi de 32% somente no valor do imposto, enquanto que, para as mais caras, o imposto sofreu alta de 28%.


Para saber o quanto pode ser economizado ao deixar de comprar cigarros, acompanhe a evolução das despesas com um e dois maços ao dia, ao longo de um ano, cinco e dez anos, considerando o preço unitário de R$ 2,80:


Um maço Dois maços

Um ano R$ 1.022,00 R$ 2.044,00

Cinco anos R$ 5.110,00 R$ 10.220,00

Dez anos R$ 10.220,00 R$ 20.440,00


As despesas para manter o vício podem subir ainda mais, caso o fumante precise custear tratamento médico ou medicamentos, por contrair alguma doença relacionada ao tabagismo.


Maior incidência de fumantes na baixa renda

Apesar de comprometer parte do orçamento, o tabagismo apresenta maior incidência justamente entre as famílias de baixa renda. Estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, a partir de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), constata que nas famílias brasileiras de menor renda, o gasto com tabaco chega a ser maior do que com alguns alimentos, tais como pão, leite, ovos, legumes e frutas.


Ainda conforme o estudo, considerando-se a escolaridade como um indicador indireto de classe social, observa-se que o tabagismo é maior entre os grupos de idade com menor escolaridade (ensino fundamental incompleto), quando comparado com os de maior escolaridade (ensino fundamental completo e mais), em todas as 16 cidades pesquisadas. Em quatro delas - Aracaju, Natal, Recife e Belém - havia mais de dois fumantes acima de 15 anos com baixa escolaridade para cada um dentro dessa faixa etária que freqüentou mais a escola.


Já as cidades que apresentaram menores índices foram Rio de Janeiro (1,1) e São Paulo (1,2). Ficaram em situação intermediária as cidades de Curitiba e Florianópolis (1,4 cada).


Combate ao tabagismo

Para alterar essa situação, o Inca destaca a adoção, no Brasil , de algumas medidas implementadas em diversos países, entre elas, as relacionadas ao aumento de preços e impostos (como o já citado anteriormente), e à proteção contra a exposição à fumaça do tabaco, com a aprovação da lei 9294/06, que proíbe o uso de cigarros em recinto de uso coletivo, exceto em áreas isoladas e arejadas destinadas exclusivamente aos fumantes.


Quanto a essa última medida, o "cerco" aos fumantes pode aumentar, caso entre em vigor proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que define critérios para a adequação dos chamados "fumódromos" em locais públicos, como bares e restaurantes, por exemplo. Segundo a proposta, que está em consulta pública até 02 de junho, os locais deverão ter, no mínimo, 4,8 metros quadrados de área e contar com mobiliário não combustível, além de sistema de climatização para evitar acúmulo de fumaça.


Medida positiva

Outra medida significativa apontada pelo Inca diz respeito à restrição à publicidade do tabaco, que passou a ser restrita à parte interna dos locais de venda e ficou proibida na mídia, como a televisão. Para o pesquisador da Unifesp, Elisaldo Carlini, essa proibição, instituída há mais de seis anos, foi o principal fator para queda no consumo de cigarros entre jovens. Conforme estudo realizado por ele, e outros quatro docentes, o índice de fumantes adolescentes, que havia passado de 22,4% em 1987 para 32,7% dez anos depois, voltou a cair, para 21,7%, em 2005.


"A propaganda do cigarro era bastante insinuante, ligada ao sucesso pessoal e fatores como status econômico. Isso influenciava, principalmente, a camada jovem", explica.


O número caiu tanto entre meninos como entre meninas. Entre eles, a redução foi de 36% (1997) para 21,9%. Entre elas, de 31,9% para 21,3%. Entre os pré-adolescentes (12 a 14 anos), também houve diminuição: de 13,8% para 8% no mesmo período.


Já nas faixas etárias superiores, o levantamento, realizado nas 108 maiores cidades do País, houve aumento no número de fumantes do sexo feminino e queda, no masculino. Em 2001, o índice de homens que fumavam era de 61,4% e o de mulheres, 45,4%. Quatro anos depois, os percentuais passaram a 60,7% contra 46,8%, respectivamente.


"Seria necessário um diagnóstico para saber o porquê desse fenômeno, mas não há vontade política para isso", afirmou Carlini à Agência Brasil, na época da divulgação.

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2