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Rebelem-se, fumantes (1/8/2007)
Paula Johns

By Moacyr Scliar - Médico
03/08/2006 23:57:00

Fonte:
http://www.libertas.com.br/index.php?central=noticia&canal=noticias&noticiaCodigo=2016&secao1=17&secao2=51&secaoSelecionada=51  <http://www.libertas.com.br/index.php?central=noticia&amp;canal=noticias&amp;noticiaCodigo=2016&amp;secao1=17&amp;secao2=51&amp;secaoSelecionada=51>
 
Os fumantes devem se rebelar. Mas devem se rebelar contra os verdadeiros opressores.

Quando o fumo, originário da América, chegou à Europa (por volta do século 17), não foi muito bem recebido. Na Inglaterra, os fumantes podiam ser presos. Na Turquia, tinham o nariz cortado. A situação mudou com o surgimento da indústria do cigarro. A facilidade de consumo e o maciço investimento em propaganda transformaram o fumo em hábito social e até glamouroso. Então, na década de 50, dois pesquisadores britânicos, Richard Doll e Austin Bradford Hill, num trabalho histórico (feito com médicos, a propósito), mostraram a associação entre fumo e câncer de pulmão. A partir daí, os efeitos deletérios do tabaco foram se tornando cada vez mais evidentes. E não só para os fumantes, mas também para aqueles que com eles convivem. Inalar passivamente a fumaça de cigarros está associado a uma enorme variedade de doenças: cardiopatias, câncer, acidente vascular cerebral, asma, bronquite, pneumonia. As crianças são particularmente sensíveis, e isto já no útero materno: nascem com peso menor, estão mais sujeitas a morte súbita, apresentam retardo no aprendizado (no sábado, o excelente caderno Vida trouxe matéria a respeito). Na Inglaterra, estima-se que o tabagismo passivo mate uma pessoa a cada oito horas. Mais eficiente que o PCC.

Uma legislação restritiva ao uso do tabaco em lugares públicos não tardou a surgir. Os Estados Unidos foram pioneiros nessa área, apesar da pressão da poderosa indústria de cigarros sobre o governo. Em Nova York, num dia de inverno, é comum encontrarem-se executivos diante de prédios (às vezes em mangas de camisa) fumando o cigarro que não podem acender no escritório. De modo que a lei complementar nº 555, de autoria do vereador João Carlos Nedel, e sancionada pelo prefeito José Fogaça, lei esta que proíbe o fumo em recintos fechados de uso público em Porto Alegre, apenas segue uma tendência mundial. Como em outros lugares, a lei não se aplica a áreas destinadas exclusivamente a fumantes, desde que devidamente isoladas e arejadas.

A lei gerou protestos. Na última quinta, no tradicional Bar Chopp Tuim, uma placa foi colocada, com os dizeres "Bar exclusivo para fumantes". Uma polêmica se estabeleceu então, com fumantes defendendo aquilo que consideram um direito.

Não é difícil entender o que aconteceu. Tem até nome. Chama-se dissonância cognitiva e é bem conhecida das pessoas que, trabalhando em saúde pública, tratam de motivar o público para adotar medidas que protejam contra doenças. Seguinte: se alguém se vê cotejado com uma informação que contraria os seus hábitos, ou aceitará mudar de conduta, ou recusará, às vezes de forma veemente, a informação. Negação esta que, a propósito, sempre foi muito bem explorada pela indústria do cigarro.

Agora: isso é apenas humano. Cabe àqueles que cuidam do bem público motivar a todos para a adoção de medidas saudáveis (coisa que a Smic, aliás, levou em conta, estabelecendo uma trégua até o cumprimento da lei). Os fumantes devem se rebelar. Mas devem se rebelar contra os verdadeiros opressores; por exemplo, contra a indústria e a sua propaganda. Uma rebelião pela saúde que pode salvar muitas vidas. 
 
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