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Fumacê (23/11/2006)
Paula Johns

A colunista não odeia cigarro, mas destesta o odor que eles provocam
Por Vange Leonel


Não odeio cigarros. Gosto da pose que a menina faz segurando um cigarro entre os dedos e acho lindo o fio de fumaça branca, elegante e ondulada que escapa da brasa acesa. Mas a brasa, o fio elegante de fumaça e a pose sexy da garota só me atraem mesmo se estivermos em local aberto. Nada mais brochante que tentar enxergar a garota por trás da névoa de fumaça quase sólida de um ambiente fechado. Nada mais terrível que o cheiro de cinzeiro amanhecido quando chegamos da balada. Não odeio cigarros. Mas odeio o fumacê produzido nas pistas mal ventiladas e nos clubes que hoje se tornaram claustros.

Eu cheguei a gastar um capítulo inteiro do meu livro "Balada para as meninas perdidas" discorrendo sobre o mal estar provocado pelo fumacê nas pistas. Mesmo quando era fumante, odiava chegar em casa com aquele cheiro impregnado nos cabelos e na roupa. Depois que parei de fumar, passei a evitar pistas enfumaçadas e percebi que quase não há balada na cidade livre do tabaco ostensivo.

Repito: não odeio cigarro. Mas há algo nessa fumaça compacta com aroma de cinzeiro amanhecido que me faz muito mal. Já perguntei a várias amigas fumantes se esse cheiro as incomoda. Elas responderam que sim, odeiam chegar em casa com essa fragrância peculiar, um misto de cigarro pisado e bituca apagada na cerveja. Nojento.

Mas, então, o que fazer? A lei do Psiu, justificadamente, exige dos clubes um isolamento acústico que acaba vedando o ambiente interno. Mesmo quando há ar condicionado, ele não funciona como exaustor e apenas refrigera o mau cheiro. A solução seria a criação de fumódromos, como já vi em clubes de San Francisco e Nova Iork. Enquanto isso não acontece por aqui, fico torcendo para o bom senso das baladeiras fumantes que poderiam dar uma saidinha para fumar na rua ou em qualquer área externa. O problema é que muitas têm preguiça de sair para fumar, outras até topariam faze-lo mas não podem sair por regras da casa (quando não há áreas externas) e, no final, a inércia vence. Todo mundo fuma porque todo mundo já está fumando mesmo.

Se fosse só uma questão de sensibilidade olfativa eu nem levantaria a questão. Mas o fumacê acumulado nas pistas por horas e noites e meses afeta nossa saúde. Outro dia comentei com a Cilmara que nunca se fumou tanto nas balados como hoje em dia. Ela respondeu: "imagina, a gente fumava muito, mas nem percebia".

Agora Cilmara Bedaque e eu formamos a dupla de DJs "Dos Tortilleras" que só toca no início da balada, antes que o fumacê tome conta da pista. E enquanto não rola um fumódromo consensual, torcemos para que façam mais baladas ao ar livre.

   



LEIA OS COMENTÁRIOS

22/11/2006 16:17:15 - Vernita Green (dicascience69@hotmail.com)
Não sou de baladas, agora. Sou fumante e a fumaça me incomoda, sim. Mesmo em casa. Parabéns por vocês conseguirem largar! É muito difícil... Concordo com o incômodo que a fumaça traz, sobretudo aos não fumantes, que não precisam compartilhar do nosso vício. Aqui no RJ, há uma proibição de fumar em ambientes fechados, com shoppings, teatros e cinemas. Quanto às boates, não sei. Só sei que um pouquinho de decência e respeito é sempre bem vindo. Se der pro povo dar uma saidinha ou ir para uma área externa, fumaceie a vontade. Agora, desculpa de que tá todo mundo fazendo, não cola. Lembra coisas de Brasília e seus cuecões, cocos de cachorro na rua, estacionamento em fila dupla, lixo nas calçadas ...
22/11/2006 14:43:48 - marcos (mareino2003@YAHOO.COM.BR)
Vange, concordo inteiramente com você. Moro em Brasília e aqui, graças a Jah, é proibido fumar em lugares fechados ou com grande circulação de pessoas. Existe uma lei distrital que versa sobre isso e os fiscais fazem seu trabalho direito. Mas o melhor é que as pessoas realmente respitam a lei e não fumam nas baladas. É ótimo! As boates e restaurantes tiveram que dar um jeito e ninguém morreu por isso! bjs
 
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