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Como salvar 10 milhões de vidas (11/11/2006)
Paula Johns

Fonte: Jornal de Piracicaba
Piracicaba, Sábado, 11 de Novembro de 2006

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10 milhões de pessoas –– número próximo ao de habitantes da cidade de São Paulo –– estão condenadas à morte. A sentença será cumprida até 2030. Seu carrasco é o tabagismo, que acomete um terço dos adultos ou 1,2 bilhão de pessoas (volume quase equivalente à população da Índia). No Brasil, a fumaça letal leva à morte 200 mil indivíduos por ano.
O cigarro está relacionado a 50 tipos de doenças. Estima-se, ainda, que 90% dos casos de câncer no pulmão, 85% das outras doenças pulmonares, 45% dos infartos do miocárdio e 30% dos óbitos por câncer generalizado tenham correlação com o tabagismo, que prejudica os viciados, os fumantes passivos, que respiram a fumaça expelida pelos que não respeitam as normas da civilidade, as famílias, a sociedade e os países. O vício é nocivo à economia, especialmente nas áreas de saúde, previdência e assistência social. O prejuízo mundial, no tratamento médico e assistência às vítimas, chega a US$ 200 bilhões. O mais grave é que montante superior à metade desse ônus refere-se aos países em desenvolvimento, com custos do tratamento, perda de produtividade, antecipação de aposentadorias por doenças e invalidez. No Brasil, a despesa inerente a estes itens na atenção aos fumantes é muito maior do que a receita de impostos referente ao cigarro.
A despeito da gravidade do problema, a sociedade não pode cruzar os braços e assistir à perda banal de vidas por motivo tão fútil, embora grave. O vício de fumar, longe do glamour com que foi difundido há alguns anos, é reconhecido como doença crônica. A boa notícia é que, como tal, é passível de prevenção e tratamento. Porém, o binômio informação/vontade não é suficiente para que os fumantes sejam curados, não fazendo frente à epidemia tabagística e à poderosa indústria do tabaco.
A nicotina causa dependência física traduzida por tolerância e síndrome de abstinência. O condicionamento envolvido no ato de fumar leva à necessidade do autoconhecimento e desenvolvimento de atitudes e habilidades direcionadas à mudança de comportamento. A dependência psicológica faz do cigarro um “amigo próximo” e difícil de abandonar, sendo necessárias, via de regra, várias tentativas até que se decrete o fim da “amizade”. Neste caso, vale o velho ditado “antes só do que mal acompanhado”.
Os fumantes encontram-se sozinhos na maioria das vezes em que precisam ser motivados. Pensam, preparam-se, tentam, param, recaem, decepcionam-se e desistem de parar. Isto, em média, ocorre cinco vezes na vida... quando, enfim, chegam a obter sucesso. Setenta e cinco por cento deles querem parar de fumar, mas apenas 2,5% ao ano conseguem livrar-se definitivamente do tabaco, o que geralmente ocorre a partir da quinta década de vida (quando já se fumou em média 30 anos).
Vários estudos comprovam que o acompanhamento realizado por profissionais de saúde capacitados e interessados, associado à terapia medicamentosa, eleva a taxa de cessação de 2,5% para até 30% ao ano. Porém, mesmo uma abordagem de poucos minutos numa consulta, sem o uso de medicação, pode duplicar ou triplicar as chances de parar de fumar (atingindo 5% a 7,5% ao ano). Há provas de que quanto mais intensa a intervenção para o fim do vício, melhor a resposta: todas as oportunidades devem ser aproveitadas. A repetição faz-se necessária e o desânimo é inimigo do sucesso.
Ajudar uma pessoa a parar de fumar, além de ser a intervenção com a melhor relação custo-benefício para um sistema de saúde, é muito gratificante. Assim, é imprescindível que todos os profissionais de saúde que tenham contato com fumantes incluam, dentre suas prioridades, o apoio no sentido de que se livrem do vício. No âmbito familiar também é decisivo o estímulo à cura dos tabagistas, valorizando-se a vida e a saúde. Enfim, é fundamental a atenção aos viciados. Trata-se da única forma de se reverter a sentença de morte de 10 milhões de seres humanos.

Mônica Mendonça Lima é médica e gerente de promoção à saúde da Intersaúde

 
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