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Estudo mostra que cigarro faz mal em qualquer quantidade (12/2/2007)
Paula Johns

Estudo mostra que cigarro faz mal em qualquer quantidade 

Por Giuliana Reginatto São Paulo, 08 (AE) - 

A onda antitabagista que vem tomando conta dos profissionais da saúde já conseguiu provar quase tudo contra o cigarro: que fumantes morrem mais cedo, que fumar acelera a deterioração cerebral, que o risco de ficar cego é maior entre fumantes, entre outros problemas. Para quem ainda não estava convencido do estrago provocado pela nicotina - e até arriscava um cigarrinho eventualmente - a revista especializada "Tobacco Control" traz um argumento de peso: de acordo com a publicação, reduzir o consumo de cigarro não ajuda a diminuir o risco de morte prematura.

Segundo o cientista australiano Kjelll Bjartveit, há evidências de que fumar de um a quatro cigarros por dia já é o suficiente para aumentar muito o risco de morte por doença cardíaca. "Há só uma saída segura: abandonar totalmente o fumo. A recomendação de fumar menos pode oferecer às pessoas falsas expectativas", diz.

Para elaborar sua tese, o australiano monitorou por vinte anos cerca de 51 mil homens e mulheres - todos com idade entre 20 e 34 anos. Os voluntários foram classificados em grupos: não-fumantes, fumantes moderados (até 14 cigarros por dia), fumantes de consumo intenso e pessoas que fumavam mais de 15 cigarros por dia no início da pesquisa mas reduziram a quantidade pela metade na etapa final. Em uma primeira análise, o cientista constatou que a taxa de mortalidade era ligeiramente menor entre homens que haviam reduzido o consumo de cigarros em comparação aos fumantes radicais. Passados 15 anos de consumo, porém, a taxa de mortalidade nos dois grupos passou a ser praticamente a mesma.

Oncologista e conselheira da Aliança Contra o Tabaco, a brasileira Nise Yamaguchi faz ressalvas quanto ao estudo australiano. "O profissional analisou pacientes muito jovens. O ideal seria observar esses mesmos grupos dentro de 15 anos. Na idade em que estão, os danos provocados pelo cigarro ainda não são tão evidentes", diz ela. Especialista no assunto, Nise recomenda que o estudo australiano seja interpretado com cuidado. "Alguma ONG pode dizer: ‘viu, é preciso parar de fumar’. Enquanto isso, algum fabricante pode argumentar: ‘se não adianta diminuir e você vai morrer do mesmo jeito, que se fume o maço todo’. Essa pesquisa não traz todas as repostas." A polêmica em torno do cigarro é tão farta quanto o número de estudos sobre ele. Amplamente divulgada no meio científico, uma pesquisa inglesa provou que após dez anos de abstinência o pulmão se recupera quase plenamente dos danos sofridos. "Sabe-se que ficar dois anos sem fumar provoca sensível diminuição das toxinas no corpo. Mesmo assim, vale pontuar que fumar encurta em dez anos a sobrevida média. E mais: cerca de 50% dos fumantes vai morrer por alguma causa relacionada ao cigarro", diz Nise. A brasileira ressalta que hoje já se pesquisa a influência das variações genéticas individuais no impacto que a nicotina produz no corpo. "Há pessoas que fumam muito mas eliminam as toxinas rapidamente. Outras, porém, fumam menos mas não conseguem eliminá-las com tanta facilidade, sendo por isso mais prejudicadas", explica. 

Para Nise, o principal desafio do Brasil é conter o fumo entre os mais novos. "O jovem funciona como reposição no mercado, fazendo crescer o índice de fumantes do País. Entre 22% e 25% da população fuma no Brasil. A quantidade é menor do que na China ou Japão, onde metade dos adultos fuma. Mesmo assim, não se deve subestimar o cigarro. Ele tem adição química, ou seja, uma capacidade de provocar dependência, de 90%. Isso é muito quando comparado ao álcool, por exemplo, que tem índice de 10%. Não é à toa que, segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é mesmo uma doença. E com potencial para desencadear 50 outras", conclui. 

CAFEZINHO E CIGARRO Cigarro e cafezinho são uma dupla tão tradicional quanto explosiva. Essa é a conclusão de um estudo publicado pela revista "Journal of the American College of Cardiology". Segundo o cientista grego Chararalambos Vlachopoulos, cafeína e nicotina são mais nocivas quando ingeridas combinadas. Após analisar o efeito da dupla em 184 pessoas, ele concluiu que a junção das substâncias pode atrapalhar o fluxo de sangue, facilitando a ocorrência de doenças cardiovasculares. A Associação Britânica de Café contestou o estudo argumentando que o nível de café testado (duas a três xícaras por cigarro) é excessivo para o padrão inglês. No Brasil, onde o cafezinho é mais popular, a pesquisa merece mais atenção. Vale pontuar que Embrapa e Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (Incor) já firmaram um projeto de pesquisa para estudar a relação entre café e doenças cardíacas.
 
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