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Brasil propõe redução do plantio (22/2/2007)
Paula Johns

Fonte: http://www.jcam.com.br/materia.php?idMateria=45279&idCaderno=10

Publicação JC

O MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) apresentará no próximo dia 28, em Brasília, durante o Seminário Internacional para Diversificação Produtiva do Fumo, a proposta brasileira para inserir aos poucos outras culturas nas áreas atualmente ocupadas com tabaco.

Adoniram Sanches Peraci, secretário de Agricultura Familiar do MDA, informa que o documento é resultado do 1º Seminário Nacional sobre o Programa Nacional de Diversificação Produtiva e a Convenção-Quadro, realizado este mês em Porto Alegre (RS). Desse encontro, participaram ministérios que integram a Coniq (Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro), organizações da agricultura familiar, movimentos sociais, associações de trabalhadores rurais, pastorais da terra, prefeituras e órgãos de extensão rural. Segundo Peraci, a tendência mundial é de que nos próximos anos o consumo de fumo caia em todo o mundo. 

Países como Canadá, França, Argentina, Estados Unidos e Brasil, entre outros, adotaram medidas que vão desde a proibição de fumar em lugares públicos até o aumento dos impostos sobre o cigarro e campanhas publicitárias antitabagistas. "Em dois anos, a população consumidora de tabaco passou de 39% para 19%" no Brasil", informou. Se por um lado o consumo caiu, a produção do fumo aumentou e o Brasil figura atualmente entre os três maiores produtores de tabaco no mundo, ao lado de China e Índia. 

A região brasileira de maior produção é a Sul. Nela, 200 mil famílias de agricultores familiares respondem por 98% da produção de todo o país. A monocultura do fumo e a dependência financeira das famílias em torno dessa atividade despertaram preocupação no governo brasileiro, que optou por reunir o setor produtivo para discutir alternativas de produção. "Já temos 47 projetos desenvolvidos em parceria com universidades federais, como as de Santa Maria e de Santa Cruz do Sul, entidades de extensão rural e federações de agricultura", disse Peraci. 

Investimento na diversificação

O resultado são propostas de plantio, na região Sul, das mais diferentes culturas. Entre elas, flores, frutas temporárias e plantas medicinais. Há até a proposta de introdução de leite orgânico entre as atividades produtivas. Até o final deste ano, todas essas experiências serão contratadas pelo MDA, totalizando um investimento de R$ 5 milhões. O MDA e o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) estão investindo R$ 10 milhões no programa de diversificação produtiva em regiões produtoras de tabaco. 

O Seminário Internacional para Diversificação Produtiva do Fumo será a oportunidade para que todos os países que assinaram a Convenção-Quadro apresentem, em forma de documentos, seus programas e propostas para a redução do consumo do tabaco no mundo.

São 10 mil mortes ao dia, aponta OMS

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), as mortes relacionadas ao tabaco já ultrapassam 10 mil por dia, em todo o planeta No Brasil, são muitos os fatores que favorecem o tabagismo, como o reduzido custo do cigarro (aliás, um dos mais baixos do mundo), o difícil acesso a informações seguras sobre os malefícios do cigarro, entre outros. 

Mais um complicador é a postura agressiva da indústria do tabaco, que investe alto em promoção e propaganda, aumentando, assim, o número de consumidores. Seus alvos principais são jovens e adolescentes. 

O Estudo Global do Tabagismo entre os Jovens, realizado pela OMS em 46 países, aponta a incidência entre esse público. Em muitos países, crianças de 10 anos já são viciadas em tabaco. Em 2002 e 2003, no Brasil, segundo a mesma pesquisa, a prevalência de experimentação entre estudantes de 12 capitais, ficou entre 36% e 58%, no sexo masculino, e 31% e 55% no sexo feminino. 

Esses dados servem para comprovar a magnitude do fumo como doença social, cujo impacto é ainda mais expressivo nas regiões em desenvolvimento. "O combate ao tabagismo é relevante individualmente, para a saúde do cidadão e também coletivamente, pois é importantíssimo para diminuir os elevados custos sociais e financeiros relacionados a esse vício, e que tendem a crescer nos próximos anos", ponderou a médica Nise Yamaguchi, diretora do IAM (Instituto Avanços em Medicina) e presidente da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos. 

A OMS considera o fumo a principal causa de morte evitável no mundo. Só no Brasil são 200 mil vítimas fatais por ano. Com a tendência de aumento no consumo ainda observada na maioria dos países subdesenvolvidos, estima-se que, até 2030, o número de falecimentos anuais deverá atingir 10 milhões em todo o planeta. Apesar disso, um terço da população mundial adulta é fumante, o que equivale a 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres).
 
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