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O tabagismoé a maior causa isolada evitável de doença e/ou morte prematura (17/11/2005)
ACTBR

Considerando que nos expomos diariamente a grandes riscos para desenvolver atividades habituais, acrescente a nossas vidas fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão, tabagismo, sedentarismo, diabete, stress, obesidade e níveis de colesterol elevados, e estaremos reduzindo rapidamente nossa existência. Esses fatores são considerados removíveis, já que podem ser facilmente controlados. No entanto, alguns de nós ainda têm de conviver com atributos que não conseguimos modificar, como a idade, o sexo e a herança genética.

A doença das artérias coronárias é cerca de quatro vezes mais freqüente nos homens do que nas mulheres até os 50 anos devido possivelmente a uma ação hormonal que as protege até a menopausa. A partir de então, sua incidência tende a se igualar. Dessa forma, se você tem mais de 40 anos e pertence ao sexo masculino ou feminino com mais de 50 já deve considerar a realização de exames periódicos. Reforça-se ainda esta indicação se você possui história familiar de cardiopatias, já que a presença de um ou mais parentes de primeiro grau com doença das artérias coronárias aumenta os riscos de ter a doença em 10% a 15%, chegando a 55% para a existência de dois ou mais parentes de primeiro grau.

O tabagismo está relacionado a 56 doenças catalogadas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é a maior causa isolada evitável de doença e/ou morte prematura. O risco de doença das artérias coronárias é de três a quatro vezes maior no fumante e guarda relação com o número de cigarros consumidos e com a sensibilidade a seus efeitos, variável difícil de ser mensurada. Nos pacientes que já apresentaram algum evento cardiovascular, o cigarro pode aumentar a mortalidade em 50%. Porém, os benefícios de largar o cigarro são sentidos apenas 20 minutos após sua interrupção, como retorno da pressão arterial e da pulsação ao normal. E o sedentarismo também aumenta o risco de enfermidades cardíacas. O exercício físico regular, ao contrário, reduz a incidência da doença arterial coronária em até oito vezes em relação aos indivíduos inativos.

Evidências epidemiológicas estabelecem uma íntima relação entre a hipertensão e a doença das artérias coronárias. Níveis de pressão elevados explicam 25% das mortes por infarto e 40% dos óbitos por acidente vascular cerebral. Dessa forma, o grau de tolerância sua e a de seu médico com esta condição deve ser reavaliado. Desculpe a falta de sutileza, mas você é obeso se tem um índice de massa corpórea (calcula-se dividindo-se o peso pela altura ao quadrado) maior ou igual a 30. Desta maneira, você dá um grande passo em direção contrária à sua saúde. O acúmulo de gordura no abdome parece ser ainda pior. Esse diagnóstico é estabelecido pela medição da relação cintura/quadril, em que os valores devem ser menores que 0,8 para as mulheres e 0,9 para os homens. A idéia aqui é comer menos para comer mais tempo.

Inequivocamente o colesterol elevado participa de forma ativa da doença coronária, e seus níveis guardam uma relação direta com a sua incidência. Desse modo, o risco de surgimento da doença é duplicado quando o nível de colesterol total varia de 200 para 250 mg/dl e quadruplicado quando atinge 300 mg/dl, da mesma forma que reduções de 1% desse valor representam diminuição de cerca de 3% no risco de se apresentar doença coronária. Uma grande importância é atribuída ao LDL, o chamado mau colesterol. Seus valores desejados variam de acordo com a quantidade dos fatores de risco presentes.

Como se não fosse suficiente, a presença da diabete aumenta o risco de doenças coronárias de duas a quatro vezes. Adicione a tudo isso uma pitada de stress e nossa receita estará completa. A má notícia, entretanto, ainda está por vir. Esses fatores usualmente têm um peso de influência diferente para cada indivíduo e, embora tenham mais força associados, isoladamente podem ser responsáveis pelo aparecimento da doença. Isso torna o controle do que é possível fundamental, já que navegar não é preciso, mas viver...

Dante Senra, cardiologista do Hospital Albert Einstein (SP), chefe da UTI do Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo e doutor em medicina pela Universidade de São Paulo

REVISTA ISTO E

 
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