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EMPRESA-CIDADÃ (1/12/2005)
ACTBR

Fonte: Monitor Mercantil

24.11.2005
ANO 05
Nº 45
 
EMPRESA-CIDADÃ

Paulo-Márcio de Mello*
Esperar da responsabilidade social mais do que ela pode oferecer é iludir a si próprio. Esperar menos é iludir ao próximo.
u Conceito difundido há pouco tempo, a responsabilidade social é um entendimento em construção e ainda sujeito às mãos de diferentes mestres-de-obras. Ainda que não esteja acabada, a sua definição não pode prescindir de um entendimento básico, o da relação indissociável com a ética.
u A ética, presente nos processos e nos produtos de uma organização, segundo a capacidade deles contribuírem para o bem comum, levou o Mahatma Gandhi a afirmar que "a produção mundial de armas deve ser limitada como a droga, pois as armas são provavelmente responsáveis por mais infelicidade no mundo do que a droga".
u Mesmo que às vezes interesses poderosos precisem ser contrariados, há pessoas e organizações que lutam para a preservação da responsabilidade social como um conceito íntegro, que preserve o seu conteúdo ético, sobretudo.
u Uma destas organizações, a Rede Tabaco Zero, constituída por entidades e por pessoas empenhadas em coibir a expansão da epidemia do tabagismo, está lançando hoje o dossiê "Responsabilidade Social Empresarial: a nova face da indústria do tabaco".
u O documento, produzido através de entrevistas e pesquisas, feitas em 2004 e 2005, analisa a relação entre a responsabilidade social empresarial e a indústria do tabaco. O dossiê foi realizado pela socióloga Paula Johns, coordenadora da Rede Tabaco Zero e pela jornalista Anna Claudia Monteiro. Elas concluem que a indústria do tabaco não é e não tem legitimidade ética e moral para ser uma empresa socialmente responsável mas vem sendo muito hábil em se apropriar do conceito para recuperar sua imagem, prejudicada, sobreviver e para se posicionar como um ator social legítimo.
u Por sua vez, alguns dos institutos de referência no tema contribuem para banalizar o conceito de responsabilidade social, fazendo com que uma importante ferramenta de transformação social perca seu principal capital, que é a força da crítica para quebrar padrões historicamente construídos.
u De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o tabagismo mata 5 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 200 mil no Brasil. No século XX, o número de mortes foi de 100 milhões de pessoas e as estimativas para o século XXI apontam para o número estrondoso de 1 bilhão de mortes. O Banco Mundial reconhece que as perdas associadas à produção e ao consumo do tabaco são da ordem de 200 bilhões de dólares, por ano, para a economia mundial.
u Ao longo da pesquisa que deu origem ao dossiê, foi identificado um forte litígio. Os milhares de processos que correm contra a indústria do tabaco em todo mundo representam um risco de fato à sustentabilidade desta indústria. Enquanto questões de impacto que o tabaco provoca na sociedade são tratadas em embates judiciais, a indústria investe em ações sociais para se firmar como ator social legitimo. O dossiê foi elaborado com apoio do International Development Research Center e Research for International Tobacco Control, do Canadá, e pode ser lido, na íntegra, em www.tabacozero.net .


Agenda
Será realizada hoje, 24 de novembro, audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, a partir das 10h, no plenário Tiradentes, sobre o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa.
O lançamento do ISE está previsto para dezembro. Entidades como a Sociedade Paulista de Oncologia Clínica, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Rede Tabaco Zero, o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), o Núcleo de Apoio ao Paciente com Câncer (Napacan) e outras contestarão na audiência pública a possibilidade de empresas produtoras de produtos anti-éticos, como tabaco, álcool e armas, participarem do portifólio de apuração do índice. O dossiê Responsabilidade social empresarial: a nova face da indústria do tabaco, produzido pela Rede Tabaco Zero, será lançado na audiência pública.
O ISE está sendo elaborado por um conselho deliberativo composto por nove instituições, entre elas a International Finance Corporation (IFC). O modelo de análise foi preparado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (CES), da Fundação Getúlio Vargas.
O ISE nasceu controvertido. O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) defendia a posição de que empresas de tabaco, álcool e armas não deveriam integrar o índice. Em abril, o conselho decidiu que todas as empresas listadas em bolsa poderão ser avaliadas, não havendo exclusão prévia de nenhuma indústria. O Ibase retirou-se então do conselho.
*Paulo-Márcio de Mello
*Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Endereço Eletrônico: paulomm@alternex.com.br

EMPRESA-CIDADÃ
É uma coluna publicada toda quarta-feira no jornal Monitor Mercantil. www.monitormercantil.com.br
Através dela, são discutidos conceitos relativos à responsabilidade corporativa, apresentados casos de sucesso de empreendedores e empresas-cidadãs e uma agenda de eventos sobre o assunto.


 
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