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Nem campanhas ou filmes antitabagistas, como o documentário “Fumando espero”, impedem o consumo de cigarros por 14,8% dos brasileiros de até 28 anos (21/4/2009)
O Globo - Megazine

Nem campanhas ou filmes antitabagistas, como o documentário “Fumando espero”, impedem o consumo de cigarros por 14,8% dos brasileiros de até 28 anos

 

 

O bonde da turma anti-cigarro é grande e barulhento. Campanhas alertam sobre seus males, leis põem freios nas vendas de maços e filmes desmascaram a indústria do tabaco — no dia 8 de maio, chega às telas o documentário “Fumando espero”, com mais críticas pesadas ao setor. Parece até que, quando alguém vai acender o primeiro cigarro, tem um coro de vozes por trás berrando “NÃÃÃÃÃO!!!”. Só que, mesmo assim, ainda há quem faça pouco caso dos riscos. Segundo o Centro de Apoio ao Tabagista, para cada um dos 550 brasileiros que morrem todos os dias de doenças acarretadas pelo fumo, um adolescente começa a “brincar com fogo”.

 

— Comecei aos 14 anos, meio de onda. Fumava bem pouco, mas, com o tempo, cheguei a dois maços por dia. Tentei parar várias vezes, só que a vida social não deixa. Já fiquei um mês e meio sem cigarros, mas aí você vai num bar e é fumaça para todo lado. Ex-fumante sofre — conta o estudante de cinema Marco Aurélio Távora, de 22 anos. — Todo mundo sabe dos males do fumo. Eu sempre soube. Mas comecei mesmo assim e, hoje, estou habituado. É difícil parar.

 

Para estimular gente como o estudante a largar o vício, muito se trabalha. No fim de março, por exemplo, o governo federal aumentou o imposto sobre o cigarro, e o preço do maço subiu de 20% a 25% (o próprio Marco Aurélio passou de dois maços por dia para “apenas um” depois disso). Já o filme “Fumando espero”, além de depoimentos de médicos, fumantes e ex-fumantes como Ney Latorraca e Du Moscovis, expõe dados interessantes: 90% das pessoas começam a fumar dos 5 aos 19 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

— A indústria tabagista busca novos consumidores. Os jovens ainda associam o ato de fumar com independência. Eles são vítimas. Acham que escolhem fumar, mas, na verdade, são manipulados pela propaganda subliminar da indústria — comenta Adriana Dutra, diretora do filme, que estreia pouco antes do Dia Internacional de Combate ao Fumo (31 de maio). — A geração atual tem bem mais informação sobre cigarro que as anteriores. Mas muitos ainda caem na armadilha.

 

O combate ao tabaco se intensificou nos anos 90, e um de seus marcos no Brasil veio em 2000, quando uma lei federal proibiu a propaganda de cigarros em rádios, TVs e veículos impressos. A força-tarefa vem surtindo efeito. Segundo dados do Ministério da Saúde, o consumo de cigarros entre jovens caiu. Em 1989, 29% dos brasileiros de 18 a 24 anos tinham esse hábito. Em 2008, essa fatia foi para 14,8%. Mas isso não impressiona o médico Alexandre Milagres, coordenador do Centro de Apoio ao Tabagista e do movimento “Fumar pra quê?”.

 

— São 14% de uma população enorme. Para cada brasileiro que morre de cigarro, um adolescente começa a fumar. Eles se acham invulneráveis, não se preocupam porque as doenças enfatizadas pelas campanhas antitabaco estão ligadas a pessoas mais velhas — diz o pneumologista.

 

O estudante de Direito Raphael Santos, de 21 anos, corrobora a tese de Milagres:

 

— Os males do cigarro não são instantâneos. Se eu soubesse que fumar me faria cuspir sangue em minutos, eu nem chegaria perto. Mas não me vejo com 40 anos e ainda com um cigarro na boca.

 

Coordenadora do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Inca, a médica sanitarista Tânia Cavalcanti explica que, quanto mais cedo a pessoa começa a fumar (e a se expor a milhares de substâncias tóxicas e cancerígenas), maior o risco de desenvolver câncer, além de outras doenças.

 

— Um dos primeiros efeitos é a inflamação dos vasos sanguíneos, o que pode provocar trombose, infarto, impotência. Até em fumantes passivos esse tipo de problema já é diagnosticado, imagine só em quem fuma. O risco de câncer sempre existe para os fumantes, não adianta dizer que vai parar daqui a dez anos, por exemplo.

 

Tânia chama a atenção para outra questão, que, segundo ela, a indústria do tabaco descobriu antes mesmo das instituições de saúde: um jovem se vicia com muito mais facilidade que um adulto. Basta um ou dois cigarros para que um adolescente se torne dependente.

 

 

Aluna do ensino médio, Taís, de 16 anos, fuma escondida do pai desde os 12.

 

— Se fumar é errado, então na minha escola só tem malucos. Todo mundo fuma, parece um incêndio — diz ela. — O mundo está todo louco. A violência está por toda parte. Se eu morrer em 20 anos, não vai ser pelo cigarro.

 

Taís não poderia estar mais enganada. Segundo o especialista Cláudio Zarur, chefe da área de pneumologia da Santa Casa da Misericórdia, os mais novos têm, sim, motivos para se preocupar no presente.

 

— Para uma pessoa alérgica, o cigarro traz complicações respiratórias imediatas. E o fumo também pode causar infecções repetitivas, bronquite, asma... — explica Zarur. — E não é só quem fuma a vida inteira que tem chances de desenvolver doenças mais graves no pulmão ou nos rins, por exemplo. É uma questão qualitativa. Em certas pessoas esses problemas podem se desenvolver em menos tempo.

 

Gabriel Carvalho, de 19 anos, acendeu seu primeiro cigarro aos 14 e é o fumante mais novo a falar no documentário “Fumando espero”.

 

— Queria ganhar uma garota e achei que o cigarro ia me dar mais masculinidade. Virou um vício. Mas sou um fumante muito antitabagista. Tenho irmãos de 10 e 15 anos e não quero de maneira alguma vê-los nessa roubada. Espero conseguir parar este ano — desabafa Gabriel.

 
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