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Frutas e leite acirram disputa com o tabaco (7/5/2009)
Gazeta do Povo

Alternativas à produção de tabaco não faltam, mas poucas oferecem renda próxima à do fumo. Três anos depois de o país ter decidido reduzir a fumicultura, a pecuária leiteira e a fruticultura, vocações tradicionais que passam por uma reestruturação, aparecem como as opções mais bem sucedidas. Esse foi o panorama apresentado no principal fórum brasileiro de discussão sobre o assunto – o seminário Diversificação na Agricultura Familiar, que teve a terceira edição encerrada ontem, em Curitiba, com participação de aproximadamente 400 produtores, técnicos e lideranças do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os debates duraram três dias e os produtores deixaram claro que só vão ajudar o país a cumprir a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, ratificada em 2005 pelo Congresso Nacional e que prevê a diminuição gradual do cultivo, se receberem apoio do governo para se sustentarem em outros segmentos. Eles afirmam que arrecadam entre R$ 6 mil e 7 mil por hectare ao ano – três vezes a renda bruta da soja. “Precisamos de garantia de renda mais ou menos igual à do fumo. As outras culturas dão menos lucro e são menos seguras para a pequena e a média propriedade”, disse Gerônimo Tasior, que cultiva 3 hectares de fumo em Teixeira Soares, Centro-Sul do Paraná.

“A fruticultura já consegue superar e o leite tem uma renda bem próxima da oferecida pelo fumo”, sustentou o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini. Ele considera culturas como o pêssego, que rende até R$ 12 mil (5 toneladas de frutas) por hectare, a preços médios de R$ 1,50 o quilo. No leite, o semiconfinamento só não teria superado o resultado financeiro do tabaco porque as exportações não deslancharam e os preços internos, agora em recuperação, caíram pelo excesso de oferta registrado no verão.

Ficou claro no seminário que os fumicultores estão testando todas as possibilidades. Figo, laranja, mandioca, mel e verduras ganham espaço em comunidades que contam com agroindústrias ou escoamento sistematizado. A produção de grãos em pequena escala perde competitividade, mas culturas como o milho ainda têm defensores. “Tratado como reserva biológica, o milho crioulo pode render mais ao pequeno produtor”, disse o pesquisador José Antônio Costabeber, da Emater do Rio Grande do Sul.

O sistema de integração administrado pela indústria do tabaco tem garantias que outros setores não oferecem, argumenta o fumicultor Márcio Gnatkowski, de Irati (Centro-Sul do Paraná), que ampliou sua plantação de 6 para 7,2 hectares nos últimos dois anos. “Se acontece perda total por granizo, por exemplo, o seguro garante uma renda para o produtor, e não só o valor financiado.”

Ele conta que já trabalhou com hortaliças, mas decidiu recuar. “O risco de prejuízo é bem maior e você continua trabalhando com agrotóxicos. Hoje o fumo é muito mais fiscalizado que outros setores em relação à saúde”, compara. Para a expansão da produção de frutas, sugere, é preciso que o poder público implante mais câmaras frias comunitárias e que haja mecanismos para sustentar os preços da entressafra durante o ano todo.

 

 

 

 
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