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Foto chocante no maço deixa 48% dos fumantes mais propensos a deixar o vício (27/5/2009)
G1

Pesquisa que revelou dado foi feita em São Paulo, Rio e Porto Alegre.
Estudioso quer fotos na frente dos maços de cigarro.
Alícia Uchôa Do G1, no Rio

Cinco anos depois que o uso de imagens mostrando os danos causados pelo cigarro nos maços se tornou obrigatório, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) realizou uma pesquisa para analisar o verdadeiro impacto das fotografias em fumantes e não fumantes. Os números mostram que a propaganda aversiva fez com que 48,2% dos fumantes ficassem mais propensos a largar o vício.

A pesquisa, por enquanto, entrevistou 717 pessoas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre -- o objetivo final é entrevistar e acompanhar 1.800 brasileiros. O estudo foi feito em parceria com a Universidade de Waterloo, no Canadá, que aplica a mesma metodologia em países como Reino Unido, Suíça e Austrália, para o Projeto Internacional de Políticas de Controle do Tabaco.
Estudioso quer fotos na frente dos maços
“O Brasil é líder internacional no uso de advertências sanitárias com imagens fortes”, afirma o professor da Universidade de Waterloo, Geoffrey Fong. O pesquisador, no entanto, acredita que o fato de as fotos estarem só no verso faz com que os brasileiros ainda não tenham notado as fotografias tanto quanto poderiam.
"Temos conseguido fazer um contraponto em relação ao que a indústria sempre fez, que era mostrar imagens positivas para passar ideia que o cigarro não fazia mal. Vamos usar imagens fortes e agressivas, que tenham impacto na decisão das pessoas de começarem a fumar e de pararem de fumar", completou o diretor do Inca, Luiz Antonio Santini.

Desde 2004, 19 imagens foram impressas nos maços de cigarros no país. Neste mês, outras dez entraram em vigor e deverão ser avaliadas em 2010. “As fotos foram desenvolvidas por neurobiólogos, que estudam a percepção emocional das pessoas em relação ao tabagismo”, explica Fong.

80% querem deixar de fumar
O resultado do trabalho no Brasil mostra ainda que as imagens e frases impressas impediram que 39,1% dos fumantes pegassem um maço de cigarros quando estavam prestes a fumar. As advertências fizeram 61,6% dos fumantes e 83,2% dos não fumantes pensarem nos danos do tabaco à saúde.

Entre os 17 países onde pesquisas semelhantes já foram feitas, o Brasil aparece no segundo lugar na proporção de fumantes que querem deixar de fumar, com 80%, atrás apenas da Holanda. Segundo o documento, 91,8% dos fumantes afirmaram que, se pudessem voltar atrás, não teriam começado a fumar.

De acordo com o Inca, o Brasil tem hoje 27,5 milhões de fumantes. No mundo todo, o número chega a 1,3 bilhão. A intenção dos pesquisadores é que, a cada mudança na política de controle do tabaco no Brasil, as mesmas pessoas sejam entrevistadas.
 

 
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