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Bares em SP apresentam mesmo nível de CO de ruas movimentadas (25/7/2009)
Jornal Cruzeiro do Sul

http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=20&id=205023

Numa cidade repleta de problemas, como os buracos e as enchentes, é justamente algo intangível o principal motivo de debate nas últimas e nas próximas semanas - a fumaça dos cigarros. Em 11 dias entra em vigor a lei estadual que bane o fumo em locais fechados, uma tentativa de diminuir os efeitos em fumantes passivos. Para tentar atacar este obstáculo, a reportagem percorreu na semana passada 30 espaços de uso coletivo - de fumódromos a danceterias, de bares a prédios símbolo da capital -, para medir os níveis de monóxido de carbono (CO), produto da combustão do cigarro.
A partir das análises, foi possível criar um retrato instantâneo da fumaça em São Paulo. Entre os resultados, há casas noturnas que apresentam níveis de CO idênticos às mais movimentadas vias da capital e bares onde não se vê diferença na incidência do gás, seja em áreas para fumantes ou não. Para medir os níveis de CO na cidade, a reportagem utilizou um detector automático de monóxido de carbono, mesmo aparelho que a Secretaria Estadual de Saúde usa em blitze educativas desde a semana passada.
"A medição desse gás deve ser vista como um indicativo para a existência de outras substâncias nocivas provenientes do cigarro nos locais", afirma a cardiologista Jaqueline Issa, coordenadora do Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração (Incor). "Mesmo que não consiga medir outras substâncias no ambiente, é uma maneira prática de indicar locais onde houve uso prolongado de cigarro." Nas ruas de São Paulo, o nível médio de CO é de 3 ppm (partículas do gás por milhão). Para que haja prejuízo à saúde, segundo o padrão internacional, a concentração do gás deve estar acima de 9 ppm. Exposição a níveis entre 4,5 e 9 ppm de CO, porém, já pode resultar em tosse seca e cansaço a grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas).
Entre os resultados da medição, algumas surpresas. Em bares localizados em duas ruas de alto movimento noturno da capital - a Rua Joaquim Eugênio de Lima, nos Jardins, e a Rua Aspicuelta, na Vila Madalena - verificaram-se resultados semelhantes, embora as características dos estabelecimentos sejam bem diferentes. Na Joaquim Eugênio de Lima, todos os bares já estavam adaptados, com espaço para fumantes restrito às mesas externas. Na Aspicuelta, nenhum havia se adaptado - fumantes e não-fumantes ficavam no mesmo ambiente.
Os níveis de concentração de CO, porém, variaram entre 3 e 6 ppm em todos os locais, na verificação realizada em 13 bares, entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira. "O fato de os índices não serem superiores a 9 (ppm) não quer dizer que os locais estavam limpos, pois outras substâncias estavam presentes nos locais", afirma o médico Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP. "Os resultados são interessantes. O CO atua como traçador dos poluentes não medidos (das 4.700 substâncias do cigarro, 40 são comprovadamente cancerígenas). A primeira conclusão é de que a separação entre áreas de fumantes e não-fumantes não confere proteção aos usuários."
O CO é associado diretamente à ocorrência de doenças cardiovasculares, como enfarte e acidente vascular cerebral (AVC). Das 200 mil mortes por doenças relacionadas ao fumo anualmente no País, 100 mil são causadas justamente por doenças cardiovasculares, segundo o Ministério da Saúde. "O problema é a pessoa que fica exposta todos os dias", afirma Silvia Cury Ismael, do Programa de Controle do Tabagismo do Hospital do Coração (HCor). "Mesmo que o nível estivesse baixo na medição, existe a chance de estar altíssimo em outros momentos. Por isso, a importância da restrição."(AE)
 

 
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