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Projeto de ano novo: parar de fumar (6/1/2006)
ACTBR

Suzy Faria
Fonte: Folha da Regiao - Araçatuba
Quarta-feira - 04/01/2006

Valdivo Pereira

A dependência provocada pela nicotina é tão forte que, às vezes, mais de uma tentativa é necessária contra o vício

Araçatuba - Parar de fumar. Essa é uma das metas traçadas pela professora Darlene Ciciliato Menegassi, 49 anos, para este novo ano. Como ela, muitos que sustentam esse vício também desejam abandoná-lo, porém enfrentam muitos obstáculos até cruzarem a linha de chegada e, finalmente, dizer "consegui". É o que acontece com Darlene.

Fumante há 29 anos por influência do marido, ela bem que tentou parar de fumar em uma época que consumia dois maços de cigarro por dia. "Achei que estava na hora de parar. Em uma semana parei e não sentia falta", relata. A professora ficou sem fumar por dois anos e conta que, nesse período, sua pele ficou mais bonita e se sentia bem mais disposta.

Ao lado dos benefícios, porém, apareceram os efeitos colaterais da ausência de nicotina no organismo. "Ficava ansiosa e só queria comer".

A professora engordou 14 quilos e, como não conseguiu perdê-los, decidiu voltar a fumar há dois meses. "Voltei com o cigarro para ver se perco peso", justifica. Acredita também que a recaída aconteceu quando seu filho mais velho começou a fumar.

Hoje, Darlene fuma cerca de 20 cigarros por dia, mas espera abandonar o vício de vez. O objetivo já tem data marcada para ser concretizado. "Vou esperar passar o verão e parar de novo. Basta querer", garante a professora.

DEPENDÊNCIA - O médico oncologista Francisco Urbano Collado, de Araçatuba, explica que as tentativas de abandonar o vício são constantes na vida de um fumante.

Segundo ele, aqueles que fumam tentam parar de fumar de três a cinco vezes até obterem êxito devido à dependência gerada, principalmente, pela nicotina contida no cigarro.

O especialista em câncer informa que cada cigarro tem entre sete e nove miligramas de nicotina, que é absorvida pelo organismo em dez segundos e ali permanece por até duas horas. "Por isso, a pessoa tende a fumar cada vez mais, o que é desesperador para a saúde", diz Collado.

No organismo, os efeitos do cigarro são devastadores. Doenças cancerígenas, cardiovasculares e pulmonares, como bronquite crônica e enfisema pulmonar, são as conseqüências mais comuns para aqueles que escolhem o cigarro como seu companheiro diário.

Essa "companhia", de acordo com o oncologista, possui mais de quatro mil substâncias altamente perigosas, entre elas o alcatrão e o radioativo polônio.

"A pessoa que fuma 40 cigarros por dia inala em um ano uma quantidade de benzopireno (contido no alcatrão) 20 vezes superior à presente na cidade mais poluída do país e apresenta a mesma radioatividade equivalente a 300 radiografias", alerta.

Os danos à saúde independem do fato de a pessoa tragar ou não. "Os efeitos não são os mesmos quando se traga, mas não estão descartados", afirma Collado.

Ele cita como exemplo os adeptos de charutos e cachimbos, que fumam sem tragar, porém a chance de desenvolverem algum tipo de câncer aumenta 10% em relação aos não fumantes.

A própria fumaça, obtida da combinação de mais de 400 substâncias químicas, já representa perigo até mesmo para os fumantes passivos, aqueles que não fumam mas respiram a fumaça dos cigarros ao seu redor.

BENEFÍCIOS - O mais interessante, porém, é que se o indivíduo conseguir se livrar do vício sua saúde tende a se normalizar com o tempo. "Depois que para de fumar, o ex-fumante se equipara à população que não fuma em até 20 anos", informa Collado. Se abandonar o cigarro por estar sofrendo de câncer ou enfisema pulmonar, por exemplo, o médico garante que as doenças não evoluem sem a sustentação do hábito, podendo até regredir.

De acordo com pesquisa do Inca (Instituto Nacional do Câncer), órgão ligado ao Ministério da Saúde, após 20 minutos sem fumar a pressão sangüínea e a pulsação do ex-fumante voltam ao normal; após 2 horas não apresenta mais nicotina no sangue; após 8 horas o nível de oxigênio no sangue se normaliza; após 2 dias o olfato percebe melhor os cheiros e o paladar degusta melhor a comida; após 3 semanas a respiração fica mais fácil e a circulação melhora e após 5 a 10 anos o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou. "Não existe um paciente que parou de fumar e não afirme que sua vida mudou", diz Collado.

Mas, parar de fumar, exige sacrifício, principalmente nos primeiros dias, considerados os mais difíceis. "Se a pessoa tentar parar de fumar 50% do que consome diariamente já entra no período de abstinência", afirma Collado. A vontade intensa de fumar pode gerar ansiedade, dificuldade de concentração, irritabilidade e depressão.

Para lidar com esses sintomas, o oncologista orienta aqueles que desejam parar de fumar a buscar o acompanhamento e apoio emocional de médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais. Ao abandonar o vício, os fumantes são medicados com antidepressivos. Há também outros produtos indicados em menor escala, como a goma de mascar e os adesivos de nicotina. "A ajuda médica é necessária para a grande maioria. Alguns conseguem sozinhos, em especial aqueles que têm na religião um apoio", acredita o médico.

Evitar o contato com pessoas que fumam, obter informações sobre os malefícios do cigarro para a saúde e muita força de vontade são outras dicas de Collado para aqueles que desejam neste ano se livrar do vício.

DETERMINAÇÃO - O comerciante Osvaldo Chiquito Ortega Júnior, 42, é um dos que não precisou de ajuda médica para abandonar o cigarro, apenas determinação. "Falei para mim mesmo que iria parar de fumar e parei", conta.

Fumante desde os 18 anos, motivado pela necessidade de auto-afirmação e encorajado pelas propagandas, Chiquito diz que decidiu parar de fumar porque não via vantagens em manter o vício. "Perdia muito tempo fumando. Era escravo do cigarro, gastando dinheiro à toa para estragar a minha saúde". O comerciante fumava cerca de 40 cigarros por dia, gastando em média R$ 150 mensais para comprá-los.

Seguir em frente sem esse companheiro não foi fácil. Para driblar a vontade de fumar, Chiquito tomava água. "Nos primeiros 15 dias, meu corpo tremia", relata.

Todos os sintomas, no entanto, logo passaram, segundo ele.

Hoje, depois de quatro anos sem colocar um cigarro na boca, Chiquito diz se sentir outra pessoa. "Meu olfato, meu paladar, meus dentes, tudo melhorou.

Minha disposição é outra", garante. O cheiro, que antes impregnava seu corpo, hoje considera forte demais. "Prefiro não ficar perto de quem fuma."

Para aqueles que querem seguir seu exemplo, Chiquito aconselha: "Não tem remédio para parar de fumar. É questão de consciência".

 
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