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Lei antifumo comemora aniversário com balanço positivo (8/8/2010)
EPTV

http://eptv.globo.com/noticias/NOT,0,0,310010,Lei+antifumo+comemora+aniversario+com+balanco+positivo.aspx

Programa de tabagismo tem procura recorde por pessoas que decidiram largar o vício 
 
 
A lei antifumo completa um ano em vigor neste sábado (7), em todo o Estado de São Paulo, com balanço positivo tanto para empresários como para o setor da saúde e para os não-fumantes, em Campinas. Após o alarde e pessimismo de que a legislação causaria prejuízo a bares, restaurantes, boates e similares na região, a conclusão é unânime: a lei foi um sucesso. Além do aumento no movimento dos estabelecimentos no período, o programa de tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas nunca registrou tanta procura de pessoas que decidiram largar o vício do tabaco.

A mudança de atitude por parte de fumantes e o apoio da população por meio de denúncias foram os principais responsáveis pelo funcionamento da legislação sem problemas até o primeiro aniversário.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a adesão em Campinas foi de 99,8%. Os agentes da Vigilância Sanitária Estadual e do Procon-SP realizaram 21.491 inspeções e aplicaram 45 multas no período. No total do Estado de SP, foram 360.741 inspeções (uma média de 40 por hora) e aplicação de 822 multas, o que representa apenas 0,22% de descumprimento. Do total de multas, 18,5% foram originadas a partir de denúncias recebidas por telefone ou via o portal da lei.

O otimismo é o mesmo por parte de donos de bares. O sócio-proprietário do Sociedade Alternativa, Nilson Jesus Almeida, explica que teve poucos problemas com clientes fumantes. “Todos nós pensamos: é lei, então vamos cumprir”. O estabelecimento possui uma área destinada a fumante e foi alvo de inúmeras fiscalizações da Vigilância Sanitária, mas neste primeiro ano não foi autuado ou multado. Quanto ao movimento, Nilson só tem a comemorar. “Ganhei mais clientes. Tudo mudou para melhor”, conclui.

No City Bar, a situação é a mesma. Reduto tradicional da boemia de Campinas, o local também não teve problemas com a lei antifumo. Depois de um mês de adaptação, o proprietário José dos Santos Antônio, confirma que os clientes se encaixaram às novas regras. “Tive dois problemas com fumantes que estavam na parte externa do bar e entraram fumando para ir ao banheiro, sem apagar o cigarro. Nessas ocasiões, a Vigilância estava realizando a fiscalização e fomos autuados”, explica. “Mas, de uma forma geral, o cliente se adaptou e não houve queda no movimento”, garante o dono do City Bar.
Os funcionários também não tem o que reclamar. O presidente do Sindicado dos Empregados do Setor Hoteleiro, Restaurantes, Bares e Similares, Orides Rodrigues Sousa, explica que o alarde de que um dos piores reflexos da lei antifumo seria a demissão em massa por conta da queda do movimento passou desapercebido no quadro de empregos dos estabelecimentos. “Só esse ano, o movimento aumentou 25%, porque os não fumantes retornaram aos estabelecimentos, e não o processo inverso. Os clientes perceberam que a lei era correta e se conscientizaram”, explica.


Balanço positivo na saúde
O programa de tabagismo da Secretaria de Saúde de Campinas foi um dos beneficiados pela lei. Em um ano, o balanço é positivo, e os campineiros ficaram mais determinados a deixar o vício. O último balanço da Secretaria de Saúde, de 2009, mostra que há 200 mil fumantes na cidade. Do total da população de Campinas, com cerca de um milhão de habitantes, 21% são homens e 15,1% são mulheres. Em 2002, eram 25% do sexo masculino e 21% do sexo feminino.
De acordo com o coordenador do programa, Mário Becker, o número está abaixo da média nacional. Os dados foram coletados pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com a secretaria.

Mário Becker explica que nos primeiros quatro meses da lei antifumo em vigor, a procura foi 50% maior em relação ao mesmo período de 2008: “Os resultados são extraordinários. Os fumantes respeitaram o próximo e a aceitação pelos não-fumantes dos ambientes livres do tabaco foi muito boa. A qualidade do ar dentro dos estabelecimentos está melhor e os garçons agradecem”.

Em Campinas, 22 unidades de saúde participam do programa municipal de tabagismo. Quem quer parar de fumar, entra em uma lista de espera de uma a duas semanas para o primeiro atendimento. Os fumantes participam de reuniões sobre tabagismo semanalmente e, caso necessário, são encaminhados para outras especialidades, como cardiologia e pneumologia. Para o mês de agosto, já está prevista a capacitação de profissionais de outras unidades de saúde do município para oferecer o serviço.

Para mais informações, a Secretaria Municipal de Saúde dispõe do disque-saúde (160) e o serviço de informação da Prefeitura (156). Há ainda a página na Internet do programa.

Mudança de hábito
A advogada Maria Lúcia Mello, de 29 anos, ficou impressionada com a adaptação dos brasileiros em relação à lei antifumo, mesmo fora do País. Ela e mais um grupo de nove amigas viajaram em julho para Buenos Aires, na Argentina. Quatro viajantes são fumantes, e mesmo com o frio, não abandonaram o hábito de sair dos locais fechados, como bares e restaurantes, para fumar. “Eu não sou fumante, mas mesmo assim estava certa de que a lei existia lá também”.
Após alguns dias, Maria Lúcia foi a uma boate da capital argentina com as amigas e ficou incomodada com o cheiro forte de cigarro impregnado nas roupas depois da festa. “Foi só nesse dia que descobri que, mesmo fora do Brasil, as minhas amigas fumantes saiam da balada para fumar. Estávamos tão acostumadas com a lei, que virou um hábito”.

Depois da descoberta, a advogada percebeu que, em todos os locais, os brasileiros respeitavam os não-fumantes, mesmo sem a obrigação imposta pela legislação. “Com a lei, o povo ficou mais educado. Não tenho do que reclamar”, confessa Maria Lúcia.

 

 
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