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Estudo analisa custos de internações no SUS decorrentes do tabaco (17/8/2010)
Escola Nacional de Saúde Pública

Calcular os custos diretos de internações por doenças relacionadas ao tabaco, sob a perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) para três grupos de doenças- câncer, aparelhos circulatório e respiratório - foi o objetivo do estudo elaborado pela pesquisadora da ENSP/Fiocruz Maria Alícia Ugá junto com a pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Márcia Pinto. O trabalho Os custos de doenças tabaco-relacionadas para o Sistema Único de Saúde foi publicado no volume 26, número 6, da revista Cadernos de Saúde Pública da ENSP.

O estudo, realizado com base nas doenças tabaco-relacionadas em 2005, utilizou como bases administrativas os sistemas de informação do SUS e indicadores epidemiológicos, como prevalência e riscos relativos de cada doença analisada. Segundo as autoras, os custos atribuíveis ao tabagismo foram de R$ 338.692.516,02, representando 27,6% dos custos totais dos procedimentos analisados para os três grupos. Se consideradas as internações e procedimentos de quimioterapia pagos para todas as patologias, os custos alcançaram 7,7% dos custos totais. Ainda, 0,9% das despesas com ações e serviços de saúde, financiadas com recursos próprios da esfera federal, pode ser atribuído ao tabagismo em 2005.

Segundo a OMS, o tabagismo é responsável por aproximadamente 5,4 milhões de óbitos anuais. Até 2030, esses números experimentarão um crescimento significativo de 48%, passando para 8 milhões de óbitos, dos quais 80% ocorrerão em países em desenvolvimento. No Brasil, as estimativas são de aproximadamente 200 mil mortes ao ano. Tais números geram uma carga econômica substantiva para as sociedades, caracterizada pelos custos da assistência médica e da perda de produtividade devido à morbidade e à morte prematura.

As autoras optaram por avaliar os custos diretos atribuíveis ao tabagismo, considerando o custo do tratamento das principais doenças tabaco-relacionadas para indivíduos com mais de 35 anos em 2005. Além de examinar os cursos nos grupos de doença câncer, aparelho circulatório e respiratório, o trabalho levou em conta os custos dos procedimentos de quimioterapia decorrentes de neoplasias.

De acordo com os dados coletados, foram realizadas 401.932 e 512.173 internações de mulheres e homens, com 35 anos ou mais, respectivamente, para os três grupos de enfermidades selecionados. Desse total, 144.241 internações (35,9%) do sexo masculino e 138.308 (27%) do feminino foram atribuíveis ao tabagismo. As autoras destacam que os custos totais para os três grupos de enfermidades das internações e procedimentos de quimioterapia alcançaram para o SUS, em 2005, um montante de R$ 338.692.516,02 ou 27,6% de todos os custos do SUS, considerando os indivíduos com 35 anos ou mais para os mesmos três grupos de enfermidades. Na comparação entre os custos totais com os custos tabaco-relacionados, as enfermidades do aparelho respiratório foram responsáveis por 41,2%, enquanto que as neoplasias e as doenças do aparelho circulatório foram 36,3% e 20,2%, respectivamente.

Para Márcia Pinto e María Alícia Uga, os resultados são conservadores para o Brasil e sugerem a necessidade de dar continuidade às pesquisas que mensurem a carga total do tabagismo sob a perspectiva da sociedade. Este estudo foi uma primeira tentativa de estimar custos associados ao tabagismo no Brasil. "Segundo nossas estimativas, o tabagismo foi responsável por 7,7% dos custos de todas as internações e procedimentos de quimioterapia pagos pelo SUS para todas as patologias em 2005. Na análise para as despesas com ações e serviços de saúde da esfera federal, os resultados alcançaram 0,9%. Entretanto, essa participação estimada pode ser considerada como a ponta do iceberg da real carga econômica do tabagismo para o SUS", concluíram.
 

 
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