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Exposição de cigarros é maior perto de escolas, diz Datafolha (20/8/2010)
Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2008201001.htm

Pesquisa mostra que 70% dos pontos de venda de tabaco em SP ficam a até 3 quadras de colégios

Consulta foi encomendada por ONG e aponta que apenas 16% dos locais de venda não estão perto de escolas

Na mesma quadra do Colégio Renascença, em Santa Cecília (centro de SP), dois bares e uma padaria vendem cigarros. Em frente à escola estadual Rodrigues Alves, na avenida Paulista, duas bancas de jornal também.
Na cidade de São Paulo, 70% dos pontos de venda de derivados do tabaco ficam de um a três quarteirões de distância de alguma escola, segundo pesquisa Datafolha encomendada pela Aliança de Controle do Tabagismo- ONG ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde).
Quanto mais perto, mais forte é a exposição da indústria tabagista, com maior visibilidade dos cigarros e de materiais promocionais para adolescentes. A propaganda é visível aos jovens em 66% dos lugares visitados.
Segundo Stella Bialous, pesquisadora brasileira da Universidade da Califórnia, consultora da OMS e presidente do Instituto de Políticas do Tabaco dos EUA, a situação é a mesma na Austrália, nos EUA e no Canadá.
"Vários documentos internos da indústria mostram que, quando há regulamentação de marketing de um lado, os fabricantes investem mais nos pontos de venda."
Para a psicóloga Cristina Perez, do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a pesquisa fundamenta um novo passo na restrição ao cigarro: proibir a exposição dos maços.
No Canadá, eles são guardados em gavetas, longe dos olhos do público. Na Austrália, uma lei criou caixas genéricas para todas as marcas.
No Cratod, o centro de tratamento de dependência química do Estado, 90% dos fumantes em terapia começaram o vício na adolescência.
Proibida desde o ano 2000, a propaganda de cigarro é vetada nos meios de comunicação de massa no país.

Indústria diz mirar só o público adulto

Souza Cruz e Philip Morris afirmam respeitar o perfil do produto, proibido para menores de 18 anos no Brasil

Pesquisa Datafolha também constatou que ponto de venda próximo a escolas recebe mais incentivo das fábricas

Líder do mercado brasileiro, com 250 mil pontos de venda em todo o país, a Souza Cruz diz que "cumpre rigorosamente a lei federal que trata da publicidade de produtos fumígenos, restringindo-a a pôsteres, painéis e cartazes na parte interna dos pontos de venda".
"Da mesma forma, todos os materiais de publicidade são dirigidos aos adultos fumantes de nossas marcas e da concorrência, bem como trazem as frases e imagens de advertência definidas pela legislação vigente", afirma.
"Definitivamente, o negócio da empresa não é persuadir pessoas a fumar, mas oferecer produtos de qualidade para adultos que livremente decidiram fumar", completa a Souza Cruz em nota.
A fabricante Philip Morris afirma que menores de idade não devem fumar.
"Todas as nossas práticas comerciais estão de acordo não somente com a legislação, mas também com nossos padrões e códigos internos de conduta, criados para limitar a exposição de menores aos produtos de tabaco".

INCENTIVO À VENDA
Pesquisa Datafolha constatou que o número de pontos de venda de São Paulo que dizem receber incentivos da indústria tabagista também é maior quando há escolas nas redondezas.
Os lojistas afirmam ganhar mais benefícios (como descontos) para colocar marcas novas de cigarros em local de maior visibilidade e dar treinamento ao vendedores.
"Nunca percebi que é mais fácil comprar o cigarro perto da escola. Comecei a fumar há dois anos por influência dos amigos do grupo", diz Marcos Fernando, 18, aluno de uma escola pública na região da avenida Paulista.
"A primeira coisa que a indústria pensa é em repor a clientela porque sabe que muitos fumantes vão morrer", afirma Stella Martins, médica do Cratod especialista em dependência química.
"O cigarro é misturado à diversão da crianças, que são os doces. No caixa, elas têm a sensação de que aquilo é tão bom quanto o chocolate", diz a publicitária Regina Blessa, especialista em merchandising de pontos de venda.
"Isso gera um contingente enorme de novos fumantes", diz Jussara Fiterman, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia. (VQG)

METODOLOGIA

PESQUISA OUVIU DE BAR A BANCAS

O Datafolha visitou 429 locais, entre bares, bancas de jornal e padarias, de 4 a 10 de maio. A margem de erro é de 5 pontos percentuais. A pesquisa representa todas as regiões da cidade. Foram sorteados 51 pontos, distribuídos conforme a zona da cidade.

Cerco ao cigarro tende a se expandir para ponto de venda

Análise de HÉLIO SCHWARTSMAN, ARTICULISTA DA FOLHA

Há farta literatura mostrando não só que a publicidade de cigarros é mais presente em pontos de venda frequentados por jovens como também que a exposição dos adolescentes a essas mensagens contribui para a decisão de começar a fumar.
Num estudo publicado em 2004 no periódico "Tobacco Control", pesquisadores da Universidade Stanford liderados por Lisa Henriksen visitaram 50 lojas que vendem tabaco na cidade de Tracy, na Califórnia, e contaram itens como anúncios, espaço de exposição do produto e materiais de marketing.
Simultaneamente, entrevistaram alunos da 5ª à 8ª séries para descobrir quais eram os pontos que eles mais frequentavam. As lojas preferidas pelos adolescentes tinham 3,4 vezes mais material promocional de tabaco do que as demais.
Num outro trabalho, que saiu neste ano em "Pediatrics", os mesmos pesquisadores reuniram 1.681 adolescentes entre 11 e 14 anos que jamais haviam fumado e os acompanharam por um período de 30 meses.
Após um ano, 18% dos jovens haviam começado a fumar, mas a incidência era muito maior (29%) entre os que frequentavam pontos de venda pelo menos duas vezes por semana do que entre os que o faziam menos de duas vezes por mês (9%). Associações similares foram observadas após 30 meses.
Os pesquisadores também contaram o número de estímulos publicitários a que os jovens eram submetidos semanalmente, dependendo da assiduidade com que iam às lojas e da quantidade de material de marketing nelas presente.
As chances de ter começado a fumar eram 2,36 vezes maiores no grupo mais exposto à propaganda.
Vários outros estudos de diversos países apontam para conclusões semelhantes.

EMBALAGENS
Outro aspecto da indústria do tabaco que tem atraído a atenção dos pesquisadores são as embalagens. Há trabalhos mostrando que elas são desenhadas especificamente para seduzir os jovens.
A julgar pelo que se pesquisa, as próximas medidas no controle do tabagismo deverão ser o banimento dos cigarros para trás do balcão e a adoção de embalagens genéricas. Em suma, cigarros começarão, enfim, a ser tratados como uma droga.

Companhias querem tornar crianças viciadas em nicotina

Opnião de DRAUZIO VARELLA, COLUNISTA DA FOLHA

Os fabricantes de cigarros são criminosos de longa carreira. Nenhum dos crimes cometidos pelo capitalismo mundial destruiu tantas vidas quanto as estratégias das companhias para convencer crianças a começar a fumar.
Os fabricantes de cigarros não têm o menor escrúpulo, são capazes de tudo.
Usaram atores, compraram médicos, esconderam pesquisas, fizeram comerciais dirigidos aos adolescentes, corromperam políticos e contrataram lobistas.
O objetivo não poderia ser mais explícito: viciar meninas e meninos para torná-los dependentes de nicotina.
Espalharam pontos de vendas coloridos e sedutores junto às escolas e aos locais em que os jovens se reúnem.
Na revista "Exame", a Souza Cruz admite o crime: "temos de inundar o varejo com nossos maços...Os cigarros que saem das fábricas, em Uberlândia e Cachoeirinha abastecem 260 mil pontos de venda em todo o Brasil".
Até quando conviveremos com esse crime continuado?


VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO DE SÃO PAULO
com colaboração de MARIO CESAR CARVALHO

 
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