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Indústria quer manter aditivos que tornam fumo mais atrativo (5/11/2010)
Câmara dos Deputados

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/INDUSTRIA-E-COMERCIO/150977-INDUSTRIA-QUER-MANTER-ADITIVOS-QUE-TORNAM-FUMO-MAIS-ATRATIVO.html

Comentário da AC: A matéria abaixo traz uma manifestação do Deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) , que num discurso na Câmara dos Deputados, usou várias informações inverídicas sobre o tabaco tipo Burley. A questão, como já mostramos anteriormente e no Boletim da ACT, está sendo tratada de forma errada, e com a proximidade da COP 4, no Uruguai, mais desinformações serão divulgadas pela indústria e seus grupos de frente, como a ITGA e outras associações de produtores.

A matéria tambémafirma que o Canadá quer excluir o fumo Burley e, com isso, abalaria o futuro da fumicultura no Brasil. Nada disso faz sentido. O Canadá proíbe, sim, a adição de sabores e aromatizantes aos cigarros. Outros países/estados também o fazem: Austrália, França, Tailândia e Estados Unidos. A Comunidade Europeia deve aplicar a proibição da adição de sabores em seus 27 países.

Alguns pontos chaves que são importantes nessa questão:

• Aromatizantes e outros aditivos são amplamente usados em cigarros e em produtos derivados do tabaco para torná-los mais palatáveis e atrativos, particularmente para os jovens.
• Quanto mais atraentes os produtos do tabaco forem, maior será o número de pessoas dependentes e, assim, finalmente, mais e mais irão morrer por causa das doenças tabaco-relacionadas. Portanto, não há justificativas em se adicionar um aditivo que torne um produto nocivo mais atraente.
• As diretrizes que serão debatidas pelo governo de 171 países na Conferência das Partes, no Uruguai, em novembro, vão recomendar que os Estados membros “proíbam ou restrinjam” a adição de aromatizantes e sabores que melhorem o paladar, que contenham corantes e que criem a falsa impressão de benefício à saúde ou associação com energia e vitalidade.
• Ao contrário do que é divulgado pela indústria, as diretrizes não recomendam a total proibição do tabaco Burley, cultivado mundialmente e geralmente aromatizado durante a produção. As marcas que contém o Burley continuarão a ser comercializadas no mercado, mas com fortes restrições quanto aos aromatizantes.
• O tabaco Burley, por ser curado ao natural, é o que permite com mais facilidade estas adições, por manter intactos os açúcares, que são extraídos em outras variedades de fumos curadas artificialmente em estufas. Mesmo que todos os países signatários do tratado adotem esta determinação, o tabaco Burley continuará sendo utilizado para a mistura de outros aditivos.

Sobre esse tema, acesse nosso fact sheet: http://actbr.org.br/uploads/conteudo/529_aromatizantes_2010.pdf e nosso release: http://actbr.org.br/uploads/conteudo/530_RELEASE_ARTIGOS_9_10.pdf. Também temos um artigo sobre o assunto: http://actbr.org.br/uploads/conteudo/471_artigo_fumicultura_160610.pdf

Agora, leia a notícia.


Indústria quer manter aditivos que tornam fumo mais atrativo
Deputado da Frente da Agropecuária afirma que proibição prejudicará fumicultores, mas médicos ressaltam risco que o açúcar no cigarro causa à saúde. O assunto será discutido no Uruguai ainda neste mês.
Arquivo - Laycer Tomaz

Heinze: proibição prejudicará diretamente 50 mil produtores de fumo burley.

Parlamentares ligados aos fumicultores e à indústria do fumo se mobilizam para impedir a proibição de adição de alguns produtos aos cigarros, entre eles o açúcar e a amônia.

Esses produtos são utilizados pelos fabricantes para tornar o cigarro mais atrativo e menos irritante aos fumantes. Os médicos, no entanto, alertam para os perigos desses aditivos.

O Canadá está pressionando os participantes da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 4) a impor limites. A conferência será realizada de 15 a 20 de novembro, em Punta del Este, no Uruguai.

Sem prejuízos
O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, espera que os representantes do governo brasileiro na conferência levem ao encontro uma posição oficial que não prejudique os fumicultores.

"Estamos trabalhando junto ao Ministério da Agricultura, que já é favorável à nossa posição, ao Ministério das Relações Exteriores e à Casa Civil, porque existe a contrariedade do Ministério da Saúde e do Ministério do Desenvolvimento Agrário", explica o parlamentar.
De acordo com Heinze, a proibição da adição de substâncias ao cigarro prejudicará diretamente 50 mil produtores do fumo tipo burley do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Santa Catarina, e a indústria fumageira nesses estados.

Como o tabaco burley é curado ao ar livre, perde os açúcares naturais. Com isso, a fumaça do cigarro se torna mais irritante e o sabor do tabaco mais forte. Para tornar esse tabaco mais atrativo, é necessário adicionar açúcar.

Substância cancerígena
Entretanto, a médica Tânia Cavalcante, alerta para o perigo do açúcar nos cigarros. Ela atua na coordenação da Secretaria Executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro do Controle do Tabaco - um grupo interministerial.

"O açúcar, quando queimado, se transforma em acetaldeído. E o acetaldeído é uma substância neurotóxica e cancerígena que tem o efeito de aumentar o poder da nicotina de causar a dependência", ressalta.
Segundo a médica, essa atuação nociva está descrita em vários estudos científicos. "Por isso, países como o Canadá e os Estados Unidos já adotaram medidas para proibir os aditivos nos cigarros."

Desemprego
Em favor dos aditivos, Heinze argumenta ainda que os pequenos produtores de fumo, que plantam em propriedades de até quatro hectares, seriam grandemente prejudicados pela proibição.

Mas, segundo a médica Tânia Cavalcante, depois de diversos estudos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial declaram que o nível de emprego na produção do tabaco não é afetado, nem a curto, nem a médio prazo, por programas de controle do tabaco.

A longo prazo, a Convenção-Quadro recomenda que fontes alternativas de emprego devem ser previstas para compensar uma eventual queda de emprego nas lavouras de fumo. A Convenção foi proposta pela OMS e ratificada pelo Brasil em 2006. É o primeiro tratado internacional sobre saúde pública já feito no mundo.
Reportagem - Renata Tôrres / Rádio Câmara
Edição - Natalia Doederlein
 

 
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