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Fumaça de cigarro na mesa do bar (2/11/2010)
Jornal Campus - UnB

Até jovens que nunca fumaram são convencidos pelos vendedores a
experimentar produto pela primeira vez.

Por Juliana Contaifer

Fumar sempre foi símbolo de liberdade e independência. O Brasil que o diga. O maior exportador de tabaco do mundo ostenta no Brasão da República, desde 1889, a importância cultural e econômica da planta. A folha de fumo está ao lado daquela de café, outro ícone da exportação brasileira, provando que o tabaco continua presente na vida nacional. E não só entre adultos.

Uma ação judicial movida por estados norte-americanos  contra as companhias multinacionais do tabaco obrigou-as a entregar documentos internos que deixavam explícito o interesse das empresas nos jovens. “Eles representam o negócio de cigarros amanhã”,  escreveu J. W. Hind, da RJ Reynolds Tobacco, em memorando interno de 1975. Em 1957, um executivo da Phillip Morris afrmava que “atingir os jovens pode ser mais efciente, mesmo que o custo para atingi-los seja maior”.

Ele dizia que esse público estava desejando experimentar o tabaco e seria mais leal à primeira marca que consumisse.

Os modelos bonitos e bem vestidos que passam pelos baresde Brasília são óti mos meios para difundir a ideia. O roteiro dos vendedores é passar de mesa em mesa perguntando quem é maior de idade e fumante, para depois fazer uma pequena publicidade e vender maços pra quem quiser. “Já comprei, sim. Eles pedem algumas informações, como nome e carteira de identidade”, relata o universitário Pedro Alves, de 21 anos, frequentador do Mont Sion, na 209 Norte. Há quem se incomode. É o caso de outro cliente do bar, o estudante Rubens Almeida, 21. “Nunca comprei deles. Acho bem chato esse pessoal nos abordando na mesa.”

A abordagem infuencia até quem não fuma. O ambiente propício. Os bares da cidade abrigam centenas de universitários e até estudantes menores de idade, alguns alcoolizados, que perdem o discernimento e fumam sem se importar com o ato. “Tem gente que só fuma quando está bêbada”, relata Aline Barbosa, 19. A estudante de Engenharia Elétrica está  convencida de que a publicidade dos vendedores tenta atrair público jovem: “Claro, eles estão no Por do Sol (na 408 Nort
Só tem jovem aqui, e todo mundo bêbado. É o lugar perfeito Também universitária, Renata Martins, 21, conta que já foi infuenciada: “Não sou fumante, mas já tinha bebido demais vieram até minha mesa perguntar se eu fumava. O cigarro estava ali, à minha disposição. Sempre tive curiosidade e resolvo comprar”.

Os vendedores, estilosos e sociáveis, aparecem de repente nas mesas. “Com certeza, ajuda o fato de eles serem bonitos. Você já está meio bêbada, daí surge um cara lindo do seu  lado perguntando se você é fumante. A maioria das pessoas responde que sim, é um  pretexto para puxar assunto”, explica Alessandra Azevedo, 19,  estudante de cursinho.

A ação não incomoda os donos de bares. “Não vendo cigarrro, então pra mim tanto faz”, afrma Adriano Amorim, dono  do Vale da Lua, também na 408 Norte “Também vendemos cigarro, mas não vejo como concorrência”, conta Renato de Souza, gerente do Chiquita Bacana, na 209 Sul. “São pessoas bonitas, é bom pra quem vê o bar.”

 
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