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Número de fumantes nas empresas volta a crescer (23/1/2011)
Folha de S. Paulo

Economia aquecida leva à contratação de grupo com maior índice de tabagistas

MARCOS DE VASCONCELLOS
DE SÃO PAULO

Pela primeira vez em sete anos, o número de trabalhadores fumantes aumentou nas empresas brasileiras.

Em 2010, eles representavam 9,5% dos funcionários -em 2009, eram 8,1%, segundo levantamento realizado pela seguradora SulAmérica Seguros com 74 mil trabalhadores em todo o país.

Apesar de baixo, o incremento sinaliza uma mudança de tendência. De 2004 a 2009, a pesquisa registrou somente quedas na taxa de fumantes das empresas.

Para o diretor de saúde da seguradora, Roberto Galfi, o aumento se deve à economia aquecida, que permitiu a formalização e a maior contratação de trabalhadores com perfil diferente -com menos escolaridade e de classes mais pobres, grupos que concentram mais fumantes.

Segundo o Ministério da Saúde, a maior parcela de fumantes da população brasileira (19,3%) tem de zero a oito anos de estudo.
Fumante, a produtora de eventos Camila Souza, 27, teve o seu primeiro emprego formal em 2010. "Se eu pudesse fumar na minha mesa, fumaria o dia inteiro", reclama ela, sobre a Lei Antifumo de São Paulo, que proíbe o tabagismo dentro de empresas desde 2009.

Tendência é oferecer tratamento

Programa gratuito de combate ao tabagismo é diferencial de empresas, dizem especialistas

DE SÃO PAULO

Para reduzir o tabagismo entre seus funcionários, a tendência é que as empresas ofereçam tratamentos para eles deixarem o cigarro, afirmam especialistas consultados pela Folha.

Um dos estímulos para isso é um novo padrão do selo "Ambiente Livre do Tabaco". Antes concedido às empresas que banissem o fumo em suas instalações, ele perdeu a função em São Paulo em 2009, quando a Lei Antifumo vetou inclusive fumódromos nas corporações.

Agora, o Cepalt (Comitê Estadual para Promoção de Ambientes Livres de Tabaco), idealizador da iniciativa e composto por Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, associações de classe, universidades e organizações da sociedade civil, deve se reunir em fevereiro para discutir alterações na ação. "[O selo] já não tem o valor de antes. Se o mantivermos, será como incentivo a um diferencial, com ações [corporativas] que vão além da lei", afirma a vice-presidente da ACT (Associação de Combate ao Tabagismo, integrante do Cepalt), Mônica Andreis.

Quem tem se destacado no cenário de combate ao tabagismo, completa ela, são as empresas que não apenas estimulam seus funcionários a largar o vício mas também que os auxiliam a fazê-lo.

CUIDADOS
Para a especialista em gestão da qualidade de vida no trabalho Ana Cristina Limongi-França, professora da USP (Universidade de São Paulo), a atenção aos trabalhadores, inclusive no que tange ao tabagismo, é parte da obrigação das corporações.

"Quando se contrata um funcionário, contrata-se o pacote inteiro. Se contratou, tem de cuidar", considera.

É o que faz o Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola). Desde 2009, a instituição desenvolve um programa interno de saúde para permitir que seus funcionários abandonem o tabagismo.
São oferecidos gratuitamente consultas com profissionais de saúde, adesivos de nicotina e antidepressivos.

O assistente administrativo Alexsandro Reinaldo, 27, foi um dos que se habilitaram a deixar o tabagismo. Fumante desde os 14 anos, participou da iniciativa em 2010.

"Se eu tivesse de pagar, [o tratamento] ficaria em segundo plano", considera ele, que conseguiu parar de fumar com o programa.
A especialista em qualidade de vida do Ciee, Susana Borges, diz que a intenção é fazer duas campanhas por ano para "não deixar o assunto morrer".(MV)

FOCO

Programas são perenes e gratuitos

Empresas oferecem medicamento, exercícios e assistência à família

DE SÃO PAULO

Os programas antitabagismo tidos como exemplares por especialistas têm algo em comum: nunca param.

Na AES Eletropaulo, a iniciativa, que começou em 2009 e ajudou até agora 113 pessoas a largar o cigarro, segue um ciclo anual, que começa com palestras de conscientização e motivação.
Os interessados em parar de fumar fazem uma avaliação médica para definir as "principais causas do vício" e são encaminhados a profissionais da saúde, que realizam acompanhamento psicológico do paciente e ministram o tratamento medicamentoso. Tudo de graça.

Para o diretor técnico da Seguros Unimed, Alexandre Ruschi, o mais importante é que a empresa ofereça, além de tratamento, oportunidades para que o funcionário consiga mudar seus hábitos.
Para isso, explica ele, é preciso congregar apoios médico e psicoterápico, medicamentos e um conjunto de ações, como exercícios físicos, para que a iniciativa tenha êxito entre os atendidos. É o que a empresa tem feito desde 2008. Até hoje, 16 pessoas pararam de fumar com o auxílio do programa, cujo índice de sucesso é de 66%.

Na Johnson & Johnson, a iniciativa surtiu resultado em 240 das 400 pessoas que se inscreveram desde 2000.
Diferentemente de boa parte dos programas, contudo, o da companhia tem abrangência estendida -inclui também os familiares de funcionários que tenham interesse em largar o cigarro.
Todos os inscritos recebem tratamento médico gratuito da empresa. Os familiares têm de arcar com o custo do medicamento.(MV)

"Foi doloroso nas primeiras semanas", relata ex-fumante

DE SÃO PAULO

Quando Mara Santos tinha 11 anos, colegas do colégio ofereceram o primeiro cigarro que ela tragou na vida.

Depois de 29 anos como fumante contumaz, foi também um colega, dessa vez do trabalho, que fez com que Santos parasse de fumar.

Ela estava de férias quando a empresa em que trabalha, a Johnson & Johnson, lançou um programa para auxiliar os funcionários que quisessem deixar o cigarro.
Um colega, que conhecia a luta de Santos contra o vício -ela já havia tentado parar de fumar oito vezes, por diferentes métodos-, inscreveu-a sem que ela soubesse.
Quando voltou de férias, ela teve a notícia de que estava na primeira turma de tratamento a tabagistas.

"Foi doloroso nas primeiras semanas. Eu sonhava com cigarro", diz a supervisora de treinamento, que está há dez anos sem fumar.
Um dos principais fatores para conseguir largar o cigarro, afirma Santos, foi estar em um grupo de colegas.

"O que me ajudava era a equipe. Éramos 18 fazendo o tratamento, todos no mesmo prédio. Quando batia o desespero, um ligava para o outro e nos encontrávamos."

 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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