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Preocupação com a produtividade faz empresas evitarem a contratação de fumantes (3/2/2011)
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http://extra.globo.com/emprego/preocupacao-com-produtividade-faz-empresas-evitarem-contratacao-de-fumantes-989160.html

Ione Luques
 

RIO — Além dos prejuízos à saúde, o fumo pode ter reflexos também na vida profissional, inclusive na hora da contratação. Estudo realizado pela SulAmérica com cerca de 74 mil funcionários de empresas clientes da seguradora mostra que, de 2006 a 2009, ano de entrada em vigor da lei antifumo em alguns estados, observou-se uma constante redução no número de trabalhadores fumantes. Em 2009, o percentual de homens e mulheres fumantes nessas empresas era de 8,1%, bem inferior aos registrados em anos anteriores: 11% em 2008; 12,6% em 2007; e 13% em 2006.

O quadro, no entanto, apresentou ligeira mudança em 2010, quando o percentual de empregados que apresentavam o vício cresceu para 9,5% — os dados vão até outubro passado. Entre os homens, este índice foi ligeiramente maior (10,4%). Já entre as mulheres, o percentual ficou em 7,8%.

De acordo com Roberto Galfi, diretor de Prestadores e Serviços Médicos da SulAmérica, apesar de baixo, o aumento se deve a uma economia mais aquecida, que permitiu maior contratação e formalização de trabalhadores com um perfil diferente — com menos escolaridade e de classes mais baixas, grupos que tradicionalmente concentram mais fumantes. De acordo com o Ministério da Saúde, a maior parcela de fumantes da população brasileira (20%) tem de zero a oito anos de estudo.

As consultorias de recursos humanos, entretanto, garantem que muitas empresas estão deixando de contratar novos funcionários que sejam fumantes. O principal fator para essa postura é que as organizações estão em busca da redução do absenteísmo e do aumento da produtividade. E, portanto, adotam como norma que, em caso de igualdade de competências entre dois candidatos, ganha a vaga quem não é fumante:

— Os fumantes acabam gerando um custo maior para as empresas, seja pela contagem do tempo de parada para fumar, pela utilização de consultas e exames do plano de saúde ou pelas internações ou cirurgias advindas do tabagismo — afirma o advogado André Aarão, consultor jurídico especializado nas áreas trabalhista e previdenciária.
Coordenadora dos programas de controle do fumo do Hospital do Coração de São Paulo e diretora fundadora do Centro Psicológico de Qualidade de Vida (CPQV), Silvia Cury Ismael cita pesquisa realizada pela Catho em 2009, que demonstra que um fumante pode representar um custo de cerca de R$ 4 mil para a empresa, levando em conta o tempo que ele interrompe o trabalho para fumar, as faltas quando adoece e os dias de afastamento no caso de desenvolver doenças crônicas.

Segundo a médica, nas organizações que participam do programa de controle de fumo do HCor, tem sido observada uma queda no número de fumantes: hoje, o percentual gira em torno de 10% a 15% do total de funcionários. Há 10 anos, esse percentual ultrapassava os 20%, acrescenta Silvia.

Para os especialistas, a queda no número de funcionários que fumam se deve, em parte, à implantação das leis antifumo nos estados. Com a entrada em vigor das novas regras, as empresas se viram obrigadas a extinguir os fumódromos e proibir o cigarro no ambiente de trabalho.
A Nasajon Sistemas, por exemplo, não possui áreas próprias para fumantes e não permite que os funcionários saiam no horário do expediente para fumar. A empresa alega que a ausência desses funcionários causa prejuízos.

— Se o funcionário fuma durante a hora do almoço ou em qualquer horário fora do expediente não interferimos, pois trata-se de uma decisão pessoal — diz Carlos Ferreira, diretor de suporte e RH da empresa.

Ferreira garante que não há discriminação quanto ao fato de o candidato a uma vaga fumar ou não, mas, durante o processo seletivo, pergunta-se se ele é fumante. Assim, as regras da empresa são transmitidas.

— No caso de contratação, cabe ao funcionário decidir se está disposto a segui-las — diz o diretor.

Outro fator importante para a redução de fumantes nas corporações é que, cada vez mais, as empresas estão trabalhando para combater os males que as afligem — entre eles o fumo —, investindo em programas de qualidade de vida para seus funcionários.

— Com campanhas antitabagistas, palestras educativas, terapias e tratamento médico, o profissional ganha em produtividade e qualidade de vida. Já a empresa reduz o nível de absenteísmo, a queda na produtividade e os custos adicionais nos planos de saúde corporativos — ressalta Marshal Raffa, diretor-executivo da Ricardo Xavier Recursos Humanos.

Na Radix, segundo o diretor Luiz Eduardo Rubião, o preconceito aos fumantes fica de fora na hora da contratação, mas a empresa preza pelo bem-estar e pela qualidade de vida dos funcionários:

— Em um processo seletivo, vamos observar o conhecimento técnico do candidato e, principalmente, o gosto pelo trabalho e por desafios. Não importa se ele é fumante ou não. Mas, no dia a dia, estimulamos os funcionários a adotarem um estilo de vida saudável, equilibrando vida profissional e pessoal — afirma, acrescentando que a empresa conta com uma equipe responsável por promover atividades que estimulem a qualidade de vida para os funcionários e familiares, tais como corridas de rua, aulas de natação na praia, ginástica laboral e campeonatos de videogames com simuladores de movimento, entre outras.
 

 
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