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Doença da folha verde do tabaco é relatada pela primeira vez no Brasil (8/2/2011)
Correio do Brasil

http://correiodobrasil.com.br/doenca-da-folha-verde-do-tabaco-e-relatada-pela-primeira-vez-no-brasil/210585/

8/2/2011 14:02, Redação, com Agência Fiocruz de Notícias - do Rio de Janeiro

Em estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, pesquisadores relataram pela primeira vez a ocorrência da doença da folha verde do tabaco no Brasil.

A enfermidade é caracterizada por uma intoxicação aguda de nicotina decorrente da absorção dérmica da substância a partir da folha da tabaco, comumente contraída por agricultores que trabalham no cultivo da planta. O registro foi realizado no Nordeste e os principais sinais e sintomas observados foram tontura, fraqueza, vômito, náusea e cefaleia.

– A incidência e prevalência da doença da folha verde do tabaco tem sido descrita nos Estados Unidos, Índia, Japão, Malásia e Itália. A situação não tem sido reportada em nenhum país na América Latina ou no Brasil, que é o segundo maior produtor de tabaco no mundo, com mais de 190 mil famílias envolvidas em seu cultivo –, explicam os pesquisadores.

A pesquisa, que envolveu trabalhadores de 11 municípios da região de Arapiraca, em Alagoas, identificou 107 casos da doença.

O diagnóstico foi baseado em uma tríade de fatores: histórico de exposição ao cultivo de tabaco, análise clínica e verificação do nível de nicotina na saliva, sangue ou urina. Os resultados apontaram que em 77% dos casos os trabalhadores nunca foram fumantes. Somente 12% dos pacientes afirmaram fumar regularmente.

– Foram associados ao adoecimento ser do sexo masculino, ser não-fumante e ter trabalhado na fase da colheita do tabaco –, acrescentam os estudiosos.

No entanto, eles também indicam que lidar apenas com a folha seca da planta se mostrou um fator de proteção contra a doença.

– Estudos adicionais em outras áreas de cultivo de tabaco serão importantes para um melhor entendimento dos fatores de risco da doença e para a identificação de medidas preventivas adequadas para intervenções efetivas –, comentam os pesquisadores.

– O estudo também chama atenção para a necessidade de incluir na agenda de saúde pública uma alternativa economica e sustantavelmente viável para as famílias que cultivam o tabaco, já que essa atividade é perigosa para a saúde desses trabalhadores.
 

 
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