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Na China, o tabagismo se torna um problema maciço de saúde pública (1/3/2011)
Le Monde

O tabagismo custa caro ao sistema de saúde chinês, e os gastos que ele ocasiona quadruplicaram em menos de dez anos, segundo um estudo conduzido por pesquisadores chineses e americanos e publicado recentemente no site especializado Tobacco Control, editado pelo “British Medical Journal”.

A China, principal produtora e consumidora mundial de tabaco, representa um terço dos fumantes do planeta, ou seja, mais de 300 milhões de pessoas. As doenças provocadas pelo tabaco não param de aumentar nesse país, com os fumantes vendo sua expectativa de vida ser abreviada em quinze anos. O número de casos de câncer de pulmão quadruplicou desde os anos 1980. Segundo o estudo, os custos diretos de saúde associados ao tabagismo aumentaram 154% em 2008 em relação a 2000 na China, sendo que a alta atingiu 376% para os custos indiretos, como a perda de produtividade ou a mortalidade precoce.

Yang Gonghuan, vice-diretor do Centro Chinês de Controle e de Prevenção das Doenças, afirma que “os custos médicos e sociais associados ao tabaco em 2010 ultrapassam em 61,8 bilhões de yuans (R$ 15,6 bilhões) a receita obtida pelo Estado graças à indústria do cigarro”.

A cada ano, mais de um milhão de chineses morrem de doenças associadas ao tabaco. Sem medidas rápidas e eficazes, esse número poderia ainda triplicar daqui a vinte anos, sendo que os gastos médicos continuam a subir em disparada. Segundo o estudo publicado pelo Tobacco Control, 23% dos chineses ainda ignoram que o tabagismo favorece os problemas cardíacos e cânceres.
Em 2005 a China ratificou a convenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate ao tabagismo. Ela deveria aprovar até janeiro uma legislação que proíbe o fumo em lugares públicos fechados.

Até agora, nenhuma lei foi implantada em nível nacional para proteger os 540 milhões de não-fumantes, um terço deles tendo menos de 15 anos. O ministério da Saúde quer instaurar uma proibição geral ao fumo nos espaços de cuidados médicos em 2011, mas será somente uma diretiva sem aspecto legal.

Ademais, o governo não conseguiu frear o consumo de cigarros, que quase quintuplicou em trinta anos. O imposto sobre o tabaco aumentou de 6% para 11% em 2009, mas o preço do cigarro continua baixo: mais da metade dos fumantes paga menos de 5 yuans (R$ 1,50) por maço, em geral cigarros de má qualidade.

A Companhia Nacional de Tabaco da China (CNTC) detém um quase monopólio, com mais de 90% do mercado nacional. É uma empresa do Estado sob tutela do ministério da Indústria... que deveria cuidar também da luta contra o tabagismo. “O ministério tem um papel duplo, como se ele fosse ao mesmo tempo o jogador e o árbitro”, observa Yang. O setor do tabaco representa 7% das receitas do Estado chinês, sendo que 520 mil pessoas trabalham nesse setor: portanto, seu peso econômico continua importante.

O combate ao tabagismo promete ser ainda mais difícil pelo fato de o cigarro ainda estar muito presente na cultura chinesa. As pessoas ainda têm o hábito de dar maços a seus chefes ou a seus amigos em festas tradicionais. E em cerimônias de casamento é costume que a noiva acenda um cigarro para cada um dos convidados homens.

Há anos que a constituição de um sistema de previdência social para o qual todos os chineses contribuiriam faz parte das prioridades governamentais. Os cidadãos seriam levados então a financiar os gastos médicos associados ao tabaco, sejam eles fumantes ou não. “Se medidas drásticas não forem tomadas para controlar o tabagismo, os gastos médicos pesarão muito para os chineses”, alerta Zhi Xiuyi, pesquisador da faculdade de Medicina de Pequim.
Tradução: Lana Lim

 

 
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