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Ataque cada vez mais precoce (1/4/2011)
Correio Braziliense

Pesquisas mostram que cresce o número de mulheres jovens com câncer de mama. Médicos debatem novas terapias e métodos de diagnóstico para enfrentar a doença, que deve matar pelo menos 10 mil este ano

Carlos Tavares
Números do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) sobre câncer de mama no Brasil para o biênio 2010/2011 revelam que, até o fim do ano, deverão ter sido assinados nos hospitais brasileiros cerca de 10 mil atestados de óbito de um contingente de cerca de 50 mil pacientes diagnosticadas com câncer de mama — ou seja, um quinto da população vítima da doença. Como se não bastasse a gravidade desses indicadores, a comunidade médica tem ficado cada vez mais preocupada com a constatação de que o número de casos do mal em mulheres abaixo dos 40 anos vem aumentando significativamente.

No Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, o médico Artur Katz comenta o assunto com preocupação, baseado em sua experiência clínica do dia a dia. “Tenho visto mulheres de 19 anos, 30, 35, em quantidade muito maior, e isso não é normal”, afirma. Ele sustenta que, normalmente, cerca de 70% dos casos ocorrem em pessoas acima dos 65 anos, contra 5% a 10% em mulheres abaixo dos 39. Esses percentuais, no entanto, já não são os mesmos, segundo Katz: “Não temos ainda uma pesquisa definitiva, apenas estudos pontuais sobre o tema, mas o crescimento é um fato”.

Ele descarta que isso ocorra unicamente porque o sistema de diagnósticos tem sido mais precoce ou eficiente. “Acredito que tem a ver com a história da mulher. Antes, no tempo de nossas avós, elas menstruavam mais tarde, tinham filhos mais cedo e em maior quantidade e amamentavam mais.” Ele credita ainda ao tabagismo e a outros fatores exteriores a elevação da incidência de casos em mulheres jovens. No Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, a radiologista Márcia Aracava acompanha o raciocínio do colega.

“Fatores ambientais devem estar provocando esses casos. O que preocupa mais é que esse tipo de câncer é muito mais agressivo em pessoas jovens.”

O médico Ronaldo Correa, do Inca, pede, contudo, cautela quando se fala em aumento de casos nessa faixa etária. “Só se pode confirmar uma estatística dessas se for baseada em registro de câncer de base populacional (RCBP). O que temos são opiniões, estudos sobre o assunto”, pondera, mesmo reconhecendo que há dados concretos apontando nessa direção. A última pesquisa feita pelo Inca, em parceria com o Hospital do Câncer de São Paulo, é de 2005. Na época, registrou-se um crescimento de 17% dos casos de câncer de mama em mulheres abaixo dos 39 anos, três vezes mais que o esperado.

Recentemente, o Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) concluiu pesquisa que endossa a suspeita de Artur Katz: nos últimos três anos, 15% das pacientes têm menos de 45 anos. Foram analisados 2.573 casos.

Guerra celular
Quando se fala em câncer, atualmente, sabe-se que as batalhas serão travadas de forma cada vez mais frequente nos campos da genética e da biologia molecular. “As novas tecnologias melhoraram as perspectivas do diagnóstico precoce e a identificação das mutações cromossômicas. Esse novo arsenal pode nos orientar a entender melhor as neoplasias e a encontrar novos bloqueadores de ação dos oncogenes”, avalia o patologista Carlos Bacchi, o único no Brasil que faz um teste semelhante ao holandês MammaPrint, a mais confiável assinatura genética em exames patológicos.

A versão nacional é o MammaGene (veja infografia), um genérico do norte-americano Oncotype e do teste holandês. “É a mesma coisa, não tem diferença. É importante, porque prediz que um paciente vai ser de baixo ou alto risco num período de 10 anos”, explica o médico, consultor de grandes centros de oncologia. O modelo holandês é anterior ao americano. A diferença entre os dois é que o Oncotype trabalha com a leitura de 21 genes e o MammaPrint com 70. Os dois têm a capacidade de dizer, também, se o paciente deve fazer ou não quimioterapia e acerta o alvo dos prognósticos a uma distância no tempo de até 10 anos. “São exames fundamentais para um grupo de pacientes com a doença no início”, comenta a oncologista Solange Sanches, do A. C. Camargo.

A versão brasileira, porém, não fica atrás das outras, embora apresente o mesmo problema: o preço. Um teste desses não sai por menos de US$ 5 mil. Além do custo dos exames, outro fator complicador é o preço dos medicamentos. Para se ter ideia, um tratamento de um ano com uma droga nova como o herceptin, um poderoso anticorpo monoclonal (feito de RNA, a cópia da célula) que bloqueia a ação do oncogene HER-2, usado contra câncer de mama, não sai por menos de R$ 30 mil.

O herceptin faz parte de uma família de inibidores genéticos que representa o futuro e a possibilidade de o homem derrotar o câncer de mama. Essa guerra já começou há algumas décadas, mas agora ela ganha contornos mais definidos. Além do herceptin, por exemplo, juntam-se à bateria anticâncer da atualidade os inibidores de PRP e o TDM-1. “É preciso ter muito cuidado quando se fala sobre essas drogas para não dar esperanças vãs ao paciente”, adverte Artur Katz, referindo-se ao fato de que elas são benéficas para grupos determinados de pacientes e, às vezes, apenas por determinado

Índice de recorrência
O Mammagene consiste num estudo da expressão de 21 genes, realizado no tecido do tumor. A combinação desses dados (expressão dos 21 genes) permite a elaboração de um “índice de recorrência”. Esse indicador subdivide os casos de câncer de mama em relação ao risco de reaparecimento em três grupos: baixo, moderado e elevado. O teste segue a tendência mundial de individualização do tratamento em oncologia. Para os casos de câncer de mama receptor de estrógeno positivos precoces, a terapia hormonal é a modalidade que apresenta o maior impacto na evolução da doença. Dessa forma, verifica-se que a utilização da quimioterapia pode não trazer o mesmo benefício adicional para todas as pacientes. O índice de recorrência informado pelo Mammagene pode auxiliar na decisão terapêutica de utilizar ou não o tratamento quimioterápico com a terapia hormonal, sem prejuízo para o resultado global do tratamento.

Risco de metástase
O MammaPrint foi criado por médicos holandeses, em 2000, mas só foi reconhecido legalmente em 2006. Tanto ele quanto o Oncotype são o resultado do isolamento de genes comuns aos principais tipos de câncer de mama — entre eles, o carcinoma ductal e o triplo negativo, considerado o mais agressivo. A partir daí, criou-se um banco de dados com informações sobre o comportamento desses genes no desenvolvimento de cada forma de tumor. Comparando as células extraídas numa biópsia com as informações contidas no MammaPrint ou no Oncotype, é possível saber, por exemplo, se a probabilidade de um tumor se transformar em metástase é de 10% ou de 50%.
 

 
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