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Tabagismo: perigo que se espalha no ar (28/4/2011)
Jornal de Barretos

http://www.jornaldebarretos.com.br/novo/2011/04/29639

Ela entra de mansinho pela boca e segue em direção à faringe. Depois, passeia sinuosamente pela laringe e traquéia, onde alcança os brônquios e, finalmente, chega ao seu destino: os pulmões. Este é o caminho que a fumaça do cigarro faz, que pode até parecer inofensivo, como uma aspiração qualquer. Na realidade, em uma simples tragada no cigarro, a pessoa ingere, em segundos, cerca de cinco mil substâncias tóxicas, entre elas o monóxido de carbono, amônia, chumbo, alcatrão, elementos cancerígenos como arsênico e cádmio, e até radioativas, como urânio.

E os efeitos dessa verdadeira bomba de substâncias são extremamente nocivos no corpo humano.

“Na mente do tabagista, o cigarro é algo que proporciona prazer, relaxamento, diminuição da ansiedade, aumento da concentração, redução da fome, sensação de conforto, enfim, efeitos psico-ativos muito favoráveis. Mas tudo isso é causado pelo efeito da nicotina no cérebro”, informa Jaqueline Issa, cardiologista, diretora do PAF – Programa de Assistência ao Fumante e autora da pesquisa da Lei Antifumo em São Paulo. “Na verdade, os efeitos por trás dessa sensação de prazer – produzida artificialmente – são devastadores para a saúde de quem fuma”, pontua.

Primeiramente, é preciso entender como esta dependência acontece. O bem-estar proporcionado pelo cigarro promove o condicionamento do ato de fumar. Em pouco tempo, a nicotina age no cérebro de forma semelhante à cocaína, à heroína e ao álcool, ou seja, como um estimulante. Para se ter uma idéia, cerca de nove segundos após a tragada, a nicotina chega ao cérebro pela corrente sanguínea, acelerando a transmissão dos impulsos nervosos entre os neurônios. Estes liberam, então, substâncias neurotransmissoras (como a dopamina) que produzem as boas sensações. “Como outras drogas, a nicotina cria dependência fisiológica e psicológica. A diferença é que os efeitos malignos do cigarro manifestam-se em longo prazo – cerca de vinte anos após o início do hábito”, explica a especialista.

Com o tempo, a mistura de gases e partículas tóxicas no organismo desencadeia mais de 50 tipos de doenças diferentes. Além de câncer (de pulmão, boca, lábio, língua, faringe, laringe, traquéia, pâncreas, rim, bexiga, estômago, mama etc), problemas cardiovasculares (hipertensão, infarto, arterosclerose, aneurisma), e respiratórios (pneumonia, bronquite, enfisema pulmonar), ainda há o aumento das incidências de derrame cerebral, doença vascular periférica (problemas circulatórios), impotência e morte súbita. A lista de enfermidades é extensa*.
Segundo a doutora Jaqueline Issa, é importante encarar a dependência ao tabagismo como uma doença crônica, a exemplo da hipertensão. “É muita ingenuidade achar que o vício do cigarro é eliminado somente com mudanças no comportamento ou força de vontade. O fato é que se trata de uma doença complexa. Além da mudança comportamental, também é necessário um tratamento que combine terapias, incluindo medicamentos para solucionar os sintomas da abstinência que podem comprometer o sucesso do abandono do vício”, alerta.

Atualmente, o tratamento farmacológico do tabagismo inclui terapias com ou sem a reposição da nicotina, entre elas, a nova geração de medicamentos como Champix (vareniclina), desenvolvida especificamente para tratar a doença. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que fumantes que tentam parar de fumar sem ajuda médica têm menor chance de sucesso (uma média de 5%). E mesmo entre os que conseguem largar o cigarro, apenas de 0,5% a 5% mantêm a abstinência por um ano sem apoio médico. Quanto mais ajuda o fumante recebe para parar de fumar, maiores as chances de sucesso no abandono do vício.

Sendo assim, o acompanhamento médico durante todo o processo é fundamental, uma vez que a cessação do tabagismo pode causar sintomas que podem ser confundidos com os da síndrome de abstinência à nicotina. “O mais importante é que o paciente, uma vez recebendo a prescrição desses medicamentos, fique atento para o aparecimento de qualquer sintoma diferente e que compartilhe com seu médico esses fatos. Isto na verdade, é o que deve ocorrer com qualquer medicamento que o médico prescrever, não só os do tabagismo”, informa Jaqueline.
 

 
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