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Maioria dos brasileiros apoia a proibição de sabores em cigarro (30/5/2011)
Folha de S. Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd3005201101.htm

Maioria dos brasileiros apoia a proibição de sabores em cigarro

Pesquisa Datafolha aponta também que 76% querem cigarros mais caros e fim da publicidade

Vigilância Sanitária estuda proibir aditivos que dão aroma ao fumo; proposta foi alvo de consulta pública

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

A cabeleireira Lara K., 26, diz que não consegue abandonar o cigarro mentolado por uma razão meio infantil """o frescorzinho" que ele provoca na boca. "Já ouvi que cigarro mentolado é mais nocivo, mas não consigo parar. Fazer o quê?"

O desconforto de Lara com a dependência do aroma não é uma exceção. Pesquisa Datafolha feita para a Aliança de Controle do Tabagismo mostra que 75% dos brasileiros aprovam a proibição de aditivos como menta e chocolate em cigarros.

A pesquisa foi feita para aferir quais são as melhores medidas para reduzir o consumo de cigarro entre jovens e adolescentes.
O aumento de imposto para cigarros teve apoio de 76% dos entrevistados, e o fim da publicidade em bares e outros pontos de venda, de 78%.

Os aromas de menta, chocolate e morango são adicionados ao cigarro com um único objetivo, segundo Agenor Álvares, diretor da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária): "Como o tabaco tem um gosto ruim, esses aromas facilitam a iniciação ao cigarro. O aditivo é um truque sujo para conquistar os jovens".

A Souza Cruz nega que o alvo sejam os jovens.
A Anvisa faz uma consulta pública sobre o tema, com vistas a proibir os aditivos.

O mentol, o mais comum deles, diminui o desconforto da nicotina ao reduzir a irritação na garganta, por conta de seu efeito anestésico.
Nos cigarros com teores mais baixos, ele tem uma função adicional: aumenta a potência da nicotina, segundo pesquisas da FDA, agência do governo do EUA que cuida de drogas e tabaco.

JOVENS
Estatísticas no Brasil e nos EUA comprovam que os jovens são os maiores consumidores desse tipo de fumo.
Entre 2002 e 2005, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) e pesquisadores da Universidade John Hopkins ouviram 13 mil estudantes em dez capitais brasileiras e descobriram que 44% deles usam cigarros com aroma. O índice é o dobro dos fumantes na população em geral (22%), segundo a pesquisa.

Nos EUA, os levantamentos mostram que, enquanto o percentual de fumantes está em queda, o índice dos que consomem cigarros mentolados só cresce.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, os fumantes de cigarro mentolado representam 40%. Na população acima de 26 anos, esse índice cai para 32%, segundo a FDA.

O órgão recomendou a proibição do mentol em fevereiro, mas o Congresso não aprovou a sugestão.

A facilidade na iniciação não é o único problema com os aromatizantes, de acordo com a FDA. É mais difícil largar um cigarro com menta ou tuti-frutti do que um sem.

No Brasil, não há pesquisas sobre a dificuldade de abandonar os mentolados ou congêneres, mas a médica Stella Martins, diretora do Programa de Atenção ao Tabagista do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), órgão do governo paulista, diz que a percepção do usuário desse tipo de fumo é diferente.

"O problema dos que fumam cigarro com sabor é que eles acham que esse tipo de cigarro não é um problema".

Um levantamento feito pela entidade sobre o uso de derivados do tabaco nos cinco primeiros meses deste ano mostra que o cigarro com sabores ocupa a segunda posição na preferência. Segundo a consulta, 22% dizem ter fumado cigarro com sabor nos últimos 12 meses. O uso de narguilé foi relatado por 28%.

Fabricante nega ter estratégia para viciar jovens

DE SÃO PAULO

A Souza Cruz nega que o uso de sabores seja uma estratégia para iniciar os mais jovens no cigarro.

Segundo nota da empresa, não há evidências de que o uso de sabores leve os mais jovens a fumar: "Não há estudos conclusivos que atestem qualquer relação entre o uso de ingredientes na fabricação dos cigarros e a iniciação, cessação ou riscos à saúde associados ao seu consumo".

A iniciação, segundo a empresa, tem relação com fatores como a influência da família ou de amigos.

O fabricante diz também que seus cigarros têm gosto de tabaco, não de menta.
Ainda de acordo com a empresa, nenhum país proibiu a adição de mentol em cigarros: "Os estudos científicos existentes não possuem uma posição clara com relação ao benefício da medida".


DEPOIMENTO

Cabeleireira de 26 anos fuma escondida da avó

DE SÃO PAULO

"Mesmo sem chiclete, sinto um frescorzinho na boca". É assim que a cabeleireira Lara K. explica por que foi fisgada pelos mentolados no depoimento a seguir. Ela não quer ser identificada por que, aos 26 anos, fuma escondida da avó.
 

"Sempre tive atração por cigarro mentolado. Acho que por causa do gostinho de menta. Ninguém gosta de ficar com gosto de cigarro na boca.
Já tentei fumar cigarro normal, mas volto sempre para o mentolado.
Fumo desde os 15 anos, mas no começo era só no fim de semana. Há um ano comecei a fumar bastante, quase um maço por dia.

O cigarro comum não sacia tanto, não me completa. Sinto uma grande diferença entre o cigarro que fumo, o L&M Cool, e o Marlboro. O L&M é muito mais gostoso."
 

 
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