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A relação entre o cigarro e o cinema (13/11/2011)
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A relação entre o cigarro e o cinema

Glamourizado pela Hollywood dos anos 1950, tabaco caiu em desuso nos filmes

Guss de Lucca, iG São Paulo 13/11/2011 17:48

Desde os primórdios do cinema, o cigarro foi utilizado como símbolo de glamour, tendo como ápice o período que compreende os anos 1930 e 1960. Nessa época, as produções hollywoodianas associavam o fumo ao sucesso e ao dinheiro.

Filmadas em preto e branco, as produções noir eram repletas de detetives, damas misteriosas e criminosos - em comum, todos tinham o cigarro e os ambientes esfumaçados que frequentavam.

Um dos grandes exemplos desse período é o ator Humphrey Bogart, que no longa-metragem "O Falcão Maltês", de 1941, fuma um cigarro atrás do outro.

Não apenas nos filmes, mas também em propagandas e fotos promocionais, as celebridades normalmente surgiam segurando um cigarro - às vezes em sua forma bruta, em outros momentos com piteiras ou até charutos.


Com o passar das décadas isso começou a mudar, tendo como grande ponto de virada os anos 1990, período em que a legislação norte-americana agiu de forma severa com a indústria do tabaco.

Esse período foi abordado no filme "Obrigado por Fumar", de 2006. Nele o protagonista, um lobista interpretado por Aaron Eckhart, tenta recuperar as vendas de cigarros nos EUA inserindo o produto no cinema, aos moldes do que ocorreu nos anos 1950. Em meio a isso, ele precisa combater um senador oportunista que tem como principal projeto a colocação de rótulos de veneno nos maços de cigarros.

As cenas que jamais veríamos hoje no cinema

Como a tecnologia e o politicamente correto inviabilizariam filmes feitos anos atrás

Não é tarefa fácil assistir a um clássico ao lado de um adolescente. Além das diferenças visuais e de ritmo, filmes como "Janela Indiscreta", dirigido por Alfred Hitchock em 1954, registram períodos não tão distantes, mas marcados pela ausência de objetos e costumes presentes em seus cotidianos.

A tecnologia mudou a forma como nos relacionamos com o mundo, e longas-metragens como esse deixam evidente que situações plausíveis há 50, 30 ou até mesmo 15 anos jamais ocorreriam da mesma forma na atualidade - e a culpa é dos celulares, da internet e do politicamente correto, entre outras mudanças.

Com isso em mente, levantamos sete cenas de filmes que retratam períodos distintos e mostramos como o advento da tecnologia e a adoção do politicamente correto inviabilizariam seus acontecimentos.

"Janela Indiscreta" (1954), de Afred Hitchcock

No filme, o fotógrafo interpretado por James Stewart encontra-se preso a uma cadeira de rodas após quebrar uma perna. Por isso, passa a lutar contra o tédio observando sua vizinhança pela janela. O voyeur faz uso de um binóculo e das potentes lentes de sua câmera - e para sua infelicidade, acaba testemunhando um possível assassinato.

Ao transpor a situação para os dias atuais, muita coisa muda. O tédio poderia ser combatido não apenas com a janela, mas em salas de bate-papo da internet. Além disso, o personagem não perderia seu tempo observando tudo com um binóculo: ele com certeza teria uma filmadora portátil e gravaria tudo para assistir mais tarde em alta velocidade - diminuindo o ritmo apenas nos momentos mais interessantes.

"Curtindo a Vida Adoidado" (1986), de John Hughes

Ferris Bueller, o adolescente interpretado por Matthew Broderick em "Curtindo a Vida Adoidado", monta um plano perfeito para conseguir cabular um dia de aula sem ser apanhado pelo diretor de sua escola ou por seus pais.

Se tentasse repetir o feito duas décadas mais tarde, ele certamente seria fotografado à exaustão durante sua performance no desfile da comunidade alemã nas ruas de sua cidade e, popular como só, se tornaria o assunto do dia no Twitter - o que acabaria garantindo ao rapaz um belo castigo.

"Uma Luz na Escuridão" (1992), de David Seltzer

A trama de "Uma Luz na Escuridão" acontece durante a Segunda Guerra Mundial, no momento em que a secretária interpretada por Melanie Griffith assume um serviço de espionagem dentro da casa de um oficial nazista.

Em determinado momento, a espiã encontra uma série de planos secretos de mísseis alemães, que ela fotografa com sua câmera, mas que só chegarão ao governo aliado se ela conseguir sair ilesa da Alemanha - trabalho desnecessário na atualidade, em que qualquer câmera ou celular pode enviar via internet as imagens que acabara de registrar.

"Zodíaco" (2007), de David Fincher

Apesar de lançado em 2007, a história do filme "Zodíaco" ocorre na década de 1970, época em que a cidade de São Francisco foi aterrorizada pelo Assassino do Zodíaco. Durante o período de investigação, o cartunista interpretado por Jake Gyllenhaal recebe telefonemas anônimos com a respiração de alguém.

Se há 40 anos detectar a origem dessas ligações era algo complicado, hoje qualquer pessoa pode contratar um serviço de bina e descobrir o número do telefone utilizado - ou, na pior das hipóteses, descobrir a origem com a ajuda da polícia.

"Warriors - Os Selvagens da Noite" (1979), de Walter Hill

Logo no início do filme "Warriors - Os Selvagens da Noite", os membros das principais gangues de rua de Nova York são convidados para uma reunião ao ar livre no Bronx - festa que jamais ocorreria 30 anos depois.

Com a internet, a notícia de que os maiores criminosos da cidade iriam se encontrar seria divulgada e, além da polícia, até a MTV estaria por lá transmitindo ao vivo o discurso do líder Cyrus.

 

"O Massacre da Serra Elétrica" (1974), de Tobe Hooper

Mais uma vez, a telefonia celular poderia ter salvado algumas vidas. No caso, a da jovem Sally Hardesty e seus amigos, que após se perderem na área rural do Texas, acabam encontrando uma família nada amistosa, que tem como hábito cozinhar e comer pessoas.

Nesse caso, ao dar de cara com o assassino mascarado Leatherface, ela poderia correr e ao mesmo tempo ligar para a polícia - que não duvidaria da veracidade de seu chamado ao ouvir o barulho da moto serra (e não serra elétrica) do psicopata.

"A Estranha Passageira" (1942), de Irving Rapper

Apesar de não envolver a tecnologia, a cena de amor protagonizada pelos atores Bette Davis e Paul Henreid em "A Estranha Passageira" jamais seria filmada e exibida em cinemas sem receber uma série de críticas.

Isso porque antes de declarar-se para sua amada, o rapaz acende não um, mas dois cigarros, que são compartilhados com direito a muita fumaça - um momento impensável em tempos em que o tabaco é severamente combatido.

 
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