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Fumicultores organizam cooperativa para a comercialização do fumo da Agricultura Familiar (13/7/2005)
ACTBR

Curitiba, PR (12/07/2005) – A decisão já foi tomada: fumicultores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT) criarão uma cooperativa para a comercialização direta de fumo da agricultura familiar produzido nos três Estados. Mas eles pretendem ir queimando etapas e concluir o empreendimento no prazo de dois anos, a contar da decisão tomada no seminário “O Futuro da Fumicultura no Brasil”, que aconteceu nos dias 8 e 9 de julho em Curitiba, PR, organizado pela Federação e pelo Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser).

 

Segundo o representante da CUT na Câmara Setorial Interministerial do Fumo, Albino Gewehr, “a fumicultura familiar possui três das quatro condições necessárias para viabilizar este projeto: o número de fumicultores interessados — na base de atuação da Fetraf-Sul/CUT há 45 mil famílias produtoras e, destas, estima-se que a adesão imediata chegue a 10 mil interessadas —, a manifestação de apoio de autoridades locais para a instalação de usinas de beneficiamento e o fato de o BNDES possuir linha de crédito para investimentos nessa área”. Para Albino Gewehr, o que ainda impede a criação desde já dessa cooperativa é o fato de as indústrias transnacionais fumageiras dominarem o mercado internacional do fumo, ditando preços e condições. “Vamos buscar as garantias de comercialização direta com a Europa e a Ásia para, só a partir daí, criarmos de fato a cooperativa de fumicultores. Estimamos que isso se dê, no máximo, dentro de um período de dois anos, a partir do pontapé da decisão política desse empreendimento”, afirma Gewehr.

 

Saúde monitorada – Outra decisão do seminário de Curitiba foi a de reivindicar, junto ao Ministério da Saúde, a realização de pesquisas de monitoramento da saúde das famílias produtoras de fumo, semelhante ao que acontece nos Estados Unidos e Canadá. Pesquisas realizadas por universidades desses dois países apontaram para a existência do que eles denominaram de “doença do tabaco verde”, manifestada por problemas decorrentes da absorção de nicotina pelos fumicultores durante a colheita, como mal-estar, enxaqueca, náuseas, vômitos e dores corporais.

 

O assunto da ratificação da Convenção-Quadro Para Controle do Tabagismo também foi tratado em Curitiba. O técnico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Oscar Miranda Pacheco, declarou aos fumicultores que não é real a versão divulgada de que haveria diferenças de entendimento entre os ministros da Saúde e da Agricultura sobre a ratificação da Convenção-Quadro. Para ele, o que existe são apenas preocupações diferenciadas em torno da repercussão da convenção-quadro, mas há uma posição oficial do governo brasileiro em favor da ratificação de sua assinatura ao tratado internacional. Enquanto o Ministério da Saúde vê na ratificação uma forma de acelerar o controle do tabagismo, o Mapa discute com o Ministério da Fazenda a criação de uma taxa (imposto sobre os cigarros) para a criação de um Fundo de Apoio à conversão das lavouras daqueles fumicultores que já pretendem mudar de cultura, uma vez que a convenção-quadro por si só não proíbe o plantio, mas suas repercussões futuras podem apontar para a necessidade de reduzir a produção.

 

Quem manifestou sua opinião sobre esse assunto em Curitiba, também, foi a secretária nacional do CONICQ – Conselho Nacional de Implantação da Convenção-Quadro, Tânia Cavalcanti, que é técnica do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A participação dela no debate serviu para aprofundar os conhecimentos dos fumicultores sobre a tramitação da Convenção-Quadro no mundo todo.

 

Quanto ao futuro da fumicultura no Brasil, tema do evento, os fumicultores saíram do seminário com a impressão de que, diferentemente do lobby atual das indústrias fumageiras, há uma tendência, sim, de expansão do plantio de fumo no Brasil, uma vez que os preços praticados ao produtor brasileiro são ainda muito vantajosos para as transnacionais. “No Brasil, paga-se aproximadamente 1,5 dólar pelo quilo de fumo em média ao produtor, quando em outros países, as mesmas indústrias compram por até dez vezes esse valor”, lembra o presidente do Deser, Marcos Rochinski. Nos Estados Unidos, o preço pago ao produtor chega a 6 dólares o quilo; Na Europa, a mais de 10 dólares e no Japão, a 18 dólares o quilo de fumo. Rochinski lembra que o Brasil figura entre os principais produtores mundiais — o primeiro é a China, com 2 milhões e 300 mil toneladas/ano, seguido de Brasil, Índia e Estados Unidos — e que a China não disputa hoje o mercado internacional por não produzir excedentes e apenas abastecer seu mercado interno. Ele acredita que nos Estados Unidos, Europa e Japão a tendência seja a de redução do plantio e que esta produção possa ser deslocada para o Brasil, Moçambique e países asiáticos.

 

Jornalista: Thea Tavares (MTb 3207-PR)

       
Contatos:
Com o Presidente do Deser, Marcos Rochinski – (41) 8403-8057 / 3262-1842 e com o representante da CUT na Câmara Setorial do Fumo, Albino Gewehr - (51) 9663-7897. No Ministério da Saúde – com o assessor José Oscar Miranda Pacheco(61) 3218-2314 ou 9994-2283.

 
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