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Uma questão de bom senso (15/2/2012)
Revista Trip

http://revistatrip.uol.com.br/revista/207/reportagens/o-imperio-contra-ataca/page-5.html

Uma questão de bom senso

A Souza Cruz é líder do mercado brasileiro, responsável por seis dos dez cigarros mais vendidos. Suas campeãs de venda são: Derby, Hollywood, Free e Dunhill. A empresa, que produz 80 bilhões de cigarros por ano, integra o grupo British American Tobacco, megaconglomerado tabagista presente em 180 países.

Enviamos uma lista de perguntas à Souza Cruz, questionando a empresa sobre legislação, publicidade, males à saúde... A íntegra das respostas, por vezes evasivas, você pode conferir logo abaixo. Aqui destacamos a pergunta que consideramos mais relevante. Como a indústria justifica a estratégia de associar a ideia de liberdade ao ato de fumar. A princípio, a empresa não se manifestou sobre o assunto específico. Insistimos na questão. A resposta você lê abaixo.

No dia mundial de combate ao tabagismo, a Souza Cruz publicou um anúncio em diferentes publicações de circulação nacional defendendo a questão da liberdade. Qual é o sentido de associar a ideia de liberdade ao ato de fumar? O que se busca é a regulamentação de um produto que comprovadamente faz mal à saúde, provocando dependência química, e não a sua proibição. Por que insistir nessa questão da liberdade?
Como se sabe, a Souza Cruz, desde a sua criação, há 108 anos, levanta esta bandeira: foi a Souza Cruz que ajudou a criar a Escola de Comunicação da UFRJ, na década de 1940; a revista Souza Cruz, publicada em 1916, era circulada mensalmente e foi um marco na imprensa brasileira, tendo como colaboradores Olavo Bilac, Manuel Bandeira e Clarice Lispector. A Souza Cruz acredita e apoia o debate aberto e democrático como uma ferramenta importante para a construção de uma regulação do mercado de tabaco que seja, simultaneamente, eficaz no alcance de seus objetivos e equilibrada no respeito aos direitos de todas as partes envolvidas.

Trip pergunta a você: é uma resposta que satisfaz?

Philip Morris é a maior fabricante privada de cigarros no planeta, com mais 800 bilhões de unidades vendidas por ano. No mercado nacional há 35 anos, tem 2.700 empregados. Com sede na Suíça, foi fundada no século 19. Suas principais no Brasil são: Marlboro, L&M, Shelton, Dallas, Muratti e Luxor. Procurada pela Trip, a Philip Morris comunicou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se manifestaria sobre a reportagem.

 

Veja abaixo as respostas da Souza Cruz a outras perguntas enviadas pela Trip:

Qual foi o impacto econômico das leis antifumo implementadas no Brasil a partir do início dos anos 2000: proibição de propaganda de cigarro na TV, inserção de mensagens de advertência nas embalagens, proibição das marcas de patrocinarem eventos culturais e esportivos, proibição de fumo em ambientes fechados? De quanto foi a queda no faturamento da empresa? 

Por ser uma empresa de capital aberto, a Souza Cruz disponibiliza em seu site os números do faturamento ao longo dos anos. A Souza Cruz é uma empresa há 108 anos no mercado brasileiro e não é à toa. A sua capacidade de se reinventar mostra que desafios são para ser superados. A atuação da Souza Cruz gera milhares de empregos em sua cadeia de valor e integra a atividade de 40 mil produtores de fumo, que trabalham no sistema integrado de produção, que provê acesso facilitado a sementes e insumos, além de assistência técnica em todo o processo produtivo. A rede de distribuição da companhia hoje conta com aproximadamente 300 mil varejistas, atendidos por cerca de 3,5 mil colaboradores. A Souza Cruz oferece ao consumidor adulto marcas com alto padrão de qualidade. As principais são: Dunhill, Free, Lucky Strike, Vogue, Hollywood e Derby. 

Como a Souza Cruz se adaptou às novas regras citadas na pergunta acima? Qual é a estratégia e as ferramentas que a empresa usa hoje para conquistar novos consumidores de cigarro?

A Souza Cruz realiza eventos e afins a fim de promover sua marca corporativa assegurando que o publico alvo seja maior de idade, adulto e fumante. Para tanto, contamos com prestadores de serviços que realizam atividades de acordo com sua expertise, todos regularmente contratados. A comunicação das marcas de cigarro se dá única e exclusivamente através dos pontos de venda, conforme legislação vigente. 

Em termos globais, quais são os novos mercados que a British American Tobacco, da qual faz parte a Souza Cruz, busca conquistar? Por que esses lugares? 

A Souza Cruz é um dos maiores grupos empresariais do país, líder nacional do mercado de cigarros e integrante da British American Tobacco, o mais internacional dos grupos de tabaco, presente em 180 países. Em 2010, exportou 93,2 mil toneladas de fumo e vendeu 71,9 bilhões de cigarros, obtendo a receita líquida de R$ 5,5 bilhões. A companhia está entre os dez maiores contribuintes do país e, no ano, recolheu R$ 7,4 bilhões em tributos. 

Alguns especialistas apontam que os próximos passos na regulamentação do tabaco devem ser: venda do cigarro debaixo do balcão, embalagem genérica e restrição da venda em tabacarias. Qual é a opinião da Souza Cruz sobre esse assunto? É um caminho sem volta? 

Se, a despeito da absoluta falta de dados e evidências científicas consistentes e confiáveis que atestem sua eficácia para atingir os objetivos pretendidos, bem como das inconstitucionalidades e ilegalidades que as cercam, as medidas propostas forem, de fato, implementadas, o mercado legal de cigarros do Brasil sofrerá impactos negativos, sem dúvida. Contudo, é difícil acreditar que o consumo total de cigarros brasileiro será afetado. O mais provável, e a história recente do Brasil e de outros países em situação similar tem demonstrado isso, é que este novo ambiente excessivamente restritivo provoque um forte crescimento do já expressivo mercado ilegal de cigarros brasileiro, que hoje representa 30% do mercado total de cigarros (composto por produtos contrabandeados, falsificados e fabricados por empresas que sonegam tributos - cerca de 2 bilhões de reais por ano), uma vez que as organizações criminosas que o comandam, por óbvio, não respeitarão as novas restrições que a Anvisa pretende impor e, por consequência lógica, preservarão, ao contrário das empresas do setor regularmente estabelecidas, a capacidade de comercializar os produtos derivados do tabaco na forma como são atualmente produzidos, por preços artificialmente baixos e, portanto, mais acessíveis a menores de idade. 

Estamos totalmente convencidos de que este notório processo de comoditização dos produtos derivados do tabaco e de denormalização de seus consumidores terá um único beneficiado: o mercado ilegal de cigarros. Já entre os prejudicados, além da própria cadeia produtiva, estará a sociedade brasileira como um todo, em virtude da queda de arrecadação tributária, perda da capacidade de investimento público e aumento dos índices de criminalidade.

A implementação de restrições adicionais nas embalagens de produtos derivados do tabaco, notadamente as que proíbem agregar valor ao produto ou expressar suas características específicas, além de inócuas para atingir os objetivos a que se propõem, impedem as fabricantes de cumprirem sua obrigação legal de transmitir aos consumidores informações relevantes sobre o produto que decidiram adquirir e, por via reversa, viola o direito dos mesmos consumidores de receber estas informações. Além disso, a medida também afronta importantes princípios e garantias constitucionais, como a liberdade de expressão e o direito à propriedade intelectual e, ao caminhar no sentido da comoditização dos produtos derivados do tabaco, cria terreno fértil para o crescimento do mercado ilegal (composto por produtos contrabandeados, falsificados e fabricados por empresas que sonegam tributos) e para todas as consequências negativas dele advindas. A Souza Cruz acredita que todos os consumidores devem ser informados acerca dos riscos à saúde associados ao ato de fumar. Sem prejuízo de outras fontes de informação que já cumprem este papel há bastante tempo, o objetivo das advertências é informar sobre estes riscos, sendo que o Brasil foi um dos primeiros países a adotar textos e imagens de advertência nos maços de cigarro. Todas as advertências atuais somadas já ocupam aproximadamente 50% dos maços e, segundo pesquisa realizada pelo IBGE em 2008, 96,1% da população brasileira reconhece que há riscos à saúde associados ao consumo do tabaco, o que é um dos índices mais altos mundo. Portanto, trazer mensagens de advertência para a parte frontal das embalagens, além de afrontar princípios e garantias constitucionais, como a liberdade de expressão e o direito à propriedade intelectual, seria, do ponto de vista prático, absolutamente inócuo na tarefa de ampliar o já vasto conhecimento dos consumidores sobre os riscos associados ao consumo do tabaco. 

 

 
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