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Viva a noite! (15/4/2012)
Revista São Paulo, Folha de S. Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1504201208.htm

PESQUISA REVELA COMO SE COMPORTAM OS BALADEIROS DOS PRINCIPAIS REDUTOS DE BARES, RESTAURANTES E CASAS NOTURNAS

MICHELE OLIVEIRA

Se a biologia ousasse classificar os seres paulistanos, o baladeiro seria mais uma ordem do que uma espécie. Dentro da categoria baladeiro, há subdivisões que vão do sertanejo universitário ao gay urso (homem grande e peludo), passando por tipos mais conhecidos, como o fã de MPB ao vivo e o playboy consumidor de techno e energético. 

Para desvendar esse reino, o Instituto Datafolha, em parceria com a revista sãopaulo, saiu às ruas para saber como vivem esses seres noturnos, com quem eles se relacionam, o que bebem, como se locomovem, o que gostam de ouvir e o quanto gastam para se divertir.

Realizado entre os dias 1º e 4 de março nos oito principais redutos de bares, casas noturnas e restaurantes, o levantamento revelou, por exemplo, que os habituês do Tatuapé, na zona leste, são os que mais gastam dinheiro na noite e que os de Santana, no norte da cidade, são os que mais bebem uísque.

"A pesquisa revela aspectos muito contrastantes dos diversos frequentadores da noite paulistana. São Paulo é uma cidade que por si só já mostra muito contraste, a noite também reflete isso", diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.

Segundo Paulino, o valor da pesquisa é revelar alguns aspectos que ficam escondidos quando se fala do hábito de sair à noite. Por exemplo: o levantamento mostrou que sair de segunda a segunda (para jantar, beber ou dançar) é a rotina de 5% dos que costumam frequentar a noite. Entre separados e divorciados, esse percentual sobe para 15%. Eles saem mais do que solteiros (4%) e casados (8%).

"Voltar à pista" ou "voltar ao mercado", como dizem, é a realidade atual do gestor de tecnologia da informação Eudival da Silva Junior, 29. Separado de um casamento de quatro anos, ele tem saído seis vezes por semana na região do Tatuapé, onde ouve sertanejo. Eudival garante que a paquera não é a meta. Mas admite que dançar é um bom jeito de se aproximar. "Estou saindo com uma pessoa que também conheci na balada. Vamos ver no que dá." 

Disparidade entre bairros
No geral, pode-se dizer que o baladeiro que frequenta Pinheiros, Moema, Itaim Bibi, Consolação, Bela Vista e Jardim Paulista, além de Tatuapé e Santana, é na grande maioria heterossexual (93%) e solteiro (82%), pertence às classes A e B (85%), tem 28 anos em média, formou-se na faculdade (67%), é homem (67%) e mora com os pais (60%). 

No entanto, quando se comparam os resultados de cada uma dessas oito áreas, os contrastes saltam (veja quadro na pág. 27). Em Moema, na zona sul, estão os que mais saem com o marido ou a mulher -17% vão para noite com o cônjuge, ante 8% no geral. Já a Bela Vista tem o maior percentual de quem costuma sair sozinho: 23%, ante 13% no geral.

No estilo musical, a mesma coisa. Os frequentadores do Jardim Paulista são os que mais gostam de ouvir rock, jazz e música clássica. A menos de dez quilômetros dali, em Santana, estão os frequentadores que mais curtem ritmos, digamos, populares. Entre as oito áreas, eles são os que mais gostam de sertanejo, pagode e forró, além de rap e reggae. 

No quesito grana, uma curiosidade: o baladeiro do Tatuapé, quando sai no fim de semana, gasta por noite, em média, quase R$ 50 a mais do que o baladeiro da Consolação (R$ 135,80 versus R$ 87,20). A média das oito regiões é de R$ 109,70.

Uma explicação pode vir do fato de o Tatuapé ter o maior índice de quem mora com os pais (74%). Na Consolação, só 37% deram a mesma resposta -lá, outros 32% moram sozinhos. Assim, uma conclusão possível é que o frequentador do Tatuapé gasta menos com as contas de uma casa, sobrando, assim, mais dinheiro para torrar na noite. 

Álcool e drogas
Outro aspecto escondido da noite paulistana tem a ver com álcool e drogas. Quando saem, 95% dos frequentadores noturnos bebem -a preferida é a cerveja, citada por 89%. Outros 51% são fumantes (com a lei antifumo, 40% dizem que fumam agora na calçada...). Na questão álcool mais volante, tão discutida atualmente por conta da lei seca, um alerta: 30% dos que costumam sair à noite admitem que bebem e, depois, dirigem. Chama a atenção o fato desse percentual subir 14 pontos entre os que pertencem à classe A (44%) e outros dez entre os que têm de 26 a 40 anos (40%). 

Ainda entre quem bebe e dirige, 4% contam que já sofreram acidente e 12% já foram parados em blitze. Quando percebem que um amigo visivelmente bêbado tem a intenção de dirigir, 47% dizem que oferecem carona, 24% pedem para ele tomar cuidado (mas permitem que ele conduza o carro) e 23% o levam até um táxi. Entre as oito regiões, os frequentadores de Santana, Moema e Itaim Bibi são os que mais oferecem uma carona para o amigo bebum. 

Sobre as drogas ilícitas, a maioria (57%) revela que já experimentou maconha, percentual que sobe para 72% entre os fumantes de cigarro convencional. Em relação a outras drogas, um terço (34%) já provou, sendo as mais citadas a cocaína (19%), o lança-perfume (19%), o ecstasy (17%) e o LSD (15%). 

Sobre as repostas de álcool e drogas, Mauro Paulino, do Datafolha, faz uma observação importante. "Esses dados tendem a ser subnotificados, menores do que a realidade. Mesmo assim, já é muita gente admitindo."

Fortalecido a partir do início dos anos 2000, o Baixo Augusta concentra os percentuais mais liberais em relação às drogas. Lá, 17% dos frequentadores, ante 8%, no geral, dizem que fumam maconha sempre. A área também reúne os que mais experimentaram outras químicas: 49%, ante 34%. 

Sofia, 25, se diz usuária de drogas (LSD, maconha, ecstasy) e afirma se sentir mais à vontade para consumi-las na Augusta. Ela resume o sentimento da rua mais agitada da cidade: "Aqui, por mais esquisito que seja, você é aceito, ninguém te julga". Para o bem e para o mal. 
(COLABOROU SARAH MALUF)

10% saem mais de cinco vezes por semana

30% admitem que bebem e depois dirigem

19% dizem que já experimentaram cocaína

PERFIL DO BALADEIRO

82% SÃO SOLTEIROS 

67% TÊM NÍVEL SUPERIOR

67% SÃO HOMENS

60% MORAM COM OS PAIS

85% PERTENCEM ÀS CLASSES A E B 

93% SE DECLARAM HETEROSSEXUAIS 

A IDADE MÉDIA É DE 28 ANOS

"Quando vou para um barzinho não me importo tanto com a produção, mas a balada sempre pede salto alto", diz, em um bar da paulista, a estudante de comércio exterior Jessica Cusin, 21

"Venho para cá quando quero acabar a noite acompanhado. Aqui, as mulheres são mais fáceis", comenta o estudanteRodrigo Werneck, 22, enquanto analisa a fila em frente ao Studio SP, na augusta

A consultora de moda Carol Amorim Almeida, 24, frequenta bares de Santana, na zona norte. "Gosto daqui porque os lugares são tranquilos, mas todo mundo dança"

A publicitária Juliana Bajok, 43, não abre mão da cerveja de garrafa e de uma mesa na calçada. "Gosto da vida boêmia daqui. Conheço os clientes mais antigos, me sinto em casa", afirma, referindo-se ao Paróquia Bar, da Vila Madalena 

Para o gestor de tecnologia da informação Eudival da Silva Junior, 29, seis noites da semana são dedicadas à balada. Ele bate cartão em casas do Tatuapé. "É bom ser cliente fiel, na maioria dos lugares não pago mais para entrar" 

 
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