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ISE seria também um índice de confiança no mercado? (10/8/2005)
ACTBR

Fonte: Valor Econômico, 28 de julho de 2005

Vilson de Siqueira

 

O debate corrente em torno do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), sendo construído pela FGV com a participação ativa de diversas entidades e órgãos, para lançamento ainda em 2005, tem trazido a público algumas impressões que nos fazem acreditar que o mercado financeiro deste novo século continua a adotar práticas do século passado.

O ISE tem a pretensão de organizar sob um mesmo ativo da bolsa, este próprio índice, um portfólio cujo objetivo é medir o desempenho de uma carteira teórica composta por até 40 empresas com as melhores práticas nas dimensões: econômica-financeira, social, ambiental e governança corporativa.

As dimensões econômica-financeira, social e ambiental foram agrupadas numa divisão com quatro critérios de análise: políticas (de comprometimento), gestão, desempenho e cumprimento legal.

Por sua vez, a dimensão ambiental divide o questionário por natureza do negócio: o setor financeiro terá um questionário ambiental adaptado às suas características e as demais empresas responderão a outro questionário.

Para as empresas não-financeiras foi criado um diferencial de análise segundo o nível de impacto sobre o meio ambiente: de alto e moderado impacto. Os setores definidos como de alto impacto receberão pesos maiores nos critérios "Gestão Ambiental e Desempenho Ambiental", enquanto que nos setores de moderado impacto os pesos maiores recairão sobre os critérios "Política Ambiental e Gestão Ambiental".

Por que a pretensão de organizar? As experiências internacionais denominam um índice como socialmente responsável quando as empresas estão comprometidas com o "desenvolvimento sustentável" que é o desenvolvimento que permite o atendimento das necessidades das presentes gerações sem comprometer o atendimento das necessidades das futuras gerações.

O conselho do ISE (CISE) optou por não excluir, por exemplo, as empresas tabagistas, fabricantes de armas e bebidas, da composição do índice. A exclusão poderá acontecer se, eventualmente, a empresa não obter a avaliação necessária para estar entre aquelas que irão compor o ISE.

O IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) acabou se retirando do conselho por não concordar com a participação de empresas desses setores.

O projeto do ISE ainda destaca que não prevê um sistema de auditoria, podendo a Bovespa vir a solicitar esclarecimentos por amostragem ou quando do aparecimento de fato relevante contrário às respostas apresentadas. Além disso, não serão publicados as pontuações das questões, sob o argumento de que as empresas fariam uma conta de chegada para serem incluídas no ranking.

Estes dois destaques, por si só, demonstram a falta de critérios de auditoria das informações que forem prestadas pelas empresas, onde sequer são oferecidos critérios críveis sobre os quais os investidores possam vir a comprovar a credibilidade e eficiência do índice.

Anuncia-se como uma vantagem do projeto que o desenho metodológico do ISE é pioneiro por introduzir a "análise de clusters" como a ferramenta estatística no processo de classificação final das empresas. As perguntas são objetivas, cabendo apenas "sim" ou "não" como respostas. Serão escolhidas as companhias que tiverem desempenhos similares em cada um dos grupos.

"Clustering" é uma técnica de "data mining" que se utiliza do agrupamento de dados por critérios de similaridade ou semelhança. É uma técnica de reconhecimento de padrões para a análise de dados. A "análise de clusters" é o processo de análise dos dados resultantes da técnica de "clustering".

Aplicações típicas do "clustering" são como ferramenta para análise da distribuição dos dados e como pré-processamento para outros métodos de análise de dados.

A técnica de "data mining" de análise de "clusters" apresenta maiores riscos de desvios, pois depende da medida de similaridade (alta subjetividade) do método utilizado e de sua implementação.

Portanto, jogar numa mesma cesta de ativos empresas cujos critérios de avaliações fizeram com que elas se tornassem similares (parecidas) é o mesmo que olhar para a forma arredondada de uma laranja e um limão e dizer que o gosto de ambas é o mesmo.

O método adotado ainda coloca uma técnica de análise de dados ("data mining") em um mesmo nível de uma ferramenta de seleção de carteira, por exemplo, tal como a Teoria de Seleção de Carteiras (TSC) de Markowitz.

Absurdo igual, só nas paragens brasileiras, e no mercado financeiro nacional.

 
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