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UMA VACINA CONTRA A NICOTINA (30/6/2012)
O Globo

Estudo americano testa em camundongos terapia genética que bloqueia 85% da droga 

Viviane Nogueira

viviane.nogueira@oglobo.com.br

EM DOIS anos os cientistas pretendem começar as pesquisas em humanos: esperança contra o vício

REUTERS



Chicletes, patches e outros repositores de nicotina em breve podem ser substituídos por uma vacina que promete suprimir o desejo por cigarro, impedindo a droga de chegar ao cérebro. Um estudo feito com camundongos e publicado na revista "Science Translational Medicine" mostrou que os níveis da substância no cérebro foram reduzidos em cerca de 85% depois da aplicação da vacina. 

Um grupo de pesquisadores coordenado por Ronald Crystal, do Weill Cornell Medical College, em Nova York, selecionou em um camundongo o anticorpo mais forte contra a nicotina e isolou o gene que o produzia. Esse gene foi, então, colocado em um vírus carreador - recurso amplamente usado em terapia genética. Quando os pesquisadores injetaram o vírus em um camundongo viciado em nicotina, o fígado do roedor começou a produzir os anticorpos que foram jogados em sua corrente sanguínea. Ao comparar os níveis de nicotina no cérebro de roedores normais e imunizados, os pesquisadores descobriram que os camundongos vacinados tinham 85% menos de nicotina. 

Sem a droga, o comportamento do roedor continuou igual, assim como suas funções cardíacas e, dezoito semanas depois, o fígado do camundongo continuou produzindo os anticorpos - o que sugere que a terapia genética pode ter efeitos a longo prazo. Até agora, o uso do vírus carreador tem sido testado clinicamente em HIV positivos e pessoas com câncer em estágio terminal. 

- O tabagismo é uma doença complexa e multifatorial: há uma predisposição genética que facilita o vício e dificulta o abandono do cigarro, mas ao mesmo tempo há fatores comportamentais relacionados aos jovens, já que 90% dos adictos começam a fumar na adolescência. Não sei se uma vacina que inibe o prazer do cigarro daria conta da complexidade do vício - diz o pneumologista Ricardo Meirelles, da Divisão de Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que acredita ser necessário mais tempo, estudo e testes para o uso da terapia em humanos - essas pesquisas devem começar em dois anos, segundo o estudo. 

Outras vacinas contra o fumo já vinham sendo desenvolvidas com o objetivo de treinar o sistema imunológico a produzir anticorpos para bloquear a nicotina. O método, aliás, é o mesmo para vacinação contra doenças. O desafio tem sido produzir anticorpos suficientes para parar a chegada da droga no cérebro e a consequente sensação de prazer que ela desencadeia. 

Outra questão é saber se o que aconteceu nos camundongos pode ser repetido em humanos e se esse nível de redução poderia fazer uma pessoa parar de fumar, por exemplo. Se a vacina for desenvolvida, pode inclusive ser usada para imunizar crianças, antes mesmo que elas pensem em começar a fumar. 

- Esta é a melhor maneira de tratar o vício crônico da nicotina: limpando o sangue antes que a droga possa ter qualquer efeito - acredita Crystal. - Esperamos que esta estratégia possa ajudar milhões de fumantes que tenham esgotado as possibilidades do mercado tentando parar de fumar. 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o tabaco mata cerca de seis milhões de pessoas por ano e, desses, cinco milhões são fumantes e ex-fumantes, mas aproximadamente 600 mil são fumantes passivos. Uma pessoa morre a cada seis segundos em decorrência do fumo e metade dos usuários atuais vai morrer por alguma doença relacionada ao tabaco. O fumo é a maior ameaça à saúde pública que o mundo já enfrentou. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam 18,8% de fumantes - 22,7% homens e 16% mulheres. Segundo o Inca, 37% dos casos de câncer previstos para este ano têm relação com o tabagismo. 

Segundo pesquisa da organização não-governamental Aliança de Controle ao Tabagismo (ACT), as doenças causadas pelo cigarro custam R$ 21 bilhões ao país: cerca de três vezes e meia mais do que arrecada com cigarros e outros produtos de tabaco.
Jornal: O GLOBO Autor:  
Editoria: Ciência Tamanho: 674 palavras
Edição: 1 Página: 34
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro Caderno  

 
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