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Em busco do autocontrole (22/7/2012)
O Globo

Evento discute como combater o tabagismo, um mal que mata 5,1 milhões por ano no mundo 

Flávia Milhorance

flavia.milhorance@oglobo.com.br

DURANTE A quarta edição do evento na Casa do Saber, na última quarta-feira, especialistas debateram com o público os prejuízos do tabaco ao organismo.


ENCONTROS O GLOBO 

O primeiro trago ocorre geralmente entre os 13 e os 18 anos. No início, é comum vir a repulsa, a tosse e, às vezes, o vômito. Mas em vez de cessar a experiência malsucedida ali, o indivíduo busca de novo o objeto que por décadas foi sinônimo de glamour ou de anarquia. Dali para frente, sua história de vida acaba por se confundir com a do cigarro: a vontade de fumar aumenta e, em pouco tempo, se torna indispensável em todos os momentos. Isto ocorre porque o fumante perde o autocontrole, explicou a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de Dependências Químicas da Santa Casa do Rio de Janeiro, durante a quarta de edição do evento Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, na última quarta-feira, que abordou o tema tabagismo. 

- O fumante perde o livre arbítrio. A pessoa se torna incapaz de dizer "não, eu não devo", ela vira escrava do cigarro - afirmou Analice a uma plateia lotada, com muitos fumantes, na Casa do Saber, na Lagoa. 

A psiquiatra explicou ainda que a nicotina do cigarro é inalada na tragada e age num receptor do cérebro ( alpha - 4 beta-2) que libera dopamina, um neurotransmissor relacionado ao sistema de recompensa do cérebro, responsável pela sensação de prazer. Segundo ela, a nicotina libera mais dopamina do que o sexo e do que a comida. O fumante então se condiciona com a substância e se torna dependente. 

Coordenado pelo cardiologista Cláudio Domênico, membro da Sociedade Europeia de Cardiologia, o evento teve a mediação da editora assistente de Ciência e Saúde Viviane Nogueira. O evento contou ainda com a participação do pneumologista Alexandre Pinto Cardoso, coordenador do serviço de pneumologia do Hospital da UFRJ, e da psicóloga Daniela Faertes, especialista em mudanças de comportamentos prejudiciais e supervisora do serviço de tabagismo da Santa Casa. 

- O que você consegue fazer 20 vezes ao dia durante 20 anos e sentir prazer? - provocou Domênico. - Você não consegue beber o melhor vinho, comer a melhor comida, nem ter relações sexuais com a pessoa mais maravilhosa nesta intensidade e sentir prazer. Por isso o tabagismo preocupa. 

Legislação mais rígida para restringir o fumo

Relacionado a cerca de 50 doenças, o tabagismo mata 5,1 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, são 200 mil mortes. Apesar de o órgão ainda indicar que o país tem 25 milhões de fumantes, a sua prevalência diminuiu. Enquanto em 1989 havia 34% de dependentes do tabaco na população brasileira, em 2008 o índice foi reduzido para 17%. 

O acesso à informação da população sobre os riscos do tabaco à saúde foi apontado pelos especialistas como o principal motivo para a mudança de cultura. Ainda assim, a psicóloga Daniela Faertes, lembrou, durante o encontro, que às vezes isto não é suficiente: 

- Questões de saúde nem sempre são o bastante para fazer a pessoa parar de fumar. Às vezes a estética, a necessidade de controle, ou a mudança de estilo de vida fazem mais sentido do que as referentes à saúde para os fumantes. Então a psicologia trabalha duas vertentes: o que motivaria a pessoa a parar de fumar e quais são as barreiras que fazem ela sequer tentar. 

O pneumologista Alexandre Pinto Cardoso citou as leis restritivas como outro fator que colabora para diminuir a prevalência de fumantes. Um exemplo é a lei antifumo, em vigor em estados como o Rio, que proíbe o fumo em locais fechados. Uma lei semelhante foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, mas ainda carece de regulamentação. 

- Ela não foi implantada porque estão questionando o que é recinto fechado. Isto mostra o lobby da indústria do tabaco para dificultar esta ação - criticou o pneumologista. 

Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a inclusão de aromatizantes como menta, chocolate, canela e frutas em cigarros. Os chamados mentolados deixarão de ser comercializados a partir de 2013. 

- Os adolescentes compram mentolados porque eles têm um sabor mais interessante, como chiclete. Eles são feitos para que os jovens comprem mais cigarro. O futuro será retirar todos os sabores para diminuir sua atratividade. O lobby será imenso, a indústria vai chiar - comentou Analice Gigliotti.
Jornal: O GLOBO Autor:  
Editoria: Ciência Tamanho: 783 palavras
Edição: 1 Página: 47
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro Caderno  

 
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