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Faculdade de Medicina se declara “um ambiente livre de fumo” (19/7/2005)
ACTBR

UFMG - Belo Horizonte

Fonte: https://sites.grude.ufmg.br/QuickPlace/tubo/Main.nsf/h_D0F97B9C1B7DFED983256FB9004B5443/49FD6644C470C9B68325701B00411079/?OpenDocument

“Em casa de ferreiro o espeto é de pau”. Para evitar que o dito popular se torne cada vez mais aplicável à Faculdade de Medicina da UFMG, foi lançada no dia 31 de maio de 2005 uma campanha para tornar o prédio um “ambiente livre de fumo”.  Isso significa que é proibido fumar dentro das dependências da Faculdade. Os freqüentadores estão sendo alertados sobre a nova regra por meio de placas afixadas em todos os andares do prédio. “A medida pode não ser muito simpática, mas é imprescindível numa escola formadora de profissionais de saúde”, explica o professor e vice-diretor da Faculdade, Joel Lamounier.Na verdade, desde 1995 a lei municipal 6.861 proíbe o fumo em ambientes públicos. Um ano depois era aprovada a lei federal  e, em 1998,tornava-se proibido fumar em localidades públicas mineiras. 

O pneumologista e secretário executivo da ONG Rede Tabaco Zero, Paulo Correa, explica que as políticas que defendem a adoção de ambientes livres de fumo têm três objetivos: preservar a saúde dos não-fumantes, diminuir o consumo entre os fumantes e prevenir o surgimento de novos consumidores, pois na medida em que o cigarro deixa de fazer parte das práticas sociais o número de iniciantes tende a cair. Paulo acrescenta que se o usuário não pode fumar no ambiente de trabalho, ele consome, em média, cinco cigarros a menos. “Sem opção, ele fuma menos equestiona a sua dependência, pois não sabia que conseguia ficar tanto tempo sem fumar”, afirma o médico.
 

Entretanto, iniciativas como a que foi implementada na Medicina precisam ser acompanhadas de perto. Mesmo sabendo dos danos causados pelo cigarro, o funcionário do Projeto Manuelzão, Procópio de Castro, apesar de achar a campanha “ótima”, continua fumando na sua sala no décimo andar da Faculdade.  Ele conta que fuma há mais de 30 anos e que o ato de fumar já se tornou tão corriqueiro que muitas vezes acende o cigarro dentro da sala e nem se dá conta do que está fazendo. Joana Souza, secretária do projeto, trabalha na mesma sala que Procópio e conta: “às vezes, ele sai lá fora, mas não adianta, a fumaça entra aqui dentro”.

Além da fumaça e do mau cheiro, os não fumantes também podem sofrer com doenças como angina, infarto, câncer de pulmão e nos seios da face. Pesquisa realizada em BH, em julho de 2004, mostra que uma em cada cinco pessoas não sabe que a fumaça do cigarro é prejudicial a quem não fuma. De acordo com Paulo Corrêa, bebês podem desenvolver asma e, nocaso das crianças que já são asmáticas, as crises podem se intensificar.

Não faça o que eu faço
Se os fumantes já não são mais bem vistos como antes, quando se trata de um profissional da saúde a situação fica ainda mais complicada. Ao conversar com estudantes de  Enfermagem ou de Medicina, a mesma palavra aparece em todos os discursos: “exemplo”. Paulo Corrêa reforça a idéia de que o médico é um modelo de comportamento e explica que a campanha da Faculdade de Medicina pretende “tirar o pessoal da zona de conforto e fazer as pessoas se questionarem”.

Gabriela Barros está no quinto período de Medicina e fuma há mais ou menos um ano. Ela conta que por enquanto não pensa em parar de fumar, mas prevê que no futuro terá problemas, pois o fato de fumar “tira um pouco da sua moral como médico”. O estudante do 4º período de Enfermagem, AlexandreCoelho, diz que a pressão sobre profissionais da saúde é maior, mas acredita que uma campanha para tornar a Escola de Enfermagem “um ambiente livre de fumo” poderia gerar uma certa revolta nos fumantes, e muitos poderiam afrontar e burlar a proibição. Atualmente, não éproibido fumar nas dependências da Escola de Enfermagem.

Os não-fumantes vêem a campanha empreendida na Medicina com bons olhos. A estudante do 8º período de Fonoaudiologia, Valéria Lana, diz que é totalmente favorável à campanha: “É preciso pensar na melhoria da saúde para todo mundo. É bom para o fumante e para o não-fumante”.

A solução é parar
É comum ouvir relatos de fumantes que tentaram parar de fumar, mas não conseguiram. Paulo Corrêa explica que não há fórmulas mágicas capazes de combater a dependência do fumo. Para o médico, é importante que as pessoas procurem a ajuda de um profissional que dará dicas práticas ao paciente e, dependendo do grau de dependência, poderá prescrever algum medicamento.

A crise de abstinência do tabaco dura 30 dias, período em que o indivíduo pode sentir irritabilidade, insônia, falta de concentração, ansiedade, aumento de apetite e fissura, ou seja, um desejo intenso de fumar. Paulo ressalta que esses fatores é que tornam a participação do profissional importante, pois ele é capaz de antecipar as situações e preparar o paciente para enfrentá-las.

O médico esclarece que “não há forma segura de usar o tabaco”. Cachimbos, cigarros de palha ou de filtro são prejudiciais à saúde e não há formas de minimizar os efeitos em ambientes fechados. De acordo com Paulo, sistemas de ventilação podem no máximo eliminar o cheiro, mas as substâncias tóxicas continuam no ambiente.

Nesse sentido, a maior vilã da história é a fumaça eliminada na ponta do cigarro. Essa fumaça tem 50 vezes mais alcatrão do que a inalada pelo fumante e trêsvezes mais monóxido de carbono. O alcatrão causa câncer e o monóxido, doenças coronárias. Como a fumaça exalada da ponta do cigarro é a mais prejudicial, Paulo defende que os “fumódromos” sejam banidos, pois nesses ambientes fechados os fumantes ficam ainda mais expostos às substâncias tóxicas do cigarro.


BH na mira do combate ao fumo passivo
O projeto na Medicina é parte da campanha BH respirando melhor. Voltada para toda a capital mineira, a campanha defende a idéia de que “respirar ar limpo é um direito de todos”. Paulo Correa coordena acampanha e explica que o objetivo é incentivar políticas voltadas para a adoção de “ambientes livres de fumo” e fazer com que a população cobre uma fiscalização mais efetiva das leis que proíbem o fumo em locais públicos. De acordo com o médico, em todo o mundo esse tipo de iniciativa tem se mostrado como a forma mais eficiente de combater ofumo.


A maior parte das peças da campanha foi desenvolvida e publicada nosEUA. No Brasil, os textos foram traduzidos e estão sendo divulgados na parte externa dos ônibus e às terças e quintas são publicadas no caderno de esportes do jornal Super Notícia.


Divulgação

Peça publicitária do projeto BH respirando melhor, ao todo são nove trabalhos


  O cigarro em números

  • O cigarro possui 4.700 substâncias tóxicas;
  • O cigarro pode provocar 96 doenças em fumantes;
  • Em BH, morrem, por ano, cerca de 250 a 400 pessoas com câncer de pulmão sem nunca terem fumado, mas elas desenvolveram a doença porque conviveram com fumantes;
  • Garçons e garçonetes correm quatro vezes mais risco de desenvolverem câncer de pulmão e duas vezes mais risco de apresentarem doenças coronárias;
  • Permanecer oito horas dentro de uma boate equivale a fumar um maço de cigarros;
  • Menores de um ano de idade que vivem em ambientes em que há uso de tabaco correm de quatro a cinco vezes mais risco de serem acometidos pela síndrome da morte súbita infantil;

 
Autor
Eliziane Lara
 
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