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Além do horizonte do tabaco (5/10/2012)
Paula Johns - Gazeta do Sul

http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/371495-alem_do_horizonte_do_tabaco.html

Comentário da ACT: Em 28 de setembro, a Gazeta do Sul publicou um artigo onde o autor, Luiz Carlos Pauli, atacou a ACT, nosso trabalho e contestou números relativos aos males do tabagismo, sem apresentar, no entanto, nenhum contraponto.
 
A ACT pediu direito de resposta e enviou um artigo, que foi publicado no último dia 5. 
 
Além do horizonte do tabaco
 
O artigo publicado nesta seção, em 28 de setembro, intitulado Região, vamos à luta,  traz uma série de ataques descabidos a nós, da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). Somos uma organização não governamental, formada por representantes da sociedade organizada, voltada à promoção de ações para a diminuição do impacto sanitário, social, ambiental e econômico gerado pela produção, consumo e exposição à fumaça do tabaco. 

O planeta se preocupa, atualmente, com as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), causadas especialmente pelo tabagismo, pelo uso abusivo de álcool, por uma alimentação baseada em produtos industrializados e pelo sedentarismo. No entanto, o tabagismo é o maior fator de risco entre as DCNTs e reduzir a sua prevalência nos países diminuirá, por consequência, essas doenças também.

As evidências científicas acumuladas nos últimos anos são incontestáveis, não há dúvida de que o cigarro causa danos, não apenas à saúde de quem fuma, mas também de quem fica exposto à fumaça. Da produção ao descarte existem riscos e danos à saúde e ao meio ambiente.

Em 2011, em estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz, pesquisadores descreveram a ocorrência da doença da folha verde do tabaco no Brasil. A enfermidade é caracterizada por uma intoxicação aguda de nicotina decorrente da absorção pela pele da substância a partir da folha da tabaco, comumente contraída por agricultores que trabalham no cultivo da planta. Seus principais sinais e sintomas são tontura, fraqueza, vômito, náusea e cefaleia. 

Infelizmente, nem sempre há a oportunidade de um diálogo franco com os fumicultores, e por meio de falsas mensagens eles são persuadidos a crer que devem atuar para impedir ou atrasar medidas de controle do tabagismo. Um dos exemplos recentes é a questão da proibição de aditivos no cigarros. A Anvisa, depois de consultas públicas, aprovou a norma, que entrará em vigor em 2013.  

O fim da adição de sabores aos produtos de tabaco nada mais é do que cumprir com as obrigações assumidas em tratado internacional de saúde pública do qual o Brasil é signatário. Aos fumicultores, devem ser oferecidos incentivos governamentais para que aqueles que desejarem encontrem alternativas viáveis à produção de tabaco. Com todos os que conversamos, a vontade de mudar para um cultivo mais saudável é unânime.

Na economia, os custos de tratamentos de doenças causadas pelo tabagismo são de cerca de três vezes e meia mais o que foi pago em impostos federais pelo setor tabaco. O maior estudo econométrico já feito no País conclui que foram gastos em 2008, ano da pesquisa, quase R$ 21 bilhões apenas com os tratamentos. O estudo mostra uma redução das mortes por tabagismo, provavelmente resultado das medidas de controle do tabaco implementadas ao longo de mais de 20 anos no Brasil. São atualmente 130 mil mortes evitáveis anuais. 

Não somos antitabagistas, não somos contra o fumante, mas contra o tabagismo e contra as estratégias desleais e ardilosas empregadas em defesa desse lucrativo negócio que se mantém às custas de vidas humanas e da dependência de seus consumidores e dos seus agricultores. Uma dessas estratégias é desvirtuar o debate. O presente artigo procura mostrar que nem tudo é o que parece. Fumantes e agricultores podem se libertar da dependência do produto e da cadeia produtiva.

Paula Johns
Diretora executiva da Aliança de Controle do Tabagismo

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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