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Tecnologia polêmica (27/1/2013)
O Globo

COMENTÁRIO DA ACT:


 A matéria falhou em passar a mensagem mais importante para informação do público leigo, que seria dizer explicitamente que, se os fabricantes de cigarro eletrônico quiserem colocar o produto no mercado como derivado de tabaco, pagando todas as taxas e cumprindo toda a regulamentação como produto de tabaco, poderiam, assim como os fabricantes de cigarro podem. Mas para ser colocado no mercado da forma em que querem, ou seja, como produto que ajuda a parar de fumar, primeiro precisa provar que tem esse efeito, assim como qualquer outro produto farmacológico.

 

Dizer que é proibido porque faz mal e porque tem nitrosaminas, etc não é um bom argumento, pois por essa lógica deveria se proibir primeiro o cigarro convencional, que certamente faz muito mais mal do que o eletrônico.


Agora, a matéria:



 

Proibido pela Anvisa em 2009, cigarro eletrônico volta à cena e gera curiosidade nos consumidores 

Viviane Nogueira

viviane.nogueira@oglobo.com.br

Brasa de led. Versão eletrônica tem adeptos até em Hollywood, mas médicos alertam sobre as substâncias cancerígenas do produto, que faz tão mal quanto o cigarro tradicional

Latinstock



Leonardo di Caprio fuma. Os atores Robert Pattinson e Dennis Quaid também. No Brasil, mesmo com a comercialização proibida pela Anvisa desde 2009, os cigarros eletrônicos voltaram a aparecer. Por aqui usar pode, vender não. Mas na internet a oferta do produto é alta, variada e facilitada. E, sendo assim, o número de usuários vai aumentando, por razões que vão de curiosidade à tentativa de largar o cigarro, mesmo que os médicos especialistas em dependência de tabaco rejeitem esta possibilidade. Somente nos EUA, existem hoje 400 marcas diferentes de cigarros eletrônicos. 

- Experimentei para tentar parar de fumar, o gosto é bom e dá um certo prazer. Mas tem que fazer muita força para inalar, a bateria descarrega rápido, achei complicado e voltei para o cigarro - conta a vendedora Núbia Heckert, fumante há mais de 20 anos que já tentou usar o adesivo de nicotina mas teve taquicardia. 

Às vezes, quando fica sem cigarro, ela volta a usar o dispositivo chinês, comprado na internet há seis meses. 

A proibição da Anvisa, baseada na legislação sanitária que exige comprovação de segurança e eficácia do produto (seja na redução de dano, seja no tratamento do tabagismo), não serve para coibir a venda. 

- Temos outras situações como esta, como a venda de complementos alimentares na internet em que atuamos em conjunto com a Polícia Federal, mas não há muito o que possamos fazer - afirma o diretor de monitoramento e controle sanitário da agência, Agenor Álvares. 

Do ponto de vista médico não há recomendação. Segundo a pneumologista e psiquiatra Alessandra A. da Costa, do setor de drogas lícitas do Departamento de Psiquiatria da Uerj, os poucos estudos que existem sobre o tema apontam irritação na mucosa pulmonar causada pelo cigarro eletrônico. A FDA, agência americana que regulamenta alimentos e medicamentos, encontrou nos cartuchos, além da nicotina, as substâncias nitrosamina e dietileno glicol, cancerígenas e causadoras de dependência química. 

- A primeira coisa que o médico que trata de dependentes de cigarro faz é quebrar o tripé de dependência: química, psicológica e o hábito - explica. - O e-cigarro não colabora com isso porque induz ao mesmo gestual comportamental. Além disso tem nicotina, mesmo que se reduza o nível, os cartuchos não são padronizados - diz a médica. 

Para o cardiologista Marcelo Montera, coordenador do Centro de Insuficiência Cardíaca do hospital Procardíaco, só a proibição da Anvisa e a contraindicação do uso terapêutico recomendado pela FDA e Organização Mundial de Saúde sobre o produto seriam suficientes para encerrar a questão. 

- Você tomaria uma Coca-Cola que não fosse testada? Pois é isso que as pessoas fazem com o cigarro eletrônico. Há indicadores de que o produto estimula o vício e não há literatura científica sobre a diminuição de casos de câncer ou dependência - adverte. Outro problema, segundo ele, é a falta de comprovação de segurança: - Não é porque não tem alcatrão e outros elementos que o cigarro eletrônico é mais seguro; se o cigarro normal tem 60 elementos comprovadamente cancerígenos, este tem cinco potencialmente cancerígenos. As pessoas se enganam achando que podem consumir porque são as mesmas substâncias presentes em alimentos. Uma coisa é comer, a outra é inalar - diz. 

Ao contrário da maioria dos casos, o produtor Júlio Cunha conseguiu reduzir o nível de nicotina usando o cigarro eletrônico. Há um ano, começou com a carga de 18mg por ml, e hoje está na de 12mg por ml. 

- O meu é americano, garantido pela FDA e para mim é um invento fabuloso. Meu cardiologista achou ótimo quando me viu trocar dois maços por esse cartucho. A vantagem é que o cigarro eletrônico você pode dar um trago e colocar no bolso, o outro você acende e tem que fumar até o final - diz ele, que comemora a troca do que chama de cigarro analógico, e conta que pretende reduzir a carga para 6mg por ml em três meses.

 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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