Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Deputado diz que índios, quilombolas, gays e lésbicas são 'tudo que não presta' (13/2/2014)
O Globo

http://oglobo.globo.com/pais/deputado-diz-que-indios-quilombolas-gays-lesbicas-sao-tudo-que-nao-presta-1-11585251

Nota da ACT:

Matéria sobre declaração do deputado federal Luís Carlos Heinze, do PP-RS. Heinze é antigo “conhecido” da área de controle do tabagismo. É autor do PDC 3034/2010, que tenta derrubar a resolução da Anvisa sobre os aditivos, e pertence à bancada do tabaco, de deputados que defendem os interesses da indústria do tabaco em detrimento da saúde pública.
 

A seguir, a reportagem:

SÃO PAULO - Um vídeo gravado num encontro com produtores rurais no município de Vicente Dutra, no Rio Grande do Sul, mostra o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, deputado federal Luís Carlos Heinze (PP-RS), incitando a entrarem em confronto com indígenas e seguirem o exemplo do Pará e do Mato Grosso do Sul, onde seguranças privados estão sendo contratados para vigiar terras. No vídeo, Heinze diz que quilombolas, índios, gays, lésbicas, "tudo o que não presta", está "aninhado" no gabinete do ministro Gilberto Carvalho, na antesala da presidente Dilma Rousseff.

Depois de lembrar que o governo forneceu R$ 150 bilhões em financiamento ao agricultores, ele ressalta:
- Agora eu quero dizer para vocês: o mesmo governo, seu Gilberto Carvalho também é ministro da presidenta Dilma, e é ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo o que não presta, ali está aninhado e eles têm a direção e o comando do governo - afirmou.

Heinze diz que os fazendeiros não podem ficar de braços cruzados e devem defender suas propriedades.
- Só tem um jeito: façam uma defesa como o Pará está fazendo, como Mato Grosso do Sul está fazendo (...)
Além de Heinze, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) também discursou no encontro e chamou o ministro de Gilberto Carvalho de "chefe da vigarice”.

- Por que será que, de uma hora para outra, tem que marcar terra de índios e quilombolas? O chefe desta vigarice orquestrada está na ante-sala da presidência da República e o nome dele é Gilberto Carvalho, é ministro. Ele e seu Paulo Maldos (Secretário nacional de Articulação Social). Por trás desta baderna, desta vigarice, está o Cimi (Conselho Nacional Indigenista), que é uma organização cristã, que de cristã não tem nada: está a serviço da inteligência norte-americana e européia para não permitir a expansão das fronteiras agricolas do Brasil - afirma Moreira.
E continuou:

- Nós os parlamentares não vamos incitar guerra, mas lhes digo: se fazem de guerreiros e não deixa um vigarista deste dar um passo na sua propriedade. Nenhum ! Nenhum ! Usem todo tipo de rede, todo mundo tem telefone, liguem um para o outro, reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário!

Os discursos foram feitos para poucas pessoas, mas o vídeo caiu na internet e, nesta quarta-feira, os telefones do gabinete do deputado Heinze não pararam de tocar. Ele teve de se explicar. Ao GLOBO, o deputado disse que sua afirmação foi apenas "força de expressão”.

- Foi ali, na força de expressão. Não quis dizer isso. Nao tenho preconceito nenhum. Tenho gays na minha relação, que vão na minha casa. São amigos. Vou lá, corto o cabelo. Cada um vive como quiser - disse o deputado, afirmando que também não tem nada contra os índios e até ajuda.
Heinze afirmou que se dispôs, inclusive, a ouvir seis caciques do Rio Grande do Sul na Câmara Federal.

O deputado, porém, critica a criação de terras indígenas e do que ele chama de índios que são maus brasileiros.
- Fui em Rondônia, onde os índios tem minas de diamante. Um cinta larga comprou casa no valor de cinco mil bois ! Era um cacique, com carro importado! Os outros índios não vivem assim.
O deputado afirmou que se o governo quer dar terra aos índios, que compre.

- Quero defender eles, mas não que tomem a terra dos outros. Pego a escritura na minha mão, aí chega o governo e diz: é terra índigena. A gente fica P da vida.
Perguntado sobre ter incitado os agricultores contra os indígenas, o deputado respondeu:
- Se eu invadir sua casa não acontece nada? Vou tomar sua casa e voce vai ficar satisfeito? Alguém tem que dar segurança. A culpa é de quem comanda o processo.
Ao ser questionado sobre a posição da Justiça, que julga os processos de criação de terras indígenas após contestação dos atuais ocupantes, o deputado afirmou que cada um pensa de um jeito.

- Qualquer lugar do brasil era terra indigena. Uma escritura não vale mais nada. Imagina 1,2 milhão de hectares lá no Maranhão!!! Não tem mais que mil índios. É um pais rico, tá tudo bem. Não precisa de nada. Fico indignado.
O deputado Alceu Moreira afirmou ao GLOBO que não tem qualquer preconceito e lembrou que não foi o autor da frase, apenas estava no mesmo evento. Ele disse que sua atuação é contra os laudos antropológicos que originam as terras indígenas, que considera fraudulentos.

- Quero deixar claro que não tenho qualquer coisa contra índio. Não tenho preconceito, jamais fiz isso na minha vida. Estou falando de um processo demarcatório fraudulento e comandado por uma estrutura de Estado - afirmou, acrescentando que os laudos antropológicos são feitos por antropólogos contratados pela Funai de forma unilateral, sem participação dos estados e municípios.

Segundo ele, tanto índios quanto quilombolas estão sendo usados por uma "estrutura ideológica", pois as terras não serão deles, mas da União.
O deputado afirmou que os proprietários rurais, quando tomam conhecimento do laudo antropológico, têm 90 dias para contestar, mas precisam pagar do próprio bolso.
- Eles pagam 30 sacos de soja por hectare para fazer sua defesa. Mas o outro lado (os índios), tem o Ministério Público Federal, a Funai e ONGs que defendem em cima de laudos fraudulentos, feitos com base em histórias orais, que não param em pé.
Conflito em Vicente Dutra
Em novembro passado, índios caiacangues e agricultores entraram em confronto em Vicente Dutra depois que um grupo de 50 indígenas invadiu o balneário Águas do Prado. Os índios entraram em confronto com o vigia do estabelecimento, que sofreu ferimentos graves, e ateou fogo a dois escritórios comerciais. Um dia depois, proprietários das cabanas foram ao local armados com pedras e pedaços de pau e os índios abandonaram o local.

Os índios reivindicavam a posse da Terra Indígena Rio dos Índios, de 715 hectares. O local é ocupado por 68 pequenas propriedades rurais, de em média 10 hectares cada, e 168 cabanas no balneário Águas do Prado. Os agricultores e donos de cabana no complexo turístico não serão indenizados pelas terras, apenas pelas benfeitorias de boa fé - finalizadas até a data da publicação da portaria declaratória da área indígena, que foi publicada em 2004.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/deputado-diz-que-indios-quilombolas-gays-lesbicas-sao-tudo-que-nao-presta-1-11585251#ixzz2tDXLBKyI
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2