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Tabaco brasileiro: Queda nas exportações preocupam fumicultores e sindicato (13/8/2014)
Deser


As exportações do Tabaco produzido no Brasil tiveram queda de 35% no primeiro semestre de 2014. Os dados, divulgados no final de julho, são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Comparados com o primeiro semestre de 2013 houve redução de 35,6% no volume e de 35,0% no valor do fumo exportado.

No primeiro semestre de 2013, foram exportadas 263,75 mil toneladas contra 169,96 mil no mesmo período de 2014. Os valores obtidos com as exportações, nos primeiros seis meses, foram de US$ 1,3 bilhão, em 2013, e de US$ 852 milhões este ano.

Entre os motivos para a queda nas exportações, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), estão a redução mundial do consumo de cigarros (queda de dois bilhões de unidades entre 2012 e 2013) e o crescimento do uso do cigarro eletrônico. Já o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) vê problemas na valorização do real, o que desestimula as exportações brasileiras. O sindicato atribui a redução também ao aumento da produção de fumo em países africanos (Zimbábue produziu 50 mil toneladas a mais, em 2014), onde o custo da mão-de-obra dos agricultores produtores é menor que no Brasil.

Permanente queda
Agora o Sinditabaco e a Afubra temem possíveis quedas também no segundo semestre deste ano. Para Amadeu Bonato, coordenador do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser) é difícil dizer se haverá queda na exportação também no segundo semestre de 2014. Segundo ele, para entender esse quadro, algumas situações precisam ser analisadas. “É preciso lembrar que as exportações de fumo realizadas no segundo semestre sempre são maiores que as que ocorrem na segunda metade do ano. O segundo semestre exportou, em 2012, um volume 38% maior que o do primeiro. Em 2013, o volume exportado no segundo semestre foi 37,8% maior que no primeiro. Qual o comportamento do segundo semestre de 2014 no volume de fumo a ser exportado é o que precisamos aguardar. Mas, dificilmente recuperará as perdas do início deste ano”, analisa.

O especialista aponta que as quedas no consumo de importantes países importadores, com o consequente aumento nos estoques mundiais podem apontar para uma situação efetivamente estrutural para a realidade da fumicultura brasileira. E esta realidade é a da permanente queda nas exportações e, como 87% do fumo brasileiro é exportado, também a realidade da permanente queda na produção nacional. As oscilações no tamanho da queda ficam por conta da disputa pelos mercados internacionais entre os principais países produtores e exportações e nas estratégias que serão elaboradas e implementadas pelas indústrias (todas transnacionais) para se posicionar diante dessa realidade. “Outra importante questão diante destes dados é menos técnica é mais política. Até que ponto as empresas exportadoras de fumo não estão fabricando um cenário negativo. Uma queda significativa nas exportações com toda certeza forçaria, por um lado, uma redução nos preços do fumo pagos aos produtores. E, por outro lado, pressionaria o governo em relação à política de cambio e antecipar recursos de crédito rural para a comercialização, como já ocorreu em anos anteriores em que a crise nas exportações de fumo foi ainda pior”, opina Bonato.

Ironias e contradições
Para Bonato, neste momento, ironicamente, a Afubra passa a defender publicamente uma política agressiva de redução da área plantada de fumo. A associação propõe que haja uma redução de 12% na área de produção do Virginia e de 22% na área de produção do Burley. “Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2012, a produtividade média do fumo por hectare, na região Sul, é de 2.020 quilos, sendo que para a produtividade do Burley é um pouco menor, girando em torno de 1.700 kg/há. Ao propor esse percentual de redução de área plantada, sob o argumento de preservação do preço do fumo, a Afubra está propondo uma redução de 101.800 toneladas na produção desta próxima safra. Pela média de produção das 160 mil famílias produtoras, isso representaria uma redução automática de 13% das famílias produtoras. Ou seja, a Afubra está propondo a exclusão de 21.200 famílias da produção de fumo”, alerta o coordenador do Deser.

Sobre o Sinditabaco, Amadeu ressalta que este é um pouco mais irônico. “Ao colocar a causa da redução das exportações no aumento da produção dos países africanos, particularmente no Zimbabue, O Sinditabaco afirma que o motivo é a baixa remuneração da mão-de-obra naquele país. Para Iro Schünke, dirigente do Sindicato, no Zimbábue, o preço médio pago ao produtor está na faixa de US$ 3,17 por quilo. Já no Brasil, a variedade virgínia, que representa cerca de 85% da produção local, custa cerca de US$ 3,55 para a indústria pelo câmbio atual. Ou seja, comparado com o Zimbabue, o Brasil paga aos produtores de fumo a voltuosa quantia de US$ 0,38 a mais, o equivalente R$ 0,80 a mais por quilo. Além do ridículo comparativo, como se o agricultor brasileiro fosse um milionário, está clara a estratégia que será montada pelas indústrias: uma das formas fundamentais de continuar a competividade internacional do fumo brasileiro é a redução do preço pago ao produtor”, conclui.

 

 
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