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Anvisa aprova medicamento para câncer de pulmão (9/5/2006)
ACTBR

Agência Estado

23:59 07/05

Anvisa aprova medicamento para câncer de pulmão
Por Vítor Cavalcanti, Especial para a Agência Estado.
Mais de um milhão de pessoas em todo o mundo sofrem com o câncer de pulmão. No Brasil, a situação não é animadora. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) projetam para 2006 o surgimento de mais de 27 mil casos da doença. Neste mês, os pacientes acometidos pelo mal ganharam mais uma opção de tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento cloridato de erlotinibe, comercialmente conhecido como Tarceva, que apresentou bons resultados como terapia em casos avançados deste tipo de câncer.

Fabricado pelo laboratório Roche, a droga age como um inibidor do crescimento das células tumorais. Administrado via oral, o que permite melhor adesão ao tratamento por parte dos pacientes, o Tarceva age na proteína EGRF/HER1. Ela está presente na superfície das células e é responsável por ativar o crescimento de células cancerígenas em vários tipos de tumores. O medicamento inibe de forma específica a atividade de uma enzima dentro da célula, bloqueando o crescimento do tumor. "Ele inibe a reação dentro da célula tumoral, quando ela é estimulada ao crescimento. O efeito da dose é fugaz", afirma Artur Malzyner, chefe de cirurgia oncológica do Hospital Brigadeiro, em São Paulo.

Estudos multicêntricos apontaram um aumento de 42% na sobrevida dos pacientes que receberam a nova droga, em comparação com os que fizeram uso do placebo. "O medicamento sem dúvida veio para ficar. As pesquisas mostraram que ele teve boa resposta inclusive em pessoas que não tiveram sucesso nos primeiros tratamentos com quimioterapia", avalia Riad Younes, Chefe do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer A.C. Camargo.


PESQUISA

Os resultados de um estudo em fase III, que envolveu 731 pacientes, foi a base para a aprovação do medicamento por parte da Anvisa. A pesquisa comparou o uso do Tarceva com o placebo em pacientes com câncer de pulmão avançado. Essas pessoas já haviam recebido tratamento de primeira ou segunda linha com quimioterapia sem sucesso. Os pacientes que fizeram uso do Tarceva viveram mais tempo comparado aos que receberam o placebo. Em percentual, a sobrevida foi 42% superior.

Nos pacientes que fizeram uso da nova droga foi observado um aumento significativo na remissão dos sintomas, além de não haver progressão do câncer. Houve ainda uma melhora de 45% na sobrevida em um ano. "Ele é, literalmente, o primeiro medicamento para esse câncer que produz efeito sem ser quimioterapia.


COMO É O TRATAMENTO

A terapia com o uso do Tarceva dura entre dois e três meses. O paciente toma um comprimido ao dia. Por não ser um quimioterápico, os efeitos colaterais são bastante reduzidos. Ele pode provocar acne e diarréia em alguns casos. A indicação inicial é para quem tratou com quimioterapia, não teve resposta e a doença está avançada, inclusive quando há presença de metástase. "Em termos de metástase, ele mostrou bastante eficácia no tratamento de metástase cerebral", explica Younes.

O especialista do Hospital do Câncer A.C. Camargo lembra ainda que a droga mostrou boa performance em um tipo menos comum de tumor pulmonar que é o bronquioloalveolar. Por enquanto, o medicamento ainda não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não há previsão para isso.


ALGUNS CENTROS JÁ USAM COMO PRIMEIRA LINHA

Embora a indicação inicial seja para casos avançados da doença, alguns centros médicos espalhados pelo mundo, já estudam a possibilidade de usar o medicamento como primeira opção de tratamento. Inicialmente, o experimento ocorre com perfis bem particulares de pacientes: idosos e mulheres que nunca fumaram. "A mulher não fumante foi incluída nesse grupo porque, durante o estudo que resultou na aprovação do medicamento, verificou-se que ela retirou melhor proveito da droga", lembra Malzyner.


O QUE ESTÁ DISPONÍVEL

Atualmente, no Brasil, os médicos seguem uma seqüência no uso de terapias para tratamento de câncer de pulmão. São três as opções, além do medicamento aprovado pela Anvisa: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Elas são aplicadas de acordo com o estágio da doença. Em casos iniciais, a cirurgia é a primeira indicação. Depois de retirado o tumor, parte-se para a quimioterapia. Quando o tumor está localmente avançado, ou seja, não extrapolou os limites do pulmão, a radioterapia é uma boa opção e tem garantido bons resultados. A quimioterapia é introduzida diretamente quando a doença está avançada e com presença de metástase (atingindo outras partes do corpo).


DIAGNÓSTICO

Em 90% dos casos, o câncer de pulmão é causado pelo tabagismo. A principal forma de prevenir o aparecimento da doença é parar de fumar. Devido a gravidade do hábito de fumar, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como doença crônica gerada pela dependência da nicotina, considerada uma droga, mesmo que ilícita. Agentes químicos (como arsênico, asbesto e cromo) e predisposição genética também estão relacionados à incidência do mal, embora em menor escala. O diagnóstico acontece de forma simples, através de um raio X. Especialistas, no entanto, têm optado pelo uso da tomografia computadorizada. Além de ser mais precisa, ela identifica tumores em estágios iniciais de forma mais facilitada.


PRINCIPAIS SINTOMAS

Tosse, ronco, dor no tórax, falta de ar e pneumonite são os principais sintomas dos pacientes com câncer de pulmão. A sintomatologia pode depender do tipo de tumor. Os de localização periférica, por exemplo, podem ser assintomáticos até invadirem a parece torácica. Pneumonia de repetição pode ser sinal inicial da doença. Nos fumantes, o ritmo da tosse é alterado. As crises podem ser em horários incomuns para o paciente.
 
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