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Fumar ou não fumar eis a questão? (24/4/2006)
ACTBR

Fonte: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=9bf31c7ff062936a96d3c8bd1f8f2ff3&subsec=&id=6f6c5c7cc57e059e8702c2d122de6453

Joaquim Jorge*

Antes de começar este artigo, gostaria de vos dizer que não fumo, mas lá em casa existe uma pessoa que fuma e que eu respeito pois é uma opção pessoal e que eu aceito.
Chegou a proibição de fumar a partir de 1 de Janeiro em Espanha, nos locais públicos e centros de trabalho públicos e privados, restringindo-se em bares e restaurantes com mais de 100 metros quadrados. Nestes passará a haver uma zona específica para fumadores com um máximo de 30% do espaço total. A publicidade vai ser fortemente condicionada a locais específicos, como locais de venda. Na Formula 1,o nosso vizinho espanhol Fernando Alonso, campeão do Mundo, será que não vai aceitar no seu bólide de corrida publicidade ao tabaco?
A Irlanda foi pioneira. Em Março de 2004 converteu-se no primeiro país da União Europeia com medidas anti-tabaco obtendo resultados encorajantes na diminuição de fumar. Porém, no consumo de álcool, em que era proibida a sua venda em bares a partir de determinadas horas, a sua restrição foi levantada porque não evitava o seu consumo desenfreado e nefasto com consequências na saúde dos bebedores e na própria sociedade.
Eu sei que o tabaco faz mal à saúde, provocando cancro dos pulmões, brônquios e outras vias respiratórias, sendo um péssimo exemplo para os menores. Daí eu explicar ao meu filho, que pratica desporto, que o tabaco além de todos malefícios é um entrave à prática desportiva de alta competição e no objectivo de atingir boas performances . Porém, liberdade implica responsabilidade e quando ele for de maior idade não posso interferir na sua opção. A proibição não pode chegar ao ponto dos seus defensores tentarem incrementar e impor a necessidade de proteger os não fumadores dos fumadores mas também estes de si mesmos! Pontos de vista deste cariz não me parecem compatíveis com a autonomia pessoal inerente a pessoas adultas, que vivem numa sociedade regida por princípios liberais. Parece-me necessário proceder com sensatez e respeito nas livres decisões dos indivíduos sempre que não prejudiquem os demais.
Espero que em Portugal não se adira a esta moda fundamentalista, mas sim com grandes medidas de prevenção e de alerta, de forma a que haja uma consciencialização do problema. Um fumador não é um maroto ou anti-social e não se pode, nem se deve, discriminar mas sim ajudar. Veja-se a campanha para diminuir a , sinistralidade em Portugal, , apesar das pesadas multas como medida persuasiva e o controle de velocidade apertado, os sinistros e mortes não param de aumentar. Tem que haver uma tomada de consciência individual e uma mudança de mentalidade que vai demorar ainda algum tempo mas espero que quando o meu filho tirar a carta, e demais portugueses encartados por essa altura, dêem uma imagem mais europeia dos cuidados a ter na condução.
O anteprojecto de decreto-lei sobre a proibição de fumar será alvo de discussão pública durante dois meses. Espero que as restrições sejam concretizaveis, não vale a pena elevar muito a fasquia para depois não se cumprir a lei. Porque não aumentar ao maço de tabaco? Aqui um maço de Marlboro custa 2,90€,em França 5€,Reino Unido 7,36€ e na Noruega é o local mais caro 8,02€. As tabaqueiras é que não gostariam da ideia.
Em Espanha onde a lei anti-tabaco foi aprovada,os restaurantes e bares onde é permitido fumar estão a aproveitar esse facto como um factor de publicidade, colocando grandes cartazes à entrada dos estabelecimentos, o que é uma forma de contornar a lei.
Não vamos copiar tudo que vem de fora, como infelizmente somos os mais atrasados a aplicar algumas normas e leis que o façamos tendo em conta a experiência dos outros países de forma a ter uma aplicação mais plausível e aceitável.
Não nos esqueçamos que segundo os estudos, a maioria das mortes são provocadas por doenças isquémicas do coração; insuficiências cardíacas; cancro (sendo uma parte pulmões e brônquios), seguido do cólon, estômago e próstata; ataques cérebro-vasculares; diabetes; demência; acidentes de viação, etc.
Deve haver uma batalha pela saúde além do tabagismo, luta contra a obesidade (incluindo a infantil), a anorexia, o cancro, as drogas, o álcool. Em termos económicos o estado pouparia milhões de euros no tratamento destas doenças e concomitantemente aumentar-se –ia a qualidade e esperança de vida.


*Biólogo
Escreve no JANEIRO, quinzenalmente às segundas-feiras

 
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