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Tabaco e gravidez: ligação de alto risco (10/5/2006)
ACTBR

Fonte: http://www.medicosdeportugal.iol.pt/action/2/cnt_id/1098/

Helena Rocha
Data: 10 de maio de 2006


O facto de os pais fumarem durante a gravidez e depois do nascimento do seu filho constitui um grave problema de saúde pública. As crianças em que pelo menos um dos pais fuma são vítimas do fumo passivo. Para resolver esta situação, é fundamental que os pais sejam informados, sendo de salientar as medidas tomadas pelas entidades oficiais, com destaque para a campanha ‘Help: por uma vida sem tabaco’ da Comissão Europeia que, além de transmitir boas práticas aos cidadãos dos Estados-Membros da UE, tem alertado para os perigos do tabagismo.


Apesar de ser do conhecimento geral que fumar durante a gravidez aumenta os riscos para a saúde do bebé e da mãe, talvez nem todos tenham consciência que é mais difícil para uma mãe deixa de fumar (ou manter-se sem fumar) quando outras pessoas fumam em seu redor.

O seu companheiro é a pessoa que tem maior influência no seu comportamento tabágico. Diversos estudos mostram que há mais recaídas, sobretudo depois do nascimento da criança, no caso das mães cujos cônjuges fumam.

Por outro lado, um estudo levado a cabo em 2005 revela que quanto maior for o nível de informação dos pais sobre os malefícios do fumo passivo nas crianças, maior será o número daqueles que procuram deixar de fumar.

Deixar de fumar é, pois, uma questão de informação e para ser discutida a dois, sendo que a ajuda externa pode aqui desempenhar um papel de extrema importância



Fumar durante a gravidez significa:

- um risco quatro vezes acrescido de o bebé sofrer de bronquite, inflamação dos brônquios e pneumonia nos primeiros anos de vida;

- quatro vezes maior probabilidade de morte súbita;

- risco de dar à luz um bebé com baixo peso e mais frágil;

- reduzir as hipóteses de amamentar e a duração da amamentação.



Portugal participa em projecto pan-europeu

O EURO-scip (EUROpean action on Smoking Cessation In Pregnancy) é um projecto promovido pela União Europeia em 6 Estados-Membros, incluindo Portugal, cujo objectivo é o estabelecimento de uma rede de âmbito europeu centrada nas questões relacionadas com o tabagismo durante a gravidez.

Iniciado em 1999, ainda sem participação de Portugal, e abrangendo a Alemanha, a Bélgica, a Grécia, a Irlanda e também a Bulgária, o EURO-scip encontra-se actualmente na 3ª fase de desenvolvimento, a qual prevê a identificação e a disseminação de estratégias que conduzam à redução do número de mulheres grávidas e de pais que fumam.

Entre as acções realizadas contam-se um estudo junto de médicos e outros profissionais de saúde que trabalham com grávidas, que avalie a prevalência do tabagismo nas mulheres grávidas para avaliar as perspectivas sobre este problema e as necessidades de formação; um inquérito para avaliar a prevalência do tabagismo nas mulheres grávidas; a elaboração de materiais para apoio a acções de informação e aconselhamento; a construção e o teste de um programa de formação para profissionais de saúde; a edição de um DVD para a formação de profissionais de saúde e a edição de 4 newsletters a distribuir nos Centros de Saúde do país.

O que se pretende é fornecer informação mais detalhada sobre o problema do tabagismo na gravidez e contribuir para a formação de profissionais de saúde, em especial aqueles que actuam directamente nesta área, de forma a atingir as metas prioritárias do projecto:

- diminuir o número de grávidas que fumam,

- reduzir o número de bebés expostos ao fumo,

- aumentar o número de mulheres que deixam de fumar definitivamente antes ou durante a gravidez.



Soluções originais em prática na Europa

Visto que na maioria dos casos os pais deixam de fumar ao mesmo tempo e exercem influência um sobre o outro, é muito importante disponibilizar ajuda específica durante a gravidez e depois do parto.

Alguns países da União Europeia estão já a tomar medidas neste sentido. Na Bélgica, por exemplo, onde se estima que cerca de 30% das mulheres grávidas continuam a fumar, foi lançado em Janeiro um plano federal para combater o tabagismo, estando actualmente em curso uma campanha destinada a ajudar os pais a viverem sem o tabaco e, assim, protegerem a saúde dos seus filhos.

A originalidade desta iniciativa reside no facto de, em certas circunstâncias, ajudar ambos os pais a deixarem de fumar.



A abordagem breve – Os 5 A’s :

Este é um plano recomendado por profissionais de saúde que ajuda a abordar adequadamente a questão do tabagismo e que consiste em 5 etapas sucessivas:

1. Ask/Perguntar se fuma: Identifique os pacientes que fumam e faça uma ficha para todos os fumadores em cada uma das consultas.

2. Advise/Aconselhar a deixar de fumar: Aconselhe os pacientes a deixar de fumar através de uma mensagem clara e adequada a cada caso.

3. Assess/Avaliar a motivação do utente para deixar de fumar: Depois de perceber se o paciente deseja deixar de fumar, é importante reforçar a sua motivação para o fazer.

4. Assist/Ajudar o utente na sua tentativa para deixar de fumar: Ajude o paciente na sua tentativa para deixar de fumar e assegure o apoio psicológico e farmacológico necessário.

5. Arrange/Agendar consultas de seguimento: Planeie pelo menos duas consultas de acompanhamento, a primeira das quais preferencialmente uma semana depois de o paciente ter parado de fumar.

As três primeiras etapas podem ser feitas com o médico que acompanha a gravidez. As outras duas etapas podem ser desenvolvidas pelo especialista, que trabalhará em colaboração com o profissional de saúde materno-infantil.

Esta ajuda consiste num conjunto de 8 consultas com um especialista credenciado, sendo parte da despesa reembolsada pelo Estado.

Este reembolso visa cobrir os custos das 8 sessões com um especialista para a mulher grávida e respectivo companheiro (120 euros/cada) e do tratamento médico para o companheiro (55 euros).



Fontes:
- Blackburn C., Bonas S., Spencer N., Dolan A., Coe C., Moy R. (2005). “Smoking behaviour change among fathers of new infants”, Social Science & Medicine, 61, 517 526.
- Everett K.D., Gage J., Bullock L., Longo D.R., Geden E., Madsen R.W. (2005). “A pilot study of smoking and associated behaviours of low income expectant fathers”. Nicotine Tobacco Research, Apr.7(2): 269 276.
- Fiore, M.C., Bailey W.C. (2000). Clinical practice guideline. Treating tobacco use and dependence. US Department of Health and Human services.

Notas:
- “Os pontos de vista expressos nunca poderão ser entendidos como a afirmação de uma posição oficial da Comissão Europeia”.
- Contactos e fontes são parte do corpo do texto.
- Como parte da nova campanha de prevenção do tabagismo “HELP – Por uma vida sem tabaco”, lançada pela Comissão Europeia, outras informações serão regularmente enviadas, fornecendo aos meios de comunicação social matéria relevante relacionada com este tema.

 
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