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Tabagismo passivo e a poluição ambiental (24/4/2006)
ACTBR


Redação/O Estado do Paraná [23/04/2006]


Clovis Botelho, 51 anos, professor titular da UFMT, médico pneumologista, fala da ação do tabagismo passivo e da poluição ambiental sobre a saúde humana.

Em áreas urbanas, das várias formas de poluição ambiental existente, o aumento da poluição do ar é a que mais preocupa os estudiosos da área da saúde, pois poderá ceifar milhares de vidas nos próximos anos. Este tipo de poluição decorre, principalmente, da queima de combustíveis (que produz grande consumo de oxigênio e elevado nível de gás carbônico) que, aliado ao aumento da emissão de partículas, torna o ar com a qualidade não adequada ao processo respiratório.

Particularmente na infância, um dos períodos mais vulneráveis da vida, a maior parte do tempo da criança é no domicílio em companhia da mãe. Assim, o aparelho respiratório dessa criança, ainda imaturo, pode ser agredido pelos contaminantes de maior concentração domiciliar, que incluem agentes biológicos (fungos, bactérias, insetos, pólens, restos celulares), produtos gerados de combustão (dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, ozônio e dióxido de enxofre), material particulado (asbestos, poeiras inorgânicas, fibras industrializadas), produtos de uso doméstico (formaldeído, compostos orgânicos voláteis, pesticidas e produtos de aerossóis como hidrocarbonos) e a fumaça do tabaco.

De todos os poluentes detectados no domicílio, a fumaça produzida pela queima do tabaco é o principal agente poluidor e está relacionada com diversas doenças atingindo o fumante e os não fumantes que convivem ao seu redor. Os fumantes passivos ou involuntários tornam-se susceptíveis às várias alterações orgânicas provocadas pelo fumo.

As complicações das infecções respiratórias agudas (IRA) em crianças são maiores naquelas expostas ao tabagismo passivo domiciliar, cujo grande impacto são as pneumonias em lactentes e pré-escolares. O risco de doença respiratória aguda associada ao tabagismo materno é maior que o tabagismo paterno, e as crianças até seis meses de idade apresentam risco maior (cerca de três vezes) que crianças maiores e crianças pré-escolares. A relação causal é fácil de entender, pois as crianças menores ficam mais tempo dentro do ambiente domiciliar e ao lado da mãe.

As evidências atuais associam o tabagismo passivo a um risco aumentado de câncer de pulmão, sendo que o nível de atividade carcinogênica, presente na fumaça do tabaco ambiental, excede os níveis de exposição permitida para alguns carcinógenos conhecidos.

Portanto, você que não consegue parar de fumar (deve ter os seus motivos): pense bem quando for fumar o próximo cigarro. Assegure-se que não tenha nenhuma criança ao redor, pois você não pode dar o mau exemplo; procure um lugar bem longe de tudo e de todos, você não quer incomodar ninguém com o seu problema (não é mesmo?). Pensando bem, quais são os seus verdadeiros motivos para continuar fumando?

Sobre o autor

Professor titular da Faculdade de Ciências Médicas e do Curso de Mestrado em Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Mato Grosso. Doutor em Medicina - Pneumologia -pela Escola Paulista de Medicina / Unifesp, em 1991.

Autor dos livros Você também pode para de fumar (Editora Adeptus) e A dinâmica psicológica do tabagismo (Editora Entrelinhas) e de vários artigos sobre o tema publicados em revistas especializadas.

 
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