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Stella Bialous, especialista em saúde pública: ‘Lidar com tabaco deve chegar à psique coletiva’ (6/10/2016)
O Globo

http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/stella-bialous-especialista-em-saude-publica-lidar-com-tabaco-deve-chegar-psique-coletiva-20242880

Tenho 53 anos, formei-me em Enfermagem na Universidade Federal do Rio de Janeiro e fui para os Estados Unidos, para um mestrado. Prossegui com doutorado e pós-doutorado, na Universidade da Califórnia. Acabei virando especialista na indústria do tabaco, o lado menos simpático da história.”


Conte algo que não sei.


O governo americano processou 11 empresas de tabaco, em 1999, com base em uma lei criada para combater a máfia. É uma lei de formação de quadrilha. O governo julgou que as empresas fizeram um conluio para disseminar informações erradas sobre o tabagismo passivo, por exemplo, para fraudar o público. E o governo ganhou. Tudo começou porque alguns documentos da indústria vieram a público, em disputas judiciais estaduais.


Como é o trabalho com os documentos da indústria, na Universidade da Califórnia?
Nos anos 1990, vários estados americanos processaram a indústria para obter reembolso dos custos para tratar doenças relacionadas ao fumo. Em um grande acordo, a indústria se comprometeu a, além de restituir os cofres públicos, disponibilizar para acesso geral documentos internos revelados nos litígios através de uma fundação, hoje chamada “Truth”, que patrocina a universidade. Há grupos de promotores nos EUA inteiro que entram constantemente na Justiça para liberar documentos. Temos mais de dez milhões de páginas.


Os papéis citam o Brasil?
Há muita referência ao Brasil. Em vários documentos, as empresas discutem o trabalho da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a adesão do país à Convenção-Quadro para Controle do Tabaco. Houve a época do “fumo louco”, tabaco geneticamente modificado que foi testado no Brasil, e que também aparece nos documentos. A experiência do “Free” no Brasil também se tornou um caso-modelo de cigarros light.


A diferença entre países ricos e pobres é também marcante no controle do tabaco?
É uma falácia acreditar que os países desenvolvidos estão mais avançados no tema. A Alemanha, por exemplo, possui pouca regulamentação de uso, embalagem, propaganda. Os próprios EUA só agora começam a ter um controle em nível federal, mas advertência na embalagem, ainda não. Já Tailândia, Malásia, África do Sul, Panamá e Uruguai estão fazendo bastante coisa.


E o Brasil?
O país teve um progresso enorme, inclusive em um aspecto muito importante que chamamos de “desnormalização” do tabaco. A conscientização deve ser geral, não deve ficar só no meio acadêmico. Para lidar com o tabaco é preciso chegar na visão social, na psique coletiva.

Como se sente quando vê alguém do seu círculo social fumando?
Lido bem. Parte da minha carreira foi de aconselhamento a pessoas que queriam parar de fumar. Acho que a gente não pode ser contra o fumante, mas deve estar disposto a ajudá-lo, se ele achar que está na hora de parar. É engraçado, às vezes as pessoas me pedem desculpas quando fumam. E eu digo: “Você não tem que pedir desculpas pra mim, mas pra você mesmo!” Mas não gosto de fumaça em locais públicos.


A judicialização de políticas sobre o tabaco é ruim?
Não é boa, nem ruim, mas é cada vez mais frequente. Não é da alçada do Judiciário fazer política pública sobre o tabaco, mas a indústria cada vez mais recorre a litígios para bloquear a regulamentação pelo Estado.
A indústria continua tentado influenciar as pesquisas?
A aproximação segue, agora voltada ao que a indústria chama de alternativas menos danosas do fumo, como cigarros eletrônicos.
 

 
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