Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

França desiste de proibir cigarro em bares e restaurantes (17/4/2006)
ACTBR

Publicado em 14.04.2006, às 17h00
Fonte: UOL

Os aliviados fumantes franceses, ao acenderam um cigarro dentro de um bar, tomando um café, podem se regozijar com o pensamento de que toda tragédia tem um lado positivo.

Nesta semana, o governo do país, enfraquecido devido à batalha contra sindicatos e estudantes em torno de um polêmico contrato de trabalho para jovens, desistiu de proibir o fumo em bares e restaurantes a fim de evitar uma confrontação com os vários fumantes da França.

A imagem dos cafés parisienses cheios de fumaça dos cigarros Gauloise mudou desde que, nos anos 90, o então governo socialista obrigou os estabelecimentos a observar certos limites. Mas a idéia de uma proibição total do fumo em locais públicos ainda alimenta controvérsias.

"Vendidos!", disseram os integrantes de campanhas antitabagistas sobre o go! verno, acusado de sacrificar a saúde de milhões de pessoas.

Mas os fumantes, que pagam impostos elevados sobre os cigarros, expressaram discretamente sua aprovação ao que viram como um surpreendente recuo de última hora.

"Amo meu cafezinho e meu cigarro do dia-a-dia", disse Louisa Bunz, 47, quando fumava em um bar da região central de Paris.

A idéia de banir o cigarro de restaurantes e de obrigar os fumantes a só acendê-los em locais hermeticamente fechados e ventilados, nos quais não seriam vendidas bebidas nem comidas era ridícula, afirmou.

"Seria como uma pequena cela para fumantes", disse.

REVOLTA - Na quarta-feira, o governo afirmou que havia adiado a aprovação de leis sobre a proibição do cigarro e convocou um processo de consultas que deve demorar meses.

Dois dias antes, os dirigentes franceses tinham abandonado um novo contrato de trabalho para jovens que facilitaria o processo de demissão de funcionários com me! nos de 26 anos.

Entidades que combatem o fumo dizem que o cig arro mata cerca de 60 mil pessoas por ano na França, onde cerca de um quarto da população consome o produto. Pesquisas mostram que uma grande maioria dos franceses gostaria de ver seus restaurantes livres da fumaça.

Desde 1992, bares e restaurantes precisam manter áreas para não-fumantes. Na prática, essas áreas são com frequência difíceis de serem identificadas.

"Quantos artigos e relatórios serão necessários antes de ser adotada uma decisão evidentemente necessária?", perguntou Gerard Dubois, professor da área de saúde na cidade de Amiens.

"O dia 12 de abril de 2006 será o primeiro dia de um novo escândalo na área de saúde pública --o escândalo do ar contaminado."

As autoridades francesas prometeram combater o fumo em lugares públicos, em parte para atrair turistas que se preocupam com questões desse tipo. Proibições semelhantes já existem na Irlanda, na Itália e na Espanha.

Muitas pessoas ficaram surpresas com o recuo do govern! o, afirmando, porém, não esperar que a manobra provoque qualquer tipo de manifestação.

"As pessoas são preguiçosas demais para ir às ruas devido ao fumo", disse Arezki Messad, que fumava um cigarro em um café de Paris.

Madjid Mezizenne, gerente de um bar e de uma tabacaria, afirmou que a proibição do cigarro prejudicaria seus negócios.

"Isso seria ruim para nós, seria ruim para as vendas. As pessoas já estão fumando menos e as vendas teriam caído ainda mais", disse.

O sindicato MIH, que reúne donos de restaurantes, mostrou-se preocupado com os efeitos de uma proibição total. Mas economistas rebateram sugestões de que a medida afetaria o setor de serviços.



 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2