Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Mortes relacionadas ao tabaco já ultrapassam 10.000 por dia em todo o mundo (18/5/2006)
ACTBR

Quarta, 17 de Maio de 2006 às 14:01
Canal Rio Claro Noticias
Mortes relacionadas ao tabaco já ultrapassam 10.000 por dia em todo o mundo

Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) alerta para burocracia, falta de cursos de treinamento para profissionais de saúde e até mesmo inadequação do preço do cigarro, fatores que acabam favorecendo o consumo entre os brasileiros

No dia 31 de maio de 2004, o então ministro da Saúde Humberto Costa disse que os fumantes que desejassem abandonar o vício teriam acesso a medicamentos para as crises de abstinência. De lá para cá quase dois anos se passaram e muito pouco aconteceu.

O tortuoso caminho a ser percorrido por um fumante que quer deixar de sê-lo quase sempre o leva a acender mais um cigarro. "Se depender única e exclusivamente da força de vontade, ele estará frente à estatística que aponta que apenas 5% das tentativas de abandono do tabagismo têm êxito", pondera o presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), dr. Rafael Stelmach.

Se, por outro lado, tiver acompanhamento médico e acesso a medicação e reposição de nicotina, sempre que necessário, as chances aumentam para até 40%.

"O tratamento medicamentoso do tabagismo é caro e, por ser a doença crônica mais prevalente da humanidade, além da maior causa de morte evitável do mundo, deveria receber atenção maior das autoridades responsáveis", alerta o dr. Sérgio Ricardo Santos, pneumologista e coordenador do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo), da Disciplina de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo.

O desabafo tem como base o fato de que ainda é muito difícil conseguir acompanhamento especializado e medicação financiados pelo Ministério da Saúde. Ainda são poucos os municípios que contam com centros de referência credenciados pela Secretaria de seu Estado, devidamente abastecidos de medicamentos e outros coadjuvantes em quantidade suficiente para a demanda da população local.

O principal obstáculo, de acordo com o dr. Ubiratan Paula Santos, médico assistente da Disciplina de Pneumologia do Incor, é a burocracia que envolve todo o processo até que o medicamento chegue ao paciente. "O Ministério da Saúde fornece Bupropiona e reposição de nicotina para as Secretarias de Estado da Saúde que, por sua vez, os repassam somente para centros de referência previamente cadastrados. Para a realização deste cadastro há muitas imposições, que inviabilizam todo o processo".

O especialista explica que somente os estabelecimentos com equipes multidisciplinares treinadas em cursos organizados pelas próprias secretarias podem solicitar inscrição. Porém, os cursos são escassos e com pouca oferta de vagas. O próprio dr. Ubiratan, um dos grandes especialistas no assunto do país, ainda não teve a oportunidade de participar de um destes cursos. "O Departamento de Pneumologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP não tem o cadastro e não recebe verba para a compra destes medicamentos. O tratamento oferecido no local é totalmente custeado pelo hospital".

A exigência da realização do curso e da existência de uma equipe multidisciplinar é fator limitante, afirma o dr. Ubiratan, que considera que tanto um como outro são desejáveis e devem ser estimulados, mas não são indispensáveis e acabam deixando muitos estabelecimentos e, conseqüentemente, uma grande parcela da população excluída do programa. "A orientação ao paciente por um médico preparado e o tratamento medicamentoso, quando necessário, são suficientes na grande maioria dos casos. Quando este médico identificar a necessidade de uma abordagem específica, poderá encaminhar o paciente a outro especialista, como um psicólogo ou uma nutricionista, por exemplo".

Com relação ao curso, a opinião do dr. Ubiratan é que, por melhor estruturado e mais informativo que seja, não é coerente exigir que um médico, em muitos casos com especialização e anos de experiência no assunto, tenha de correr atrás dos cursos para obter o tal cadastro.

POR QUE PARAR DE FUMAR É TÃO DIFÍCIL?
De acordo com o dr. Sérgio, parar de fumar é mais difícil para os que têm maior grau de dependência. "A chance de um fumante conseguir parar de fumar após um ano de tentativas sem qualquer apoio profissional ou medicamentoso é de apenas 5%. Já quando aplicadas intervenção cognitivo-comportamental e terapia medicamentosa supervisionados por uma equipe especializada, as chances de sucesso são muito maiores".

O cigarro possui mais de 4.700 substâncias em sua composição, mas a única responsável pela dependência química é a nicotina. Esta é um das principais causas para a dificuldade do abandono do vício. Além da questão química, o dr. Adriano Guazelli, médico pneumologista da Faculdade de Medicina do ABC, alerta para a questão comportamental.

"Ao contrário das drogas ilícitas, o cigarro não oferece ao indivíduo nenhuma limitação social, podendo ser consumido a qualquer hora do dia ou da noite, em praticamente todos os lugares. O cigarro também costuma fazer parte do cotidiano dos fumantes, acompanhando um cafezinho, em frente ao computador ou numa conversa ao telefone".

Para facilitar ainda mais a vida dos fumantes brasileiros, de acordo com o dr. Adriano, o cigarro por aqui é um dos mais baratos do mundo, chegando a custar vinte vezes menos do que na Inglaterra, por exemplo.

COMO PARAR DE FUMAR?
A maior garantia de sucesso é que esta pergunta seja feita em consultório médico, para ser respondida por um especialista no assunto. De qualquer forma, o primeiro passo é o fumante desejar parar de fumar.

"Nunca devemos obrigar alguém a tentar parar, mas é importantíssimo trazer informações suficientes para que o fumante possa, aos poucos, desenvolver o desejo de parar. Existem algumas maneiras de ajudar, que podem ir de um simples conselho até um tratamento medicamentoso com acompanhamento de profissionais especializados nesta tarefa", esclarece o dr. Sérgio.

Às vezes o fumante só precisa de um empurrãozinho para conseguir parar, principalmente quando possui uma dependência leve. Nestes casos basta que um amigo ou familiar o estimule. O incentivo pode vir também do seu médico, ou de uma reportagem em jornal, revista, TV ou rádio. Tudo isso só vai funcionar se o fumante já pensava em tentar abandonar o vício. "Sempre que possível devemos estimular o fumante a tentar parar. Não devemos julgar nem cobrar resultados, mas apenas incentivar e apoiar. Isso pode ser fundamental para que ele consiga".

ONDE ENCONTRAR AJUDA
Os centros públicos de tratamento do tabagismo no município de São Paulo são em sua grande maioria vinculados a universidades ou hospitais públicos. Um deles é o PrevFumo (Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo), da disciplina de Pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 5579-3412. O site do PrevFumo é www.prevfumo.med.br. Já no Complexo do Hospital das Clínicas existe atendimento especializado antitabagismo para pacientes que se tratam no Hospital.

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2