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Efeitos negativos da mãe fumante sobre o bebê (6/3/2006)
ACTBR

Fonte: Paraná online
Redação/O Estado do Paraná [05/03/2006]

Clovis Botelho, 51 anos, professor titular da UFMT, médico pneumologista, faz um breve relato da ação do tabagismo sobre a relação materno-fetal:

Quanto à reprodução humana, os efeitos nocivos do tabagismo são reconhecidos em diferentes fases do processo reprodutivo feminino, da formação dos óvulos (gametogênese) à lactação. O tabagismo na mulher reduz globalmente a fertilidade, com evidente atraso da primeira gestação, com taxa de concepção menor que mulheres não-fumantes.

As alterações do tabagismo materno sobre o feto abrem um capítulo à parte nas conseqüências do tabagismo sobre a saúde. Os efeitos diretos do tabagismo sobre o feto são bem conhecidos e os dados das pesquisas são irrefutáveis: criança com baixo peso ao nascer, maior número de partos prematuros, maior mortalidade do recém-nascido. Fazendo alguns cálculos, por exemplo, uma gestante que fuma 20 cigarros/dia gasta cerca de 10% de seu tempo para manter o cigarro aceso, e inala a fumaça do cigarro mais de 11 mil vezes ao longo da gestação. Coitada daquela criança dentro da barriga da mãe que fuma!

O feto não é um fumante passivo qualquer que inala um tipo de fumaça de cigarro involuntariamente, em um ambiente aéreo, ele é um ser altamente vulnerável, numa fase de alto risco para o comprometimento do seu desenvolvimento. A mulher quando fuma durante a gestação expõe seu feto não apenas aos componentes da fumaça do cigarro que cruzam a placenta, mas, também, às alterações na oxigenação e metabolismo placentário, e às mudanças no seu próprio metabolismo secundárias ao fumo.

Dentre os vários componentes do tabaco que interferem na evolução da gravidez, destacam-se a ação da nicotina e do monóxido de carbono (CO), que induz ao sofrimento fetal através de dois caminhos independentes, porém, aditivos. O primeiro, seria devido a efeito agudo da liberação de catecolaminas induzido pela nicotina, resultando em diminuição transitória do oxigênio fetal, conseqüente a vasoconstricção materna e perfusão uterina reduzida. O segundo caminho seria através de um aumento prolongado da carboxiemoglobina fetal, resultando em uma sustentada deficiência do oxigênio.

Outro período de destaque para a relação materno-infantil é durante a lactação, mesmo que ela não fume perto da criança. Sabe-se que a lactação constitui uma etapa importante para o desenvolvimento físico e psicológico da criança, com conseqüente redução da morbi-mortalidade infantil no primeiro ano de vida, em especial nos países subdesenvolvidos. As conseqüências do tabagismo materno e familiar sobre a lactação e a criança amamentada constituem um somatório de efeitos que também lhe dão características próprias. Isso porque, além das conseqüências do tabagismo passivo da criança, que está numa fase de quase permanente contato com a mãe dentro do domicílio, se somam as conseqüências sobre a lactação propriamente dita.

Estudos em animais mostraram que a exposição ao tabagismo diminui a concentração de prolactina e inibe a produção de leite. Observações em mulheres lactando, também indicam que o tabagismo diminui a concentração de prolactina e diminui a duração do aleitamento. Além disso, crianças amamentadas e filhas de fumantes crescem numa velocidade menor que filhas de não-fumantes.

Considerando os grandes malefícios do tabagismo para a saúde humana, principalmente para as nossas crianças, torna-se imperioso o seu combate em todos os níveis e a todo momento. Para isso é necessário maior agressividade das campanhas de ações antitabágicas empreendidas em várias frentes: campanhas educativas iniciadas na infância, restrição do consumo em lugares públicos, limitação de qualquer tipo de propaganda e orientação direcionada para os diversos grupos de risco, aqui destacada para as mães fumantes.

Sobre o autor

Professor titular da Faculdade de Ciências Médicas e do Curso de Mestrado em Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Mato Grosso. Doutor em Medicina - Pneumologia -pela Escola Paulista de Medicina / Unifesp, em 1991.

Autor dos livros Você também pode parar de fumar (Editora Adeptus) e A dinâmica psicológica do tabagismo (Editora Entrelinhas) e de vários artigos sobre o tema publicado em revistas especializadas.

 
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