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BAT ignora pressões e aposta tudo no cigarro (3/2/2006)
ACTBR

Fonte: VALOR, 1/2/06

Fumo
Emergentes compensam
a queda de vendas nos EUA e Europa

BAT ignora pressões e aposta tudo no cigarro
Assis Moreira De Zurique

Foto: Alexandre Campbell/Folha Imagem

Antonio Monteiro de Castro, executivo da British American Tobacco: "Nunca pagamos, ou pagamos muito pouco (cerca de US$ 1 milhão) em litígios"

 

A British American Tobacco (BAT), segundo produtor mundial de cigarros, não planeja diversificar o negócio, apesar de um mercado cada vez mais controverso, com restrições ao consumo e litígios.

Antonio Monteiro de Castro, o número dois na hierarquia da multinacional britânica como COO (Chief Operationg Officer), disse ao Valor que a BAT "não tem a menor intenção de diversificar". Ainda mais que está lucrando muito e as pressões contra o cigarro só terão impacto em longo prazo.

BAT fez vendas de 34,2 bilhões de libras esterlinas em 2004 e teve lucro operacional de 2,8 bilhões de libras. Os resultados de 2005 estão perto de ser publicados, e parece não haver dúvidas de que os negócios vão bem - contrastando com o aumento de restrições ao consumo em várias partes do mundo.

Carioca, ex-presidente da Souza Cruz, subsidiária da BAT no Brasil, Monteiro de Castro diz que na verdade a industria de tabaco aumentou seu valor. O lucro da BAT cresceu 5% e 6%, com redução de custos. No total, nos últimos anos, deu retorno de 25% (valorização mais dividendos).

O executivo estima que a situação não mudará tão cedo. Acha que o mercado global de cigarros ficará estável pelos próximos dez anos. A proibição e restrições fazem o consumo declinar 2% ao ano nos Estados Unidos e na Europa. Mas isso é compensado pelo aumento na Rússia, China e outras nações em desenvolvimento.

Indagado como se sentia em dirigir uma companhia constantemente acusada por governos de ajudar a matar seus clientes, o presidente da BAT, Paul Adams, retrucou que a "verdade simples é que há cerca de um bilhão de pessoas no mundo que fuma e outro um bilhão que começará a fumar nos próximos dez anos".

Segundo Monteiro de Castro, a indústria já absorveu as questões de litígios abertos por clientes reclamando de problemas de saúde. Ele deixa claro que a dimensão das indenizações não tem nada a ver com o que é publicado.

"Nunca pagamos, ou pagamos muito pouco (cerca de US$ 1 milhão) em litígios", afirmou. "Presta-se atenção nas decisões de primeira instância, mas não nas conclusões dos processos. Temos uma linha de defesa muito boa".

O executivo diz que o objetivo da BAT é crescer o lucro, agora entre 6% e 8% nos próximos anos, tomando fatias de mercado dos concorrentes. Além disso, a BAT quer estimular seus clientes a fazerem um "upgrade", ou seja, passar a consumir marcas mais sofisticadas e portanto mais caras. "O consumidor vai pagar um pouco mais", diz Monteiro de Castro.

No Brasil, o objetivo é manter sua parte de 55% do mercado, mas crescer em 10% a venda de marcas internacionais como Luke Strike, Pall Mall e Dunhill.

Enquanto a BAT aposta em vender cigarros mais caros, na Europa sua concorrente Philip Morris, número um mundial, na verdade deflagrou uma guerra de preços.

Na Espanha, baixou o preço de suas marcas mais famosas, como Marlboro e Chesterfields, para tentar tomar clientes da espanhola Altadis, que inundou o mercado local com marcas de cigarro mais baratas.

A guerra de preços entre a própria Philip e BAT acontece atualmente na Suíça, onde o preço de cigarros de marcas caiu 10 centavos recentemente, causando a irritação de setores de saúde por estimular o consumo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é a segunda causa maior de mortes no mundo. Seria responsável pela morte de um entre dez adultos (cerca de cinco milhões de mortes cada ano). No ritmo atual de consumo, as vítimas podem chegar a 10 milhões por ano.

 
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