Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Combate ao fumo esbarra no preço baixo do cigarro (30/5/2004)
Jamil Chade

O Estado de S.Paulo, seção Internacional, 290504.
 
Combate ao fumo esbarra no preço baixo do cigarro
Estudo da OMS revela que há quem deixe de investir em necessidades básicas para manter o vício

JAMIL CHADE
Correspondente

GENEBRA - Fumar não faz mal apenas à saúde, mas à economia de todo um país. Essa é a mensagem que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tentará passar à comunidade internacional para marcar o Dia Mundial sem Tabaco, que ocorre na segunda-feira. De acordo com a entidade, um dos problemas no combate ao cigarro ainda é o preço relativamente baixo cobrado pelo produto em muitos países, o que não estaria ajudando a inibir o consumo. No Brasil, por exemplo, um cidadão precisa de apenas 18 minutos de trabalho para ganhar o suficiente para comprar um maço de cigarros. Para comprar um quilo de pão (ou 20 unidades), porém, esse mesmo cidadão precisaria trabalhar quase três vezes mais.

A OMS também apresenta estudos que provam que, em muitos países, fumantes deixam de usar seu dinheiro em necessidades básicas para comprar cigarros. Em Bangladesh, 10,5 milhões de pessoas mal nutridas poderiam sair da atual situação se dois terços do dinheiro gasto com cigarro no país fossem gastos com alimentação. , fumantes gastam quatro vezes mais com cigarro do que com educação.

Em estudos apresentados em Genebra, a entidade mostra que existe um círculo vicioso entre a pobreza e o fumo. Tanto em países ricos como em economias em desenvolvimento, é a porção mais pobre da população que fuma mais. As avaliações ainda mostram que pessoas com menor nível de educação estão entre as que mais fumam. No Rio, 26% das pessoas com menos de quatro anos de estudo fumam. Entre as pessoas com mais de nove anos de escolaridade, o índice de fumantes é de 17%.

Pelas estimativas da entidade, existem hoje 1,3 bilhão de fumantes e, em 2025, o número chegaria a 1,7 bilhão se nada fosse feito. Mas se as medidas de controle do cigarro derem resultados, as estimativas mais positivas confirmam que 1,45 bilhão de pessoas ainda estariam fumando.

Nos países ricos, até 15% de custos de saúde são destinados a problemas relacionados ao cigarro. Entre 1995 e 1999, US$ 157 bilhões foram gastos nos Estados Unidos para tratar de problemas gerados pelo cigarro. No Brasil, foi constatado que 48% dos produtores de fumo em certas regiões acabam sofrendo problemas de saúde por causa do contato com os pesticidas utilizados no cultivo. Além disso, indícios de depressão e uma taxa de suicídios sete vezes maior que a média nacional foram registradas entre os produtores.

O mundo não pode aceitar essas perdas econômicas e humanas, afirmou o diretor da OMS, Jong-Wook Lee. Com um total de 4,9 milhões de mortes por ano geradas pelo cigarro, as estimativas da ONU são de que, se nada for feito, esse número poderá dobrar em 20 anos.

Tratado – Neste ano, a agência de Saúde da ONU optou por realizar parte de seus eventos internacionais sobre o combate ao tabaco no Brasil e em colaboração com o Ministério da Saúde. Ironicamente, a entidade ligada à ONU escolheu um país que ainda não ratificou o tratado de controle contra o tabaco. O acordo, que já tem 16 ratificações, foi negociado em Genebra e, em sua fase inicial, foi presidido pelo atual chanceler brasileiro, Celso Amorim. Para que entre em vigor, precisa de 40 ratificações.

Para 2004, o objetivo da OMS é o de desmistificar eventuais benefícios econômicos trazidos pela indústria do cigarro. A organização rejeita a avaliação das empresas de que o setor emprega 33 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, apenas 1,9% dos trabalhadores rurais e 0,4% da mão-de-obra no País estaria envolvida no cultivo do tabaco.

Deputados fumantes têm de achar alternativa
JOÃO DOMINGOS

BRASÍLIA - Sob risco de multa pessoal de R$ 2 mil e de punição à Câmara de até R$ 2 milhões por permitir que fumem em suas dependências, deputados que insistem em dar suas tragadas começaram a buscar as mais diferentes saídas. Uma delas é fumar no gabinete do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), onde a vigilância não consegue chegar. Na sala ao lado, para as reuniões importantes, o fumo está proibido - pode danificar algumas obras de arte.

A presidência da Câmara será também o refúgio de dois fumantes inveterados, quando estiverem no Congresso. O ministro da Coordenação Política do governo, Aldo Rebelo, e o presidente do PT, José Genoino, não largam o cigarro. Costumam conversar com o cigarro entre os dedos e ir derrubando cinzas pelo chão.

Intimada anteontem pela Vigilância Sanitária de Brasília a acabar com a prática do fumo em suas instalações em dez dias, a direção da Câmara corre para cumprir as determinações. Entre as exigências estão a retirada dos cinzeiros, que já havia sido iniciada; a fixação de avisos sobre a proibição de fumar; a criação de ações de apoio para que fumantes deixem o vício e o monitoramento para fazer cumprir a Lei n.º 9.294/96, que proíbe o uso de qualquer produto fumígeno em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área exclusiva para esse fim. Na segunda-feira, serão inaugurados seis fumódromos, todos do lado de fora do prédio.

Por conta das exigências da Vigilância, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, o deputado Miro Teixeira (PPS-RJ), e dez servidores da Câmara foram autuados na quarta-feira. Ciro irritou-se com a fiscal. Disse que ela estava buscando seus 15 minutos de fama. Mas apagou o cigarro e pediu desculpas.

Ele voltou à Câmara ontem e, de novo, abordou o assunto. "Fumei depois de ver que não tinha proibição e que o presidente (da Comissão da Amazônia, deputado Júnior Betão, do PPS) tinha fumado e vários tinham fumado antes. Eu cumpro a lei. O que me magoou não foi isso. Foi um episódio pitoresco (a abordagem da fiscal). O cigarro é uma coisa ruim."
 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2